Quando a válvula aórtica enrijece, a vida desacelera. Falta de ar, tontura, cansaço, risco de morte súbita. A pergunta que chega ao consultório é direta: “Qual tratamento é melhor para mim?” Entre cirurgias minimamente invasivas, próteses mecânicas e biológicas e a TAVI (válvula transcateter), as escolhas para a troca de válvula aórtica parecem muitas, mas o que determina um bom desfecho ainda é simples: idade, risco cirúrgico, expectativa de vida e planejamento de reintervenções.
O que está acontecendo com a válvula aórtica
A estenose aórtica (estreitamento da válvula geralmente por calcificação) tornou-se mais comum conforme a população envelhece. Quando a válvula calcifica, ela não se repara: perde mobilidade, degenera e obstrui o fluxo sanguíneo. Nesses casos, o tratamento efetivo é a troca valvar.
Por que isso importa:
É uma condição progressiva que reduz qualidade e expectativa de vida.
A escolha da prótese impacta décadas de saúde: durabilidade, necessidade de anticoagulação, possibilidade e risco de futuras reoperações.
As tecnologias evoluíram, mas a indicação correta ainda é o fator decisivo.
Troca de Válvula Aórtica: próteses mecânicas e biológicas
Próteses biológicas
Feitas de tecido, têm durabilidade que varia com a idade do paciente.
Em pessoas acima de 65–70 anos, costumam durar o restante da vida, com boa qualidade.
Em pacientes mais jovens, tendem a degenerar mais rápido e frequentemente exigem reintervenção no futuro.
Próteses mecânicas
Alta durabilidade: não sofrem degeneração estrutural como as biológicas.
Exigem anticoagulação contínua por toda a vida. Na prática:
Medicação oral diária, de baixo custo.
Controle laboratorial do nível de anticoagulação a cada 40–60 dias.
Geralmente não requer consulta médica a cada exame, desde que o controle esteja estável.
Impacto cotidiano: responsabilidade do paciente com exames regulares e ajustes de dose.
Insight-chave: não existe “melhor” prótese em termos absolutos; existe a “mais adequada para sua idade, estilo de vida e horizonte de reintervenções”.
Troca de Válvula Aórtica: TAVI
A TAVI (válvula aórtica transcateter) surgiu para pacientes de alto risco cirúrgico e frágeis, oferecendo tratamento sem abertura do tórax. Com o tempo, estudos mostraram bons resultados também em risco intermediário e até baixo. Mas há nuances importantes.
O que sabemos hoje:
A TAVI utiliza sempre prótese biológica; não há versão mecânica transcateter.
Em pacientes muito idosos e com expectativa de vida mais curta, pode ser a melhor opção.
Para pacientes abaixo de 70 anos, faltam estudos robustos confirmando durabilidade de longo prazo.
Reoperações após TAVI são mais complexas:
A válvula transcateter se fixa no cálcio da válvula nativa; removê-la aumenta o risco cirúrgico.
A mortalidade de reoperação após TAVI pode ser 12–15 vezes maior do que a troca de uma válvula cirúrgica previamente implantada.
Frase para guardar: escolher TAVI em pacientes mais jovens pode significar uma cirurgia muito mais arriscada no futuro, justamente quando estiverem mais velhos.
Quando dá para colocar uma válvula dentro da outra (valve-in-valve)?
Em alguns casos, uma TAVI pode ser feita dentro da primeira prótese cirúrgica , evitando-se assim uma reoperação .
Isso depende do tamanho da válvula inicial:
Válvulas pequenas dificultam a segunda implantação segura.
Válvulas maiores podem permitir “valve-in-valve” com melhores resultados.
Cirurgia Cardíaca Minimamente Invasiva
A imagem clássica de esterno serrado está desatualizada para a troca isolada da válvula aórtica. Hoje:
Incisões de 4–5 cm permitem acesso seguro.
Menor agressão, dor e tempo de hospitalização.
Recuperação mais rápida.
Mortalidade e segurança comparáveis ou melhores em indicações apropriadas.
Isso desmonta a crença de que TAVI é sempre “igual ou melhor” apenas porque evita abrir o tórax. Em muitas faixas etárias e perfis de risco, a cirurgia minimamente invasiva oferece excelente prognóstico com baixo risco.
Na literatura médica, meta-análises recentes vêm mostrando que, em populações de baixo e intermediário risco, a cirurgia com prótese (seja por técnica minimamente invasiva ou aberta) apresenta maior sobrevida em cinco anos do que TAVI. É um ponto central na conversa com o médico: pensar não apenas no procedimento, mas no horizonte de cinco a dez anos.
Troca de Válvula Aórtica: qual prótese escolher?
Em linhas gerais, ou seja, sem considerar as especificidades de cada paciente, os seguintes critérios precisam ser avaliados na troca de válvula aórtica:
1) Idade e expectativa de vida
70+ anos: prótese biológica cirúrgica ou TAVI, conforme risco e comorbidades, tendem a cobrir a expectativa de vida.
<70 anos: avaliar durabilidade e estratégia de reintervenção. Tendência a considerar prótese mecânica (se anticoagulação for aceitável) ou biológica com plano realista de futuras trocas.
