Cirurgia Cardíaca Minimamente Invasiva

Cirurgia Cardíaca Minimamente Invasiva

A cirurgia cardíaca minimamente invasiva para troca de válvula aórtica vem se consolidando como uma das alternativas terapêuticas para pacientes que necessitam dessa troca de forma isolada. Consiste em uma incisão de apenas seis centímetros. Com abertura parcial do osso esterno, através da qual se consegue realizar a troca da válvula aórtica com a mesma segurança da cirurgia aberta – que tem cerca de 25 centímetros. A técnica não requer o uso de câmera ou outro material específico.

Com a mesma duração das cirurgias abertas – de 2 horas e meia a 3 horas, a cirurgia cardíaca minimamente invasiva é menos agressiva ao paciente. A menor incisão do esterno proporciona menos dor no pós-operatório e diminui o índice de transfusão do paciente. Ou seja, existe uma menor agressão cirúrgica.

Cirurgia Cardíaca Minimamente Invasiva –  Aplicação

A cirurgia cardíaca minimamente invasiva vem se estabelecendo como uma rotina no serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital SOS Cárdio, nos casos de troca isolada da válvula aórtica. Nos casos de cirurgias combinadas, com troca de válvula aórtica e mitral, ou troca de de válvula aórtica com revascularização (ponte de safena), é feita a cirurgia convencional.

É preciso salientar ainda que, em alguns casos, pode haver a necessidade de uma incisão maior, mesmo tendo sido programada uma cirurgia minimamente invasiva. Em geral, a mudança é decorrente de questões anatômicas do paciente, pelo posicionamento da aorta ou mesmo da válvula.

Benefícios da Cirurgia Minimamente Invasiva

O que temos visto em nossa experiência com a cirurgia cardíaca minimamente invasiva é uma menor incidência de dor no pós-operatório. Além disso, há menor uso de transfusão sanguínea e, ainda, menor tempo de internação hospitalar.

Na cirurgia minimamente invasiva, o paciente se recupera mais rápido. O impacto psicológico também é menor, se comparado à cirurgia convencional. Além disso, do ponto de vista estético, é muito melhor para o paciente, pois a cicatriz é pequena.  

Mini-incisão e Prótese Valvar de Rápido Implante

Uma prática que temos adotado e que tem diminuído ainda mais o tempo de circulação extracorpórea e a agressividade da cirurgia é a associação da mini-incisão com a válvula de rápido delivery. Essa prótese valvar, com a qual temos tido uma importante experiência, tem apresentado ótimos resultados. Trata-se de um recurso direcionado a pacientes mais graves, que precisam de um tempo menor de circulação extracorpórea e de coração parado. A combinação da prótese de rápido implante com a mini-incisão é mais uma alternativa, muito promissora, no tratamento das doenças da válvula aórtica.

Sobre o autor:

Este artigo foi escrito com base em entrevista com o Dr. Sergio Lima de Almeida (CRM 4370 / RQE 5893), cirurgião cardiovascular em Florianópolis/SC. Dr. Sergio é Chefe do Serviço de Cirurgia Cardíaca do Hospital SOS Cárdio e da Equipe Seu Cardio. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Estado de Santa Catarina – UFSC e com residência na Beneficência Portuguesa, na equipe do Dr. Sergio Oliveira, aperfeiçoou-se em plastia de válvulas na Cleveland Clinic, acompanhando Dr. Delos Cosgrove, e em cirurgia de cardiopatia congênita complexa, no Children Hospital – Harvard Medical School, acompanhando Dr. Aldo Castañeda. Foi também cirurgião cardiovascular do Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis/SC, por 10 anos. Realiza diariamente procedimentos como: cirurgias de revascularização do miocárdio, cirurgia de válvulas e da aorta, além de implantes de marcapassos cardíacos. Com grande experiência em idosos, vem abordando o tema em congressos nacionais e internacionais.

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12 Dúvidas comuns no pós-operatório de cirurgia cardíaca

12 Dúvidas comuns no pós-operatório de cirurgia cardíaca

Este conteúdo reúne as 12 dúvidas mais comuns de quem está passando pelo pós-operatório de cirurgia cardíaca. Aqui, você encontra diversas respostas, desde temas como dor e inchaço até quando retomar atividades físicas, dirigir e ter relações sexuais. 

