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Tratamento da Insuficiência Mitral Severa por Plastia da Válvula Mitral

insuficiência mitral severa

A plastia da válvula mitral (ou reparo valvar) é considerada o tratamento padrão-ouro para a insuficiência mitral severa. Diferente da troca valvar, que substitui a válvula por uma prótese, a plastia preserva a válvula natural do paciente, oferecendo resultados superiores a longo prazo, com taxas de sucesso de até 90% após 25 anos. A indicação cirúrgica precoce, mesmo em pacientes assintomáticos, é fator determinante para o sucesso do procedimento.

Se você recebeu o diagnóstico de insuficiência mitral severa degenerativa, entender as opções de tratamento de válvula cardíaca é fundamental. Atualmente, a cirurgia cardiovascular estabelece a plastia da válvula mitral como o caminho preferencial para a recuperação plena da função cardíaca.

Neste conteúdo, estruturamos os principais benefícios do reparo valvar e a importância do diagnóstico na cardiologia clínica, baseando-se em evidências científicas de longo prazo e na experiência do cirurgião cardiovascular Dr. Sérgio Lima de Almeida (CRM/SC 4370 RQE 5893), chefe da Equipe Seu Cardio e do Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital SOS Cárdio, em Florianópolis/SC.

Entendendo a Insuficiência Mitral Severa

A válvula mitral controla o fluxo sanguíneo entre as câmaras do coração. Na insuficiência mitral degenerativa, a falha no fechamento da válvula gera um refluxo sanguíneo. Quando o quadro evolui para uma insuficiência mitral severa, o coração sofre uma sobrecarga volumétrica contínua.

Com o tempo, esse “vazamento” pode sobrecarregar o coração, causando sintomas e, em casos mais avançados, alterações na estrutura do músculo cardíaco.

Por que o reparo valvar é o padrão-ouro?

As diretrizes internacionais de cirurgia cardiovascular recomendam a plastia da valva mitral precocemente devido a:

Durabilidade Superior: 

A plastia valvar mitral é considerada o tratamento “padrão-ouro” por um motivo muito forte: resultados comprovados a longo prazo. Estudos científicos robustos, com acompanhamento de pacientes por mais de 20 anos, demonstram o sucesso e o benefício incomparável dessa técnica, com ausência de insuficiência mitral significativa em 90% dos casos. Esse resultado é muito superior a qualquer prótese.

Preservação da Estrutura Cardíaca: 

O reparo valvar (ou plastia) é superior à troca por próteses porque mantém a válvula original do paciente, preservando a anatomia e a função natural do coração.

Evita problemas decorrentes das próteses: 

As próteses biológicas se desgastam com o tempo e podem precisar de uma nova cirurgia para a troca. Já as próteses mecânicas, embora duradouras, exigem o uso contínuo de medicamentos anticoagulantes, o que traz riscos adicionais ao paciente. A plastia da sua própria válvula evita esses dois cenários.

Técnicas Modernas de Tratamento de Válvula Cardíaca

Atualmente, existem duas técnicas de reparo valvar, que podem ser realizadas de forma isolada ou combinada:

Técnica de “Ressecar”: 

Consiste em remover uma pequena parte do tecido doente da válvula e reconstruí-la, de forma que volte a funcionar corretamente.

Técnica de “Preservar”: 

Nesta abordagem, o cirurgião não retira tecido. Em vez disso, ele implanta novas “cordas” (chamadas cordoalhas) para dar o suporte necessário à válvula e restaurar sua capacidade de fechar completamente.

A possibilidade de combinar essas técnicas permite que os cirurgiões experientes consigam reparar diferentes tipos e graus da doença, corrigindo o problema valvar de forma personalizada para cada paciente. 

Cirurgia Minimamente Invasiva

A cirurgia cardíaca evoluiu muito nos últimos anos e, hoje em dia, operar o coração não significa ter que “abrir o peito”. Antigamente, era necessária uma grande incisão central no tórax, prática que, atualmente, é destinada apenas a casos específicos. 

A cirurgia para a plastia valvar mitral pode ser realizada por abordagem minimamente invasiva, ou seja, através de uma pequena incisão de cerca de cinco centímetros, ou por cirurgia robótica, na qual o cirurgião manuseia pinças cirúrgicas, com incisões ainda menores. 

Para os pacientes, ambas as abordagens (minimamente invasiva e robótica) proporcionam menos dor no pós-operatório, menor índice de transfusão e recuperação mais rápida para retorno às atividades rotineiras. 

Importância da Intervenção Precoce

O momento da indicação cirúrgica é vital para o paciente. O cirurgião cardiovascular Dr. Sérgio Lima de Almeida enfatiza que operar assim que a insuficiência mitral severa se apresenta, mesmo sem sintomas, proporciona melhores resultados e maior durabilidade. Nesses casos, é fundamental que o cardiologista clínico encaminhe o paciente para uma avaliação cirúrgica, o mais precocemente possível.