Risco baixo/intermediário: cirurgia minimamente invasiva costuma oferecer melhor sobrevida em médio prazo.
3) Anticoagulação: consigo manter?
Se sim, prótese mecânica elimina preocupação com degeneração estrutural.
Se não, prótese biológica é alternativa — com consciência de possível reintervenção.
4) Planejamento de reintervenções
TAVI precoce em pacientes jovens pode resultar em cirurgia complexa e de maior risco no futuro.
Cirurgia com prótese biológica permite, em muitos casos, reoperações com risco mais baixo.
“Valve-in-valve” é opção, mas depende do tamanho da válvula original.
5) Conversa em equipe
Decisão ideal é compartilhada entre cirurgião, cardiologista e paciente, alinhando dados, preferências e estilo de vida.
Por que reoperar TAVI é mais arriscado?
A válvula transcateter se expande e se ancora no cálcio da válvula nativa, sem pontos. Essa “incrustação” dificulta a remoção segura depois que a prótese biológica degenera. Na reoperação, há maior risco de lesões nas estruturas cardíacas e maior tempo de cirurgia, o que explica a mortalidade significativamente superior comparada às reoperações de válvulas cirúrgicas tradicionais.
Consulta com o cirurgião cardiovascular
Abaixo, apresentamos alguns pontos para conversar com o seu cirurgião cardiovascular e que irão lhe auxiliar a escolher o melhor tratamento para a troca de válvula aórtica para o seu caso:
Traga sua meta pessoal de tratamento: longevidade máxima, menor manutenção, evitar anticoagulação?
Peça ao médico uma estimativa de durabilidade da prótese para sua idade.
Confirme se há plano B para reintervenção futura (cirurgia, TAVI, valve-in-valve).
Discuta explicitamente o risco de reoperação no cenário escolhido.
Pergunte sobre a possibilidade de cirurgia minimamente invasiva e tempo típico de recuperação.
O avanço tecnológico ampliou escolhas, mas não substituiu a boa indicação. Na estenose aórtica, a melhor decisão é aquela que considera quem você é hoje e quem pretende ser daqui a cinco, dez anos. Trocar a válvula aórtica é parte do caminho; planejar o futuro da sua válvula é o que muda o desfecho. A tecnologia abre portas, a indicação correta decide por qual delas você deve passar.
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Atualmente, há diferentes opções de tratamento para estenose aórtica, condição cada vez mais frequente em idosos devido à calcificação e degeneração da válvula.
Com o constante avanço tecnológico da Medicina, é fundamental que a indicação seja realizada de forma consciente e com um único objetivo: proporcionar o melhor para cada paciente. Isso significa avaliar, de forma associada, a melhor estratégia hoje com o melhor prognóstico de longo prazo, de acordo com o perfil individual de cada um.
Entre conveniência imediata e durabilidade futura, a reflexão é essencial. E o melhor resultado nasce do diálogo informado entre paciente, cardiologista e cirurgião.
Publiquei um artigo sobre o tema. Acesse aqui:
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Quando trocar a válvula aórtica: escolhas, cenários e o que realmente importa
Há temas que exigem conversa franca, sem atalhos: a estenose da válvula aórtica é um deles. A população vive mais, a válvula envelhece, calcifica, perde mobilidade e, de repente o coração passa a bombear contra uma porta que não abre. O que fazer? Trocar a válvula. Mas qual válvula? Por onde? Com qual impacto hoje e amanhã?
Minha intenção aqui é orientar sem transformar tudo num discurso técnico distante. É a vida do seu paciente, que tem seu próprio ritmo e expectativa de futuro. E a medicina existe para servir a esse propósito.
O ponto de partida: por que não dá para “consertar” a válvula estenótica
Quando a válvula aórtica calcifica e degenera, o mecanismo está comprometido de forma irreversível. Diferente de outras valvopatias nas quais um reparo ainda é considerado, na estenose senil a alternativa real é a substituição. É como uma dobradiça tomada por ferrugem: lixar a superfície não resolve; a peça perdeu função.
Essa substituição pode ser feita com uma prótese mecânica ou biológica. Aqui, a conversa não é sobre “melhor” em termos absolutos, mas sobre adequação ao contexto de cada paciente: idade, estilo de vida, tolerâncias e prioridades.
Próteses mecânicas x biológicas
Próteses biológicas:
Vêm de tecido animal e se comportam como uma válvula orgânica. Por isso, sofrem degeneração ao longo do tempo dentro.
Quanto mais jovem o paciente, mais rápido esse desgaste ocorre. Em pessoas acima de 65–70 anos, a durabilidade costuma ser suficiente para o restante da vida.
Em pacientes mais jovens, escolher a biológica significa aceitar, no horizonte, uma reintervenção futura. É um pacto com o conforto do agora, sabendo que haverá nova etapa adiante.
Próteses mecânicas:
Não degeneram como tecido; por isso, têm durabilidade muito longa.
A contrapartida é a anticoagulação contínua. O remédio é simples, dose única diária, custo baixo, mas há o compromisso do controle periódico por exame de sangue (em geral a cada 40–60 dias) para o resto da vida.
