Diabetes e doença cardíaca – Por *Dr. Jamil Cherem Schneider CRM-SC 3151 RQE 2874

A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica o Diabetes como a terceira principal causa de morte em todo o mundo. No entanto, a doença está relacionada à maior incidência de doenças cardiovasculares, que são a principal causa de morte. Dentre as doenças cardiovasculares, o infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral lideram as estatísticas.

O Diabetes provoca uma série de complicações. Entre elas, existem as complicações microvasculares (como o acometimento da retina, dos rins e dos nervos periféricos) e as macrovasculares (como doença coronariana, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e doença arterial periférica).

O coração do diabético não controlado padece. A elevação da glicemia provoca estresse oxidativo nas células, levando à formação de radicais livres – o que pode facilitar o surgimento das placas de gordura no interior das paredes das artérias. A doença ainda favorece um processo inflamatório mais acentuado na placa de ateroma, aumentando o risco da placa romper. Assim, há uma maior chance de sofrer infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Além disso, com as placas de ateroma, as paredes dos vasos sanguíneos ficam cada vez mais espessas, diminuindo o espaço interno para o sangue fluir. A má circulação torna os pés um ponto frágil aos portadores de Diabetes. Somado aos danos nos nervos, os pés costumam formigar, perder a sensibilidade e sofrer com a má cicatrização de feridas. Resultado: 90% dos casos de amputação, sem a ocorrência de traumas, são de diabéticos.

Diabetes Tipo I e Tipo II

A evolução do Diabetes Tipo I e do Tipo II é diferente. No primeiro, a deficiência de insulina é autoimune. Por isso, a indicação do seu uso é feita a partir do diagnóstico. O diabético tipo I também apresenta complicações macro e microvasculares. Porém, inicialmente, não costuma apresentar outros fatores de risco associados.

Já no Diabetes Tipo II, existe uma resistência das células à insulina, levando o pâncreas a produzir este hormônio em excesso. Geralmente, quando o diabético tipo II é diagnosticado, em paralelo são identificados outros fatores de risco. É comum apresentar gordura localizada na região abdominal, sedentarismo, pressão arterial elevada, colesterol e triglicérides elevados. Todos eles aumentam a chance de desenvolver uma doença cardíaca.

Fatores de risco

Entre os fatores de risco que podem agravar o quadro do diabético, estão: hipertensão, colesterol e triglicérides elevados, e o cigarro. Este último, sozinho, já é o principal responsável pelo surgimento das doenças no coração. Lembrando que, quanto mais fatores agregados, maior será o risco.

O sexo feminino precisa de mais atenção. Devido aos maus hábitos da vida moderna, as mulheres tem se tornado mais susceptíveis. Nas mulheres diabéticas, a doença cardiovascular costuma ser mais grave e as consequências piores que nos homens. E os riscos se elevam ainda mais quando há associação do cigarro.

Principais recomendações

O diagnóstico do Diabetes é feito a partir da glicemia de jejum. Níveis a partir de 126 mg/dL confirmam o diagnóstico. Em alguns casos é realizado o teste de tolerância oral à glicose. Se forem diagnosticadas alterações, é indicado um acompanhamento médico mais estreito, capaz de avaliar a presença de outros fatores de risco associados.

O tratamento do Diabetes é um tripé: controle da glicose, da pressão arterial e do colesterol. Não basta controlar apenas a glicemia. Para os diabéticos, a prevenção das complicações relacionadas às doenças cardiovasculares passa, necessariamente, pela mudança de hábitos.

A modificação do estilo de vida, através de uma alimentação mais saudável, da redução da ingestão de sal e de gorduras saturadas, além do controle do peso, são essenciais. O exercício físico, após liberação médica, também deve ser incorporado na rotina. O ideal é ter uma atividade completa, com trabalho aeróbico, musculação e alongamento, junto com a mudança alimentar. E é absolutamente essencial deixar de fumar.

O tratamento é realizado com o uso de medicamentos por via oral ou através de medicamentos injetáveis, como a Insulina, por exemplo. É importante lembrar que todo o tratamento de uma doença crônica requer muita disciplina por parte do paciente, visando adotar um estilo de vida mais saudável.

* Dr. Jamil Cherem Schneider é Cardiologista Clínico (CRM-SC 3151 RQE 2874) e Diretor do Instituto de Cardiologia de Santa Catarina (ICSC). Com mais de 30 anos de atuação em Cardiologia, atualmente atende na clínica Prevencordis, no Instituto de Cardiologia e no Hospital SOS Cárdio, todos em Florianópolis/SC.

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