Cirurgias cardíacas são eventos importantes na vida de qualquer pessoa. Exigem preparação, cuidados e recursos especializados. No entanto, para obter sucesso, o pós-operatório é fundamental. E é nessa fase que os pacientes costumam apresentar o maior número de dúvidas – especialmente com relação à retomada das atividades básicas do dia a dia.

Para ajudar você a retornar à vida normal de forma tranquila e segura, selecionamos algumas das principais dúvidas dos pacientes no pós-operatório da cirurgia cardíaca. São informações relevantes, que podem lhe orientar nessa fase crucial, mas que não substituem a orientação do seu próprio médico.

1 – Por que sinto dor no meu pós-operatório?

Quando realizadas pela abordagem tradicional, as cirurgias cardíacas costumam ser de grande porte. Devido à incisão da pele, abertura do osso esterno e colocação de drenos, os músculos da região torácica ficam bastante sensíveis, causando dor. 

Quando realizadas por abordagem minimamente invasiva ou cirurgia robótica, a agressão cirúrgica, assim como as incisões, são muito menores. Dessa forma, os pacientes costumam sentir menor dor no pós-operatório e ter uma recuperação mais rápida. 

Porém, é importante saber que a dor é manejável com o uso de medicação. Por isso, é importante que o paciente relate as dores que sente, para que os médicos possam prescrever os medicamentos necessários. Além disso, a fisioterapia respiratória e motora, bem executada, pode auxiliar bastante nessa fase.

2 – Por que minhas pernas ficam inchadas depois da cirurgia?

Após a cirurgia cardíaca, o inchaço (edema) das pernas é comum, principalmente nos pacientes que se submetem à revascularização do miocárdio com a utilização de veia safena. Via de regra, esse inchaço costuma ser provocado pela manipulação de vasos linfáticos durante o procedimento. A própria retirada da veia estabelece ao organismo a necessidade de redirecionar o fluxo sanguíneo que passava por ela para o sistema venoso profundo da perna. Essa adequação leva algum tempo e, por isso, os pacientes tendem a ficar com a perna, da qual foi retirada a safena, um pouco mais inchada. 

Esse edema, quando leve a moderado, não deve se traduzir em uma preocupação, pois é normal e reversível. Por isso, orientamos os pacientes para a movimentação precoce e para que mantenham as pernas elevadas quando estiverem sentados. O uso de meias elásticas também pode ajudar. Caso o inchaço das pernas permaneça por mais de um mês, recomendamos o acompanhamento clínico.

3- Posso dormir de lado após a cirurgia cardíaca?

Quando o paciente passa por uma cirurgia cardíaca com abordagem tradicional, ou seja, com a “abertura do peito” (incisão central no tórax e esternotomia), recomenda-se que durma de barriga para cima por, aproximadamente, 60 dias. Esse é o tempo necessário para que o osso esterno se feche. Dormindo de lado, o paciente corre o risco de sofrer com o que chamamos de cavalgadura do osso, o que pode ocasionar dor e desconforto.

Já na abordagem minimamente invasiva ou na cirurgia cardíaca robótica, as incisões são menores e não há necessidade de abertura do esterno. Assim, recomendamos apenas que os pacientes não durmam sobre o local da cicatriz cirúrgica nos primeiros 10 dias.

4 – Posso fazer as unhas e pintar o cabelo logo após a alta hospitalar?

Em geral, recomendamos aos pacientes que esperem 15 dias após a cirurgia cardíaca para pintar/tonalizar os cabelos e fazer a retirada das cutículas das unhas. 

No entanto, ressaltamos que é fundamental utilizar os seus próprios materiais (alicates, tesouras, lixas, etc) e que eles devem estar devidamente esterilizados. No caso das unhas em gel, além de utilizar o material devidamente esterilizado, é imprescindível que as unhas estejam sem processo inflamatório (infeccioso) ou com fungos. Essas recomendações evitam a ocorrência de infecções no pós-operatório e, por isso, são bem importantes. 

5- Posso usar filtro solar na cicatriz?

Os pacientes devem evitar a exposição ao sol nos primeiros 90 dias após a cirurgia. Se a cicatriz evoluir bem, sem nenhum sinal de infecção na ferida operatória (incisão), é possível usar protetor solar 30 dias após a cirurgia.

6- Quando posso voltar a subir escadas, limpar a casa ou cuidar do jardim?