Esse controle pode ser feito em laboratório, sem necessidade de consulta médica a cada ciclo. Ainda assim, é um estilo de vida com agenda e disciplina.
No fundo, a escolha é do paciente, após entender os prós e contras de cada opção. A questão central é qual compromisso ele quer assumir com o seu futuro. A biológica pede previsibilidade de reintervenção; a mecânica exige convivência com anticoagulação. Não há resposta universal: há uma escolha consciente.
A válvula transcatéter (TAVI): sem abrir o peito, mas com nuances
A terapia transcatéter surgiu como resposta a um grupo muito específico: pacientes frágeis, com alto risco cirúrgico, para quem a cirurgia tradicional poderia representar um perigo desproporcional. A válvula transcatéter é sempre biológica e é implantada por cateter, sem pontos no coração, “aninhando-se” no cálcio da válvula doente. Para muitos idosos e debilitados, isso muda o jogo: menos invasão, alta mais rápida, benefício real.
Com o tempo, estudos ampliaram o campo: bons resultados também em risco intermediário e, em alguns cenários, até baixo risco. Mas aqui entram duas questões cruciais:
Durabilidade em pacientes mais jovens: abaixo dos 70 anos, ainda não temos comprovação robusta de longevidade dessa válvula.
Complexidade da reoperação: retirar uma válvula transcatéter degenerada é uma cirurgia muito mais arriscada do que reoperar uma válvula implantada por via tradicional. A fixação no cálcio, ótima para o implante, torna a remoção um desafio com mortalidade 12 a 15 vezes superior à reoperação convencional.
Isso coloca um dilema: se você é mais jovem, pode até receber uma TAVI agora, mas quando ela degenerar, talvez já mais velho, enfrentará uma cirurgia mais complexa e arriscada. É um detalhe que não pode ser empurrado para debaixo do tapete.
“Válvula dentro de válvula”: quando cabe e quando não cabe
Há a possibilidade de, no futuro, colocar uma segunda válvula transcatéter dentro da primeira degenerada, sem cirurgia aberta. Isso pode ser valioso, mas depende do tamanho inicial da válvula. Se a primeira for pequena, a segunda pode não caber de forma segura; se for maior, a estratégia torna-se viável. Mais uma vez, planejamento é tudo: pensar hoje nos cenários de amanhã altera a decisão de agora.
Cirurgia tradicional, minimamente invasiva e a evolução real
Se você ainda associa “cirurgia cardíaca” exclusivamente a abrir o peito com serra no esterno, vale atualizar a imagem. Para a troca isolada da válvula aórtica, a rotina atual privilegia técnicas minimamente invasivas: incisões de 4–5 centímetros, menos agressão ao corpo, dor controlada, alta e recuperação mais rápidas e com segurança. A cirurgia aberta clássica existe e é necessária em casos específicos, mas não é mais o padrão automático.
Do ponto de vista de durabilidade, as válvulas cirúrgicas, sobretudo as biológicas, têm décadas de evidência e faixas etárias bem documentadas. Em pacientes de baixo e intermediário risco, há estudos e meta-análises mostrando maior sobrevida em 5 anos para a cirurgia (minimamente invasiva ou aberta) em comparação com a válvula transcatéter. Não é uma competição: é orientação baseada em resultado no médio prazo.
Segurança não é só “não abrir o peito”
É tentador dizer: se não precisa abrir, é mais seguro. Nem sempre. Segurança é a combinação de indicação correta, técnica adequada e resultado projetado para o tempo de vida do paciente. Para idosos frágeis, a TAVI oferece ganhos contundentes. Em outras faixas etárias, especialmente quando pensamos em 5, 10, 15 anos, a cirurgia com prótese cirúrgica pode entregar melhor sobrevida e menor risco de complicações cumulativas.
Portanto, as perguntas são: qual a expectativa de vida do paciente? Que compromissos está disposto a aceitar? O futuro que imagina cabe na escolha que está fazendo hoje?
Decisão compartilhada: medicina como conversa, não como decreto
A beleza da cardiologia moderna é que não estamos presos a uma única via. Temos um leque: próteses mecânicas e biológicas, técnicas minimamente invasivas, transcatéter, estratégias de “válvula dentro de válvula”. O papel do médico não é impor, mas explicar os cenários, mostrar prós e contras, e alinhar a terapia ao horizonte pessoal de cada paciente.
Se tem mais de 70 anos, é frágil e quer um procedimento menos invasivo, a TAVI pode ser um caminho consistente.
Se é mais jovem e busca longevidade comprovada, a cirurgia com prótese cirúrgica (mecânica ou biológica, conforme o perfil) tende a oferecer melhor sobrevida e previsibilidade de reintervenção.
Se valoriza evitar anticoagulação a qualquer custo, precisa entender o que isso significa em termos de reoperação futura.
Se aceita anticoagulação, deve entender a rotina de exames e a necessidade de disciplina, para obter os benefícios de uma prótese que não degenera.