Muitas pessoas pensam que devem esperar o aparecimento de sintomas (como falta de ar ou cansaço) ou alterações no coração para considerar a cirurgia. No entanto, a literatura médica é clara: quanto mais precoce for a cirurgia em um paciente com insuficiência mitral severa, melhor e mais duradouro será o resultado da plastia.

Isso significa que os pacientes que obtêm os maiores benefícios são, muitas vezes, aqueles que são operados em uma fase ainda assintomática, ou seja, antes de sentirem qualquer sintoma. Esperar pode comprometer os resultados a longo prazo.

O que fazer para tratar a insuficiência mitral severa

Se você foi diagnosticado com insuficiência mitral severa, converse com seu cardiologista sobre a possibilidade de uma avaliação cirúrgica precoce. O ideal é procurar um serviço de cirurgia cardiovascular experiente em plastia da válvula mitral.

Um bom especialista poderá avaliar seu caso individualmente e, se a cirurgia for indicada, oferecer o que é considerado o padrão ouro no tratamento da válvula mitral com insuficiência severa: a chance de reparar sua própria válvula, sem necessidade de qualquer prótese, e garantir mais qualidade de vida por muitos e muitos anos. 

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual a diferença entre plastia e troca de válvula mitral?

A plastia repara a válvula original do paciente, enquanto a troca substitui a válvula por uma prótese (biológica ou mecânica), que pode exigir anticoagulação ou novas cirurgias futuras.

Qual a vantagem da plastia mitral sobre a troca valvar?

A plastia oferece maior durabilidade (90% de sucesso em 25 anos), preserva a anatomia natural do coração e evita o uso obrigatório de anticoagulantes (no caso de próteses valvares mecânicas) ou a realização de novas cirurgias com o passar dos anos (decorrentes do desgaste das próteses biológicas).

Quando procurar um cirurgião para tratar a insuficiência mitral severa?

O ideal é procurar um serviço especializado em cirurgia cardiovascular assim que diagnosticada a insuficiência mitral severa. Operar antes dos sintomas previne danos irreversíveis ao músculo cardíaco (remodelamento) e assegura que a arquitetura da válvula ainda seja favorável para um reparo perfeito e duradouro. Na impossibilidade de realizar uma plastia, a opção passa a ser a substituição da válvula mitral doente por uma prótese, mecânica ou biológica.

Precisa abrir o peito para fazer a plastia da válvula mitral?

Não, a plastia da válvula mitral pode ser realizada por abordagem minimamente invasiva, na qual o cirurgião faz uma incisão de cerca de 5 centímetros, ou por cirurgia robótica, com incisões ainda menores. Ambas proporcionam menos dor no pós-operatório, recuperação mais rápida e menor índice de transfusão sanguínea. 

A plastia da válvula mitral é um procedimento comum?

Alguns serviços já fazem a plastia valvar mitral como rotina, mas a técnica ainda não está disponível em todos os centros. No entanto, sua aplicação no tratamento da insuficiência mitral severa vem se difundindo rapidamente no Brasil e no mundo, baseada em evidências científicas sólidas de sucesso a longo prazo, e tende a ser amplamente adotada. 

Sobre o autor:

Dr. Sergio Lima de Almeida (CRM 4370 / RQE 5893) é cirurgião cardiovascular em Florianópolis/SC, chefe da Equipe de Cirurgia Cardiovascular Seu Cardio e do Serviço de Cirurgia Cardíaca do Hospital SOS Cárdio, em Florianópolis/SC e responsável pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do mesmo hospital. É também professor do curso de Medicina da Universidade do Sul de Santa Catarina – Unisul.

Formado em Medicina pela Universidade Federal do Estado de Santa Catarina – UFSC e com residência na Beneficência Portuguesa, na equipe do Dr. Sergio Oliveira, aperfeiçoou-se em plastia de válvulas na Cleveland Clinic, acompanhando o Dr. Delos Cosgrove, e em cirurgia de cardiopatia congênita complexa, no Children ‘s Hospital – Harvard Medical School, acompanhando Dr. Aldo Castañeda. Recentemente, concluiu o curso de Cirurgia Cardiovascular Robótica, conduzido pelo Dr. Paulo Cesar Santos, expoente no Brasil.

Em sua rotina, adota a abordagem minimamente invasiva nos procedimentos cirúrgicos e, mais recentemente vem incorporando as cirurgias robóticas em revascularização do miocárdio, plastias e trocas valvares (mitral e aórtica). Dr. Sergio também realiza cirurgias de dissecção e aneurisma da aorta, além de implantes de marcapassos cardíacos e TAVI.

Somos Cirurgiões Cardiovasculares interessados na saúde e no bem-estar de nossos pacientes. Aqui no Blog procuramos levar conhecimento à comunidade, pois acreditamos que a informação auxilia na prevenção, na adesão ao tratamento e na tranquilidade dos pacientes e seus familiares.
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