As primeiras atividades físicas já começam a ser feitas no pós-operatório imediato, ainda na UTI, quando o fisioterapeuta inicia a reabilitação respiratória e motora. Após a alta da UTI, andar/caminhar é muito importante para evitar complicações, como o tromboembolismo e os problemas respiratórios. Esse tipo de atividade também auxilia na recuperação do trânsito intestinal. As caminhadas progressivas são recomendadas e o incremento de tempo é prescrito de forma individualizada.

O retorno às atividades rotineiras depende da abordagem cirúrgica: se foi uma cirurgia convencional (“abertura do peito” e esternotomia), cirurgia minimamente invasiva ou cirurgia robótica. 

Retorno às atividades após cirurgia cardíaca convencional:

O paciente já pode subir escadas no retorno para casa. Porém, atividades que envolvem esforço dos braços e do tronco, demandam mais tempo. Assim, os pacientes podem voltar a limpar a casa e a cuidar do jardim apenas após 40 dias da cirurgia, sempre gradativamente.

Retorno após cirurgia cardíaca minimamente invasiva ou robótica:

As restrições de esforço relacionadas aos braços e tronco existem para proteger a cicatrização do esterno após a esternotomia, que acontece na abordagem convencional. Por isso, esse tipo de restrição não acontece nas cirurgias cardíacas minimamente invasivas e robóticas. Nesses casos, recomendamos o retorno às atividades cerca de 14 dias após o procedimento cirúrgico.

7- Em quanto tempo posso voltar a fazer atividades físicas?

Para os praticantes de esportes que passaram pela abordagem tradicional, em geral, é possível retomar gradativamente a prática esportiva a partir de 60 dias (tempo relacionado à consolidação do osso esterno). 

Na abordagem minimamente invasiva e na cirurgia robótica, por não haver esternotomia, esse retorno tende a ser mais rápido, cerca de 14 dias. 

No entanto, independente da abordagem cirúrgica, é fundamental perguntar ao seu Cardiologista Clínico sobre a recomendação da retomada de atividades físicas específicamente para o seu caso.

8- Constipação após a cirurgia cardíaca é normal?

Sim, essa é uma queixa bastante comum e vários fatores podem levar à constipação intestinal. Em geral, o jejum para a cirurgia, a anestesia e o fato de o paciente ficar um tempo maior deitado no pós-operatório são algumas das causas. 

Para isso, recomenda-se andar/caminhar (já falamos acima), bem como adotar uma dieta rica em fibras e líquidos. Vale salientar que o nutricionista também faz parte da equipe multidisciplinar da cirurgia cardíaca e sua orientação pode lhe auxiliar a diminuir essa condição.

9- A partir de quando posso voltar a ter relações sexuais?

Geralmente, após uma cirurgia cardíaca com abertura do esterno, os pacientes que conseguem subir pelo menos 2 lances de escadas, sem dificuldade, já possuem condições de retomar a atividade sexual de forma leve a moderada. O ideal é que o paciente adote uma postura mais passiva e evite movimentos bruscos e excessivos com os braços e com o tórax. Em média, são necessárias de 45 a 60 dias para voltar a ter relações sexuais sem restrição de movimentos. Esse prazo está ligado ao tempo necessário à cicatrização do esterno.  

Na abordagem minimamente invasiva e na cirurgia cardíaca robótica, esse retorno tende a ser mais precoce, cerca de 14 dias. 

Pacientes que fazem reabilitação física tendem a ser liberados antes, em qualquer abordagem. Saiba mais neste post aqui. 

10- A ponte de safena tem validade?

A validade da “ponte de safena”, seja com uso de artéria mamária, artéria radial ou veia safena, está diretamente relacionada aos hábitos do paciente. Afinal, a necessidade da cirurgia de revascularização do miocárdio é gerada pela doença coronariana, que precisa de tratamento a longo prazo. 

Assim, a adoção de hábitos saudáveis pode aumentar a longevidade das pontes. Entre eles, o controle adequado dos níveis de colesterol, de glicemia (principalmente nos pacientes diabéticos) e parar de fumar (para os pacientes que fumavam antes da cirurgia). Saiba mais neste post.

11- Depois de quantos dias da cirurgia cardíaca posso voltar a dirigir?