No fim, cada escolha é um equilíbrio entre presente e futuro. A tecnologia avançou dos dois lados, tanto cirúrgico como transcatéter, para reduzir a invasão e aumentar a segurança dos procedimentos. Cabe a nós usarmos esses avanços com sabedoria, para que a decisão de hoje não seja um problema para os nossos pacientes amanhã.
O coração como metáfora e como realidade
A válvula abre e fecha 60, 70, 80 vezes por minuto, sem pedir aplauso. Quando começa a falhar, nos força a olhar para o tempo: o que ainda esperar da vida? Com que qualidade? Minha função aqui é traduzir técnica em vida prática. Trocar a válvula aórtica não é só um ato cirúrgico, mas um pacto que cada paciente faz com seu próprio futuro. E pactos bons se fazem com informação clara, intenção honesta e olhos abertos para o horizonte.
Entre os tratamentos mais modernos para a insuficiência mitral, temos a plastia mitral, a troca valvar por prótese (mecânica ou biológica) e a terapia transcatéter. Tanto a plastia quanto as próteses são realizadas por cirurgia minimamente invasiva, ou seja, através de incisões de cerca de 4cm a 5cm e, até mesmo, por cirurgia robótica.
Esse avanço da Medicina desmistifica bastante a cirurgia cardiovascular, uma vez que “abrir o peito” não é mais uma regra.
Neste texto, você vai saber os prós, contras e os critérios que devem ser considerados ao escolher o melhor tratamento para a insuficiência mitral.
Plastia Mitral: o padrão-ouro de tratamento
A insuficiência mitral degenerativa resulta de alterações na anatomia valvar, como ruptura ou alongamento das cordas, dilatação do anel e degeneração dos folhetos. Nesses casos, a plastia mitral é considerada o tratamento de primeira escolha, uma vez que preserva a válvula do próprio paciente.
A plastia é como uma plástica que corrige os problemas que estão causando a insuficiência mitral, sem precisar implantar uma prótese. Assim, ela resolve causas específicas, tais como:
Cordas novas quando há ruptura/alongamento;
Ressecção de segmentos do folheto doente;
Anuloplastia para restaurar o diâmetro do anel.
Ao contrário do que muitos pensam, a cirurgia de plastia valvar mitral é realizada com técnicas minimamente invasivas, ou seja, sem “abrir o peito”. Atualmente, as duas principais abordagens são:
Cirurgia minimamente invasiva: incisão de cerca de 4cm/5cm, sem corte do esterno (osso no meio do peito). Em mulheres, a incisão costuma ser feita abaixo do seio, escondendo completamente a cicatriz.
Cirurgia robótica: pequenas incisões de cerca de 3cm/4cm, também sem corte do esterno. A grande vantagem dessa abordagem é que ela aumenta as chances de plastia, pois permite melhor visualização ao cirurgião e alta precisão dos movimentos.
Ambas as técnicas oferecem menos dor no pós-operatório, menor risco de complicações e recuperação mais rápida, e são realizadas rotineiramente em nosso serviço, no Hospital SOS Cárdio, em Florianópolis/SC.
Por que a plastia é o padrão ouro?
Quando possível, a primeira escolha do cirurgião é realizar uma plastia. Essa técnica corrige o problema valvar sem necessitar de uma prótese, o que é excelente para o paciente:
A plastia combina técnicas complementares (novas cordas, ressecção de folheto doente, anel para reduzir dilatação), ajustadas ao mecanismo da insuficiência;
Evita anticoagulação crônica, ou seja, o paciente não precisa tomar anticoagulantes nem realizar exames periódicos de controle de TAP, como no caso das próteses mecânicas;
Oferece excelente durabilidade, frequentemente evitando reoperações futuras, como nas próteses biológicas.
No entanto, vale salientar que, nem sempre, a plastia valvar pode ser indicada. Essa análise depende do problema valvar, da anatomia e da condição de saúde de cada paciente.
Troca Valvar Mitral: prótese biológica x mecânica
Quando a plastia mitral não é viável, entra em cena a substituição da válvula doente por uma prótese. Nesse caso, a questão principal é escolher entre prótese biológica e prótese mecânica.
Essa decisão varia caso a caso e a participação do paciente é fundamental. Para que seja bem feita, é necessário conhecer prós e contras de cada tipo de prótese e considerar características muito pessoais, como disciplina, tipo de profissão, idade, entre outras.
Prótese Valvar Biológica
Degenera ao longo do tempo. Assim, especialmente em pacientes mais jovens, a reoperação futura será necessária.
Não precisa de anticoagulação contínua. Geralmente, é necessária apenas nos primeiros três meses, depois costuma ser dispensável.
Prótese Valvar Mecânica
Não sofre degeneração, podendo durar a vida inteira.
Requer o uso contínuo de anticoagulantes para evitar coágulos na prótese, assim como exames de sangue para controle a cada 40–60 dias.
Portanto, a escolha é bastante individualizada. O cirurgião cardiovascular deve lhe explicar de forma clara as vantagens e desvantagens de cada prótese e lhe auxiliar no processo de decisão.