Nas cirurgias cardiovasculares com incisão no osso da região central do tórax, movimentos bruscos podem causar uma dor importante. Por reflexo, uma dor forte pode fazer o paciente largar as mãos do volante e bater o carro. Além disso, os reflexos podem estar prejudicados pela medicação, representando um risco também. 

Assim, recomenda-se voltar a dirigir apenas 60 dias após a cirurgia cardíaca tradicional. Já nas abordagens minimamente invasivas e na cirurgia robótica, o retorno pode acontecer em cerca de 14 dias.

12- Depois da cirurgia cardíaca posso voltar a beber vinho, cerveja e/ou destilados?

Normalmente, recomenda-se que a ingestão de bebidas alcoólicas não seja realizada nos primeiros 15 dias após a alta hospitalar. Após este período, é recomendado que o paciente converse com seu Cardiologista Clínico, que irá orientar sobre frequência e quantidade de bebidas alcoólicas que o paciente poderá ingerir, sem causar impacto nas medicações que está usando.

Para saber mais sobre o pós-operatório da cirurgia cardíaca, acesse a cartilha gratuita aqui.

Perguntas Frequentes (FAQ)


Quanto tempo dura a recuperação total da cirurgia cardíaca?

Depende do tipo de abordagem cirúrgica. Se for uma cirurgia cardíaca convencional, ou seja, com abertura do osso esterno, a recuperação inicial leva cerca de 30 dias e, a cicatrização óssea, aproximadamente 60 dias – quando, geralmente, é possível retomar à prática de atividades físicas. Já na abordagem minimamente invasiva e na cirurgia cardíaca robótica, como não há abertura do esterno, a recuperação completa geralmente leva 14 a 21 dias.


Quais sinais no pós-operatório precisam de atenção médica imediata?

Febre, secreção na ferida, dor torácica intensa, falta de ar importante ou instabilidade do osso esterno devem ser avaliados sem demora.

 

Sobre o autor: 

Dr. Sergio Lima de Almeida (CRM-SC 4370 / RQE 5893), médico, cirurgião cardiovascular, chefe da Equipe Seu Cardio e do Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital SOS Cárdio, em Florianópolis/SC.

 

Cirurgia Cardíaca em Idosos: agregando vida aos anos

Cirurgia Cardíaca em Idosos: agregando vida aos anos

*Post atualizado em abril/2021

A cirurgia cardíaca em idosos é cada vez mais comum. Afinal, as pessoas estão vivendo mais e a população de pacientes idosos aumenta no mundo todo. Com o avanço da idade, há também o avanço da Medicina para o tratamento de diversos problemas vivenciados na terceira idade.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicados em 202 revelam que a expectativa de vida do brasileiro é, em média, de 76,6 anoa. Em 2019, a esperança de vida da mulher chegou a 80,1 anos e do homem 73,1 anos. 

Mas, a idade é por si só um fator de risco para a cirurgia cardíaca? O idoso é um ser muito frágil para ser operado?

Idade é diferente de fragilidade

Em primeiro lugar, precisamos diferenciar idade de fragilidade. A idade passa a ser um fator de risco quando traz uma série de doenças associadas. Mas vamos imaginar um idoso que chega aos 80 anos com uma doença de coronária, que é a obstrução  (“entupimento”) das artérias do coração. Ele tem uma atividade cerebral e uma vida absolutamente normais. No entanto, não consegue mais fazer sua caminhada habitual porque tem dor no peito. Está limitado nas suas atividades físicas, porque cansa. Esse idoso tem uma doença no coração. Ponto. Só isso. Tratada a doença, ele volta a ter uma vida normal novamente. 

Apesar da enorme colaboração que a cirurgia cardíaca em idosos pode trazer à qualidade de vida dos pacientes, são bastante comuns os questionamentos. “Ele já tem 84 anos, o que a cirurgia vai acrescentar de sobrevida para ele?” A questão não é se ele vai viver até os 90 ou 95 anos, mas como esse idoso vai viver. E isso, a cirurgia pode devolver: a qualidade de vida que ele perdeu diante da doença cardíaca que adquiriu. Além disso, em muitos casos, aumenta sim a sobrevida, mesmo nesta faixa etária mais avançada.

Com os avanços tecnológicos da medicina aliados ao maior acesso à informação, os idosos passaram a ter uma melhor qualidade de vida. Assim, são mais ativos, independentes e biologicamente mais fortes. Tratamentos mais eficazes, busca pela boa alimentação e hábitos saudáveis são fatores que contribuem para que os idosos tenham uma sobrevida satisfatória após uma cirurgia cardíaca.

A Cirurgia Cardíaca em Idosos com Boa Saúde  

Um estudo publicado pela Journal of the American Geriatrics Society, divulgado pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, o fator idade não é mais justificativa para não serem realizados procedimentos médicos em indivíduos acima de 80 anos.

A cirurgia cardíaca em idosos em situação semelhante ao exemplo acima tem resultados excelentes. Inclusive, surpreendentemente melhores do que em pessoas de meia idade que já acumulam várias doenças. Isso porque o idoso que chegou aos 80 anos com apenas uma doença no coração mostrou que é um ser biologicamente mais forte. Passou por várias etapas da vida, nas quais outras doenças incidem. No entanto, chegou à idade mais avançada apresentando uma única doença. Então, a cirurgia cardíaca em idosos desse tipo tem baixa taxa de mortalidade. O idoso volta às suas atividades e a família se surpreende com sua resistência, que na verdade já poderia ser observada pela vida que ele leva.

Com o aumento da população de pacientes idosos, a incidência das doenças degenerativas das válvulas cardíacas, comuns nessa faixa etária, também cresce. Para o paciente idoso que tem um problema isolado em uma valva cardíaca, por exemplo, a abordagem cirúrgica precoce impede que a doença valvar comprometa a contratilidade do coração, proporcionando um risco baixo e a devolução de uma qualidade e expectativa de vida normais. Assim, a cirurgia cardíaca em idosos vem ao encontro desse objetivo, devolvendo vida aos anos do paciente. 

Cirurgia Cardíaca em Idosos com Doenças Associadas

A indicação de cirurgia cardíaca em idosos que possuem alguma doença associada, que estejam acamados ou que pouco se comuniquem, por exemplo, deve ser avaliada entre médicos, paciente e seus familiares. É fundamental que se tenha em mente o quanto esse paciente irá ou não se beneficiar do procedimento. Em outras palavras, é necessário avaliar seus riscos e benefícios. Para isso, contar com a assistência de bons profissionais nas áreas de Cardiologia Clínica e de Cirurgia Cardíaca é fundamental para apresentar e avaliar claramente o melhor para cada caso.

É comum, em idosos, a descoberta de um problema cardíaco durante a realização de exames para outras doenças, como câncer, por exemplo. Nestes casos, em geral, é indicada a realização da cirurgia do coração primeiro. A medida visa diminuir os riscos no tratamento da outra doença (tumores, transplantes, etc). O coração é sempre colocado em primeiro lugar, pelo risco que ele representa para os outros tratamentos. Uma vez protegido o coração, o tratamento de doenças associadas tende a obter melhores resultados.

Caso tenha dúvidas sobre a relação risco x benefício da cirurgia cardíaca em idosos, converse com o médico que acompanha o caso. Informe-se também com o cirurgião cardiovascular. Em conjunto e com uma avaliação criteriosa, será definida a melhor conduta.

Para saber quais são as principais orientações sobre cirurgias cardíacas, faça o download da cartilha gratuita sobre Pré e Pós-Operatório da Cirurgia Cardíaca:

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Pré e Pós-operatório de Cirurgia Cardíaca: orientações aos pacientes

Pré e Pós-operatório de Cirurgia Cardíaca: orientações aos pacientes

Em nossa vivência, acompanhamos a ansiedade e a angústia que a maioria dos pacientes sente diante da indicação de um cirurgia cardíaca. Não apenas os pacientes, mas também seus familiares. Pensando nisso, elaboramos uma cartilha de orientações sobre pré e pós-operatório de cirurgia cardíaca. Nela, compilamos todas as informações necessárias para enfrentar uma cirurgia cardíaca com maior tranquilidade e segurança.