Terapia Transcatéter (Clip Mitral)
Além da cirurgia minimamente invasiva e da cirurgia robótica para plastia ou substituição valvar, a terapia transcatéter é mais uma opção entre os tratamentos mais modernos para a insuficiência mitral.
Nessa abordagem, é utilizado um catéter para inserir um clip na válvula mitral. Esse clip aproxima os folhetos valvares e reduz a insuficiência mitral. No entanto, é importante saber que essa técnica tem algumas limitações:
Depende da anatomia da válvula mitral do paciente;
Tem menor durabilidade;
É como um reparo limitado à anatomia adequada para o clip.
O clip resolve o espaço entre os folhetos, sem corrigir todos os mecanismos subjacentes. Por isso, sua durabilidade é menor em perfis que se beneficiariam de um reparo anatômico completo.
Além disso, assim como nas demais opções de tratamento, sua indicação depende de alguns fatores, ou seja, nem todos os pacientes se beneficiam dessa terapia. Normalmente, ela é indicada para:
Pacientes com insuficiência mitral grave e alto risco cirúrgico (fragilidade, idade muito avançada, comorbidades significativas);
Pode ser “ponte” para estabilizar o quadro, permitindo cirurgia definitiva depois;
Em alguns casos, funciona como solução paliativa eficaz, alinhada à expectativa de vida e aos objetivos do paciente.
Qual opção de tratamento escolher?
A decisão ideal sobre qual procedimento realizar para o tratamento da insuficiência mitral é conjunta. Cabe ao cirurgião apresentar ao paciente todas as opções, seus riscos e benefícios, alinhando a técnica à vida real, e ao paciente analisar os impactos no seu dia a dia e no seu futuro.
Em linhas gerais, a escolha depende de fatores como:
Idade e expectativa de vida;
Fragilidade e comorbidades;
Ritmo cardíaco e necessidade/viabilidade de anticoagulação;
Anatomia da válvula (se é reparável com plastia);
Adesão possível a exames e medicamentos;
Preferências do paciente, depois de informado.
Como vimos, a cirurgia cardiovascular evoluiu para incisões pequenas e visualização robótica, enquanto o transcatéter expandiu o acesso a quem não pode operar. A grande questão é qual técnica oferece, para você, o equilíbrio certo entre segurança agora e qualidade a longo prazo?
Decisão boa é aquela que cabe no seu corpo e na sua vida. Para tomar sua decisão sobre qual caminho seguir entre as opções mais modernas de tratamento da insuficiência mitral, converse com o seu cirurgião cardiovascular sobre o seu caso. Tenha em mente que a qualidade do resultado não depende do tamanho da incisão, mas da técnica e da experiência da equipe cirúrgica.
A cirurgia cardíaca em idosos é cada vez mais comum. Afinal, as pessoas estão vivendo mais e a população de pacientes idosos aumenta no mundo todo. Com o avanço da idade, há também o avanço da Medicina para o tratamento de diversos problemas vivenciados na terceira idade.
Mas, a idade é por si só um fator de risco para a cirurgia cardíaca? O idoso é um ser muito frágil para ser operado?
Idade é diferente de fragilidade
Em primeiro lugar, precisamos diferenciar idade de fragilidade. A idade passa a ser um fator de risco quando traz uma série de doenças associadas. Mas vamos imaginar um idoso que chega aos 80 anos com uma doença de coronária, que é a obstrução (“entupimento”) das artérias do coração. Ele tem uma atividade cerebral e uma vida absolutamente normais. No entanto, não consegue mais fazer sua caminhada habitual porque tem dor no peito. Está limitado nas suas atividades físicas, porque cansa. Esse idoso tem uma doença no coração. Ponto. Só isso. Tratada a doença, ele volta a ter uma vida normal novamente.
Apesar da enorme colaboração que a cirurgia cardíaca em idosos pode trazer à qualidade de vida dos pacientes, são bastante comuns os questionamentos. “Ele já tem 84 anos, o que a cirurgia vai acrescentar de sobrevida para ele?” A questão não é se ele vai viver até os 90 ou 95 anos, mas como esse idoso vai viver. E isso, a cirurgia pode devolver: a qualidade de vida que ele perdeu diante da doença cardíaca que adquiriu. Além disso, em muitos casos, aumenta sim a sobrevida, mesmo nesta faixa etária mais avançada.
Com os avanços tecnológicos da medicina aliados ao maior acesso à informação, os idosos passaram a ter uma melhor qualidade de vida. Assim, são mais ativos, independentes e biologicamente mais fortes. Tratamentos mais eficazes, busca pela boa alimentação e hábitos saudáveis são fatores que contribuem para que os idosos tenham uma sobrevida satisfatória após uma cirurgia cardíaca.
A Cirurgia Cardíaca em Idosos com Boa Saúde
Um estudo publicado pela Journal of the American Geriatrics Society, divulgado pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, o fator idade não é mais justificativa para não serem realizados procedimentos médicos em indivíduos acima de 80 anos.