Cartilha Pré e Pós-operatório de Cirurgia Cardíaca

Esse material fornece informações sobre todas as etapas relacionadas à cirurgia cardíaca, em formato pronto para impressão. Você encontrará orientações sobre:

  • O que é importante fazer antes da Internação hospitalar
  • O que irá acontecer no dia da Internação 
  • Como será o dia da cirurgia cardíaca
  • O que acontece no período pós-operatório na UTI
  • O que esperar na volta para o quarto do hospital
  • Orientações e cuidados no retorno para casa, após a alta hospitalar
  • Respostas às perguntas frequentes de pacientes e familiares
  • Espaço para anotações de dúvidas e registro das consultas

Para fazer o download gratuito da cartilha de orientações para pacientes e familiares, clique no botão abaixo:

CTA Download Seu Cardio ebook doenças valvares mitral e aórtica

Essa cartilha de orientações sobre o pré e pós-operatório de cirurgia cardíaca contempla informações que independem do tipo de cirurgia cardíaca a ser realizada: revascularização do miocárdio, cirurgias de implante ou troca de válvula, cirurgias da aorta e cirurgias de correção de cardiopatias congênitas. Caso haja alguma peculiaridade relativa à uma técnica específica, estará ressaltada no texto.

A cirurgia cardíaca é sempre um momento delicado e que mexe com as nossas emoções. Isso é normal e procuramos oferecer suporte aos nossos pacientes e à comunidade em geral, para que encontre respostas às suas ansiedades e dúvidas. Afinal, estamos lidando com o coração, um órgão diretamente relacionado à nossa vida e nossos sentimentos.

Esperamos que você aproveite o material. Ele foi elaborado pelos cirurgiões cardiovasculares da Equipe Seu Cardio. Caso ainda tenha alguma dúvida, não hesite em entrar em contato conosco! Teremos grande satisfação em ajudar você!

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*Conteúdo publicado em agosto/2016 e atualizado em fevereiro/2020.

Síndrome de Marfan: o que é, causas e tratamentos

Síndrome de Marfan: o que é, causas e tratamentos

A Síndrome de Marfan é uma doença hereditária rara do tecido conjuntivo. Ela atinge uma em cada 3 a 5 mil indivíduos. Os dados são da Associação Marfan Brasil, fundação criada para conscientização e estudos sobre a doença. No Brasil, estima-se cerca de 150 mil casos por ano. 

O coração, os olhos, os ossos e os vasos sanguíneos são os órgãos que podem ser acometidos pela síndrome. Também pode ocorrer envolvimento dos pulmões, pele e sistema nervoso central. Uma característica comum entre os portadores da doença é que todos são altos, magros, com braços, pernas e dedos dos pés e das mãos longos. 

O tecido conjuntivo é uma estrutura resistente e normalmente fibrosa, que une as estruturas e oferece sustentação e elasticidade ao corpo. Na Síndrome de Marfan, ocorre uma mutação na fibrilina, proteína que auxilia o tecido conjuntivo a manter a sua força. Origina-se, assim, o enfraquecimento do tecido conjuntivo. 

É comum que as pessoas com Síndrome de Marfan só venham a apresentar sintomas na vida adulta. Muitas delas, nunca percebem os sintomas, que podem variar de leves a graves. 

Problemas Cardiovasculares da Síndrome de Marfan 

 

A dilatação da raiz da aorta (início da aorta), levando à formação de aneurisma, dissecção e insuficiência da valva aórtica, é a principal causa de morbidade e mortalidade nesta síndrome. 

“Uma complicação muito grave é a dissecção aórtica. Se não for tratada de forma adequada, pode levar à morte em poucas horas.” – esclarece o cardiologista Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874).

Aproximadamente 60-80% dos adultos com Síndrome de Marfan apresentam dilatação da raiz da aorta. 

Além disso, pode ocorrer também uma insuficiência da valva aórtica, que fica localizada na saída do coração. Ela se abre para o sangue sair do coração e se fecha para evitar que o sangue retorne. Com a aorta dilatada, o anel da válvula aórtica também se dilata. Assim,a válvula não consegue se fechar adequadamente. Isso pode levar a um refluxo de sangue da aorta para dentro do coração. 

“O tipo de tratamento depende da gravidade do problema que o portador da Síndrome de Marfan apresenta. Em geral, se o paciente tem uma dilatação da aorta que ainda não atingiu um limite importante, segue apenas acompanhando com seu cardiologista. Quando o aneurisma já passou de um determinado tamanho, precisa ser corrigido, porque o risco de romper é maior. Ou, se tem uma insuficiência da válvula aórtica e está voltando sangue em grande quantidade para o coração, também é necessária uma intervenção para a correção do problema.” – Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874), cardiologista. 

Olhos, Pulmões e Ossos 

 

A Síndrome de Marfan também provoca uma alteração no cristalino do globo ocular. O deslocamento do cristalino causa uma miopia muito forte. Além disso, a retina também pode se deslocar. Essas duas situações, quando associadas, podem causar a perda da visão. 