A cirurgia cardíaca em idosos em situação semelhante ao exemplo acima tem resultados excelentes. Inclusive, surpreendentemente melhores do que em pessoas de meia idade que já acumulam várias doenças. Isso porque o idoso que chegou aos 80 anos com apenas uma doença no coração mostrou que é um ser biologicamente mais forte. Passou por várias etapas da vida, nas quais outras doenças incidem. No entanto, chegou à idade mais avançada apresentando uma única doença. Então, a cirurgia cardíaca em idosos desse tipo tem baixa taxa de mortalidade. O idoso volta às suas atividades e a família se surpreende com sua resistência, que na verdade já poderia ser observada pela vida que ele leva.
Com o aumento da população de pacientes idosos, a incidência das doenças degenerativas das válvulas cardíacas, comuns nessa faixa etária, também cresce. Para o paciente idoso que tem um problema isolado em uma valva cardíaca, por exemplo, a abordagem cirúrgica precoce impede que a doença valvar comprometa a contratilidade do coração, proporcionando um risco baixo e a devolução de uma qualidade e expectativa de vida normais. Assim, a cirurgia cardíaca em idosos vem ao encontro desse objetivo, devolvendo vida aos anos do paciente.
Cirurgia Cardíaca em Idosos com Doenças Associadas
A indicação de cirurgia cardíaca em idosos que possuem alguma doença associada, que estejam acamados ou que pouco se comuniquem, por exemplo, deve ser avaliada entre médicos, paciente e seus familiares. É fundamental que se tenha em mente o quanto esse paciente irá ou não se beneficiar do procedimento. Em outras palavras, é necessário avaliar seus riscos e benefícios. Para isso, contar com a assistência de bons profissionais nas áreas de Cardiologia Clínica e de Cirurgia Cardíaca é fundamental para apresentar e avaliar claramente o melhor para cada caso.
É comum, em idosos, a descoberta de um problema cardíaco durante a realização de exames para outras doenças, como câncer, por exemplo. Nestes casos, em geral, é indicada a realização da cirurgia do coração primeiro. A medida visa diminuir os riscos no tratamento da outra doença (tumores, transplantes, etc). O coração é sempre colocado em primeiro lugar, pelo risco que ele representa para os outros tratamentos. Uma vez protegido o coração, o tratamento de doenças associadas tende a obter melhores resultados.
Caso tenha dúvidas sobre a relação risco x benefício da cirurgia cardíaca em idosos, converse com o médico que acompanha o caso. Informe-se também com o cirurgião cardiovascular. Em conjunto e com uma avaliação criteriosa, será definida a melhor conduta.
O tamponamento cardíaco é uma emergência cardiológica que pode ter consequências drásticas – inclusive a morte. Por isso, é importante ser diagnosticada e tratada rapidamente. Essa condição pode ser resultado de diversas patologias. E, como exerce uma pressão no coração, impedindo seu correto funcionamento, é grave.
O que é e como ocorre o tamponamento cardíaco?
O coração se encontra dentro de um espaço chamado pericárdio, envolto pelo saco pericárdico. Esse espaço é completamente fechado. Como o coração é um órgão muscular, ele se estende e se contrai para gerar o batimento cardíaco. E, para não gerar atrito, há uma quantidade pequena de líquido dentro do pericárdio.
Se, eventualmente, existir um acúmulo de líquido ao redor do coração – ou seja, no pericárdio – e o saco pericárdico não conseguir mais se expandir, o órgão começa a ser comprimido. Consequentemente, deixa de bater da forma ideal. Isso é o que ocorre no tamponamento cardíaco.
Sempre que há aumento de líquido, o tamponamento cardíaco acontece?
O derrame pericárdico ocorre quando há acúmulo de líquido em volta do coração. Se a quantidade de líquido for pequena, ou a doença for de lenta evolução – ou seja, nos casos em que o pericárdio consiga se adaptar e expandir –, o derrame pode ocorrer sem compressão importante do coração.
Entretanto, mesmo com um acúmulo de líquido ainda pequeno, é imprescindível identificar a causa do derrame. Dessa forma, é possível evitar o tamponamento cardíaco – quando a contratilidade do coração começa a ser afetada.
São causas comuns de derrame pericárdico:
As viroses (causa mais comum de derrame pericárdico de curso benigno);
Tuberculose;
Tumores com metástase no pericárdio.
Quando é preciso ter mais atenção?
Geralmente, a presença de alguns sintomas alerta para a necessidade de uma intervenção médica. Eles indicam um acúmulo de líquido mais grave, que pode comprimir o coração:
Assim, é preciso prestar atenção nos seguintes sintomas,
Fraqueza;
Angústia;
Sensação de aperto no peito.
Quando os sintomas que indicam gravidade estão presentes, o quadro pode evoluir para falência cardíaca em horas. Por isso, o médico deve agir rapidamente para fazer o diagnóstico e a intervenção.
Diagnóstico e tratamento
A identificação de um derrame pericárdico e da quantidade de líquido acumulada pode ser feita através do ecocardiograma. Este é um exame não invasivo do coração. Através dele, o médico visualiza se o órgão está conseguindo se expandir corretamente.
Se o ecocardiograma mostrar uma grande quantidade de líquido no pericárdio, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica. No entanto, a cirurgia costuma ser relativamente simples. Normalmente, é feita uma incisão de até 5 centímetros no tórax, abaixo do osso esterno. Através dela, é possível drenar o líquido acumulado. Em geral, o paciente fica 24 horas com um dreno e o tamponamento cardíaco é revertido. Ainda assim, é necessário investigar qual foi a causa do derrame pericárdico, para também tratá-la corretamente.
É importante destacar que nem todo derrame pericárdico leva ao tamponamento cardíaco e que nem todo derrame pericárdico precisa ser drenado. Inclusive, muitos pacientes convivem com essa condição cronicamente. Porém, é fundamental um acompanhamento médico de qualidade, que investigue e controle a doença de base, prevenindo complicações.
Geralmente, diante da necessidade de se operar o coração, os pacientes passam por uma diversidade de sentimentos. Tanto a ansiedade quanto o medo costumam estar presentes. Além disso, o receio de como será a vida depois da cirurgia cardíaca.
Essa reação comum está muito relacionada ao fato de que a cirurgia representa um risco com hora marcada. Porém, é importante ressaltar que, com a doença, o risco pode ser diário e, até mesmo, maior.
É importante esclarecer que a vida do paciente tem limitações antes do procedimento, impostas por seu problema cardíaco. Assim, um dos objetivos da cirurgia é reduzir essas limitações. Dessa forma, geralmente, a vida depois de se operar o coração não é limitada pelo procedimento em si, mas pela própria doença que levou a pessoa a passar pela cirurgia.
Após a cirurgia, como ficam os sintomas e o risco?
No paciente que tem doença de válvula cardíaca, uma das queixas mais comuns é a falta de ar. O desconforto pode surgir ao realizar atividades muito básicas, como subir um lance de escadas ou varrer a casa. Atividades diárias que antes não causavam cansaço, passam a ficar difíceis. Essa é uma limitação de vida muito grande que, com a correção cirúrgica, na maioria dos casos, desaparece por completo.
No paciente que possui doença coronariana e risco de infarto, a indicação cirúrgica ocorre quando as lesões no coração representam risco elevado de complicações ou, até mesmo, morte. Na maioria dos casos, o tratamento cirúrgico alivia por completo os sintomas e diminui substancialmente o risco.
Restrições depois da cirurgia cardíaca
É comum o medo de restrições na vida depois da cirurgia cardíaca. Com ele, surgem muitas dúvidas e questionamentos sobre a lista de proibições.
Esta lista com certeza possui um item: não fumar. Não fumar é essencial para a manutenção do tratamento do paciente, e isso não está relacionado com o procedimento cirúrgico em si somente, mas sim com a doença que levou o paciente a ser operado. Evidentemente, podem haver outras restrições. No entanto, elas são particularizadas caso a caso.
As recomendações do pós-operatório de cirurgia cardíaca são essenciais para uma vida mais saudável. Quando o paciente tem alguma doença, existem recomendações específicas acerca da sua condição de saúde. Assim, é recomendado controlar os fatores de risco para evitar uma nova cirurgia no futuro.
Alguns exemplos:
O paciente hipertenso deve controlar a ingestão de sal;
Diabéticos não devem abusar do açúcar na dieta;
Os obesos devem ter mais atenção à alimentação e à prática de atividades físicas.
A prevenção é igual para todos
Se o paciente operado não possui nenhum dos fatores de risco, as recomendações para ele no pós-operatório são as mesmas daqueles que nunca operaram o coração, ou seja, hábitos saudáveis de vida. O que varia é aquilo que na medicina chamamos de nível de prevenção.
Prevenção Primária: hábitos saudáveis aplicados por uma pessoa que não tem a doença, mas deseja se prevenir. É o caso de pessoas que nunca passaram por uma cirurgia cardíaca;
Prevenção Secundária: quando a implementação desses mesmos hábitos objetiva prevenir que a doença evolua. É o caso do paciente que tem uma doença cardíaca e passou por um procedimento cirúrgico.
Assim, os hábitos são os mesmos, seja para a pessoa que está se prevenindo do aparecimento da doença, ou para a que se previne da evolução do seu problema de saúde. As recomendações preventivas são iguais, tendo o paciente realizado uma cirurgia cardiovascular ou não.
O objetivo é a qualidade de vida
A cirurgia não impõe uma restrição à vida do paciente. É um tratamento que visa melhorar o bem-estar, a saúde e a longevidade.
Alguns hábitos, como atividades físicas, devem ser retomados gradualmente, com auxílio do cardiologista clínico. No pós operatório imediato, o paciente deve priorizar as orientações recebidas do cirurgião cardiovascular e iniciar os chamados exercícios leves. A caminhada diária de pequenas distâncias é o ideal. Com o tempo, a intensidade do exercício pode ir aumentando, até que se chegue no que era realizado previamente.
No entanto, é fundamental o acompanhamento clínico periódico pelo paciente depois da cirurgia cardíaca. Essa graduação dos hábitos de vida, até que se alcance uma vida absolutamente normal, varia de acordo com cada paciente, corpo e coração, e, portanto, requer acompanhamento de um cardiologista.
Como visto, a vida depois da cirurgia cardíaca pode ser retomada sem grandes mudanças. A qualidade de vida dependerá muito mais da doença que levou o paciente a operar o coração, do que do procedimento em si. Portanto, o acompanhamento com seu cardiologista clínico depois da cirurgia cardíaca é essencial.
A cirurgia de coronária foi criada no final dos anos 60, e nessa época, apenas se fazia revascularização do miocárdio utilizando as veias safenas. Por esse motivo, é muito comum o questionamento dos pacientes sobre a validade da ponte de safena.
É importante saber que a cirurgia de revascularização do miocárdio, popularmente conhecida como ponte de safena, é o procedimento mais estudado da medicina. Com mais de 50 anos de existência, vem cada vez mais se consolidando, por sustentação dos estudos, como o melhor tratamento para doença coronariana que requer intervenção. A seguir, explicaremos mais sobre a validade desse tratamento a longo prazo.
Revascularização do Miocárdio: safena e outros enxertos
Apesar de amplamente conhecida como cirurgia de ponte de safena, a revascularização do miocárdio pode ser realizada utilizando-se outros enxertos. Entre eles, principalmente as artérias mamárias, que se localizam no próprio tórax do paciente.
Naturalmente, surgiram comparações em relação à durabilidade e eficácia entre os enxertos venosos e arteriais, e muitos trabalhos demonstram a excelência de ambos na cirurgia de revascularização do miocárdio.
Porém a validade da ponte de safena (ou de outro enxerto utilizado no procedimento cirúrgico) depende de diversos fatores, e não apenas do tipo de enxerto utilizado. Por isso, não é possível estimar a validade de um enxerto somente pelo fato de ser venoso ou arterial.
Influência do vaso utilizado na validade da ponte
Após alguns estudos sobre longevidade dos enxertos nos anos 70, acreditou-se que a mamária era muito superior e tinha maior validade do que a veia safena na cirurgia de revascularização do miocárdio. Assim, outras artérias logo passaram a serem utilizadas na cirurgia, como as artérias radiais, localizadas nos braços.
Em 2017, porém, houve um consenso sobre quais seriam os enxertos ideais para revascularizar o coração: os cirurgiões devem dar preferência à utilização de pelo menos dois enxertos arteriais para os territórios principais do coração, podendo se utilizar com segurança os enxertos venosos para as demais áreas.
A técnica influencia na validade da ponte de safena?
Mais recentemente, notou-se que o método de retirada da veia safena também influencia na sua longevidade. Atualmente, diversos serviços de cirurgia cardíaca utilizam a técnica “No-Touch”. Nela, a veia é retirada com parte do tecido gorduroso que a envolve, buscando o mínimo de manipulação do vaso. Isso tem demonstrado grande aumento da longevidade e durabilidade da ponte de safena.
Na equipe Seu Cardio, utilizamos amplamente a técnica No-Touch, com resultados consistentes e semelhantes ao da literatura médica. Isso resgata a importância dos enxertos venosos como estratégia segura em associação aos enxertos arteriais.
Hábitos de vida que fazem a diferença
A validade de uma revascularização do miocárdio, seja com uso de artéria mamária, radial ou veia safena, está diretamente relacionada aos hábitos do paciente. Afinal, a doença ateromatosa, que é o fator desencadeante da necessidade de uma cirurgia de “ponte de safena”, precisa de tratamento a longo prazo.
Entre os hábitos que devem ser adotados com o objetivo de promover maior longevidade dos enxertos utilizados na cirurgia, estão:
· Estilo de vida mais saudável;
· Manutenção dos níveis de colesterol dentro do valor recomendado;
· Parar de fumar (para os pacientes que fumavam antes da cirurgia).
A importância de seguir as orientações médicas
Além da evolução da técnica cirúrgica no tratamento das doenças do coração, houve também muita evolução no tratamento clínico. Tais avanços contribuem para diminuir a evolução da doença coronariana que levou o paciente à cirurgia.
A cirurgia de revascularização do miocárdio trata uma lesão específica, ou seja, faz um novo caminho para a passagem do sangue, desviando daquele que foi obstruído. Porém, não trata a doença básica que levou àquela obstrução. Então, a participação do paciente no tratamento clínico, de manutenção, para que a doença não evolua, é o ponto mais importante. E essa atitude vai fazer a diferença sobre a validade da ponte de safena (durabilidade do enxerto).
O tratamento clínico, que inclui mudanças no estilo de vida, como prática de exercício físico leve a moderado, também pode resultar no desenvolvimento de circulação colateral no coração (o próprio coração se revasculariza, desenvolvendo novos vasos). Então, mesmo com um adoecimento de um enxerto venoso ou arterial a longo prazo, se o coração tiver desenvolvido circulação própria durante os anos que o enxerto protegeu o órgão, ele não irá sofrer. A circulação passou a irrigar a região que o enxerto irrigaria, e sua presença pode não ser mais necessária.
Como vimos, diversos fatores impactam na validade da ponte de safena (ou de outro enxerto). Por isso, o acompanhamento periódico com o cardiologista clínico e a adoção de suas orientações são importantíssimos para a longevidade dos enxertos, tanto arteriais quanto venosos.