Nos pulmões, pode surgir o aparecimento de cistos. Essas estruturas podem se romper e encher de ar os espaços em volta do pulmão, causando dor e falta de ar. 

No entanto, as alterações musculoesqueléticas da Síndrome de Marfan são as mais visíveis. São pessoas muito altas e magras, com os braços, pernas e dedos das mãos e dos pés longos. O esterno, osso do tórax, geralmente afunda ou se sobressai. Como as articulações são muito flexíveis, pode ocorrer uma curvatura na coluna vertebral (cifoescoliose), bem como o surgimento de hérnias. 

Convivendo com a Síndrome de Marfan 

 

A Síndrome de Marfan não tem cura, pois não existe ainda uma maneira de reparar as anomalias do tecido conjuntivo. Dessa forma, o principal objetivo do tratamento das doenças decorrentes da síndrome é prevenir e tratar o surgimento de complicações mais graves. Entre elas, estão os problemas cardiovasculares. Por isso, é importante estar atento aos sintomas e procurar ajuda médica. Em alguns pacientes há necessidade de cirurgia para corrigir os problemas que acometem a aorta. 

Informação de qualidade é de grande valia para os portadores da Síndrome de Marfan e seus familiares. Por se tratar de uma doença hereditária, buscar aconselhamento genético pode ajudar a esclarecer sobre sintomas, complicações e tratamentos. É importante avaliar se os demais parentes de primeiro grau são portadores desta síndrome para avaliar possíveis alterações que possam trazer complicações futuras. 

É muito importante manter a pressão arterial dentro de níveis da normalidade para tentar prevenir uma maior dilatação da aorta. Quanto às atividades físicas, é importante o aconselhamento médico para avaliar o tipo e intensidade indicados. 

Para as mulheres portadoras da Síndrome de Marfan que desejam engravidar, em algumas ocasiões, a cirurgia para correção dos problemas que envolvem a aorta é necessária. A medida visa evitar futuras complicações que podem ocorrer durante o período gestacional.

 

*Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874) é Cardiologista Clínico e Professor de Cardiologia da UNISUL. Com mais de 30 anos de atuação em Cardiologia, atua nas clínicas Hemocordis e Prevencordis e no Hospital SOS Cárdio, todos em Florianópolis/SC.

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Dissecção de Aorta: tem como prevenir?

Dissecção de Aorta: tem como prevenir?

Doença normalmente de caráter agudo, a dissecção de aorta surge quando há a delaminação das camadas da parede da aorta. Acontece, basicamente, porque o sangue perfura essa artéria, porém, não totalmente, e entra na parede da aorta, criando duas camadas, ou seja, dissecando-a.

Essa dissecção pode começar em qualquer setor da aorta. Dependendo de onde ocorre, é considerada de maior ou menor gravidade e possui mais ou menos chance de romper.

Para entender quão grave pode ser a dissecção de aorta, é importante compreender a divisão dessa artéria em segmentos. 

Segmentos da Aorta

 

O segmento ascendente refere-se à primeira porção da aorta. Vai desde a válvula aórtica até a região em que aparece o primeiro vaso em direção à cabeça.

Depois, há a região do arco aórtico. Dela, saem os três troncos responsáveis pela irrigação sanguínea dos braços e da cabeça.

O segmento da aorta descendente é aquele que se localiza dentro do tórax. Tem início depois do arco aórtico e segue até a região do diafragma. Desse segmento saem vários vasos responsáveis por levar o sangue para a coluna, parte do pulmão e esôfago.

Por último, há o segmento da aorta abdominal. Ele se inicia abaixo do diafragma e segue até a região próxima do umbigo, onde se divide em dois ramos. Esses ramos são as artérias ilíacas, responsáveis por conduzir o sangue para as pernas. 

Na região do diafragma até o umbigo, também estão todos os ramos de vasos sanguíneos que levam o sangue para os órgãos abdominais e pélvicos, como fígado, estômago, pâncreas e rim.

O que causa a dissecção de aorta?

 

A dissecção de aorta pode ocorrer em qualquer um dos segmentos da artéria relacionados acima e pode progredir tanto na direção normal do fluxo sanguíneo quanto no contrafluxo.

Uma dissecção de arco aórtico pode, por exemplo, migrar para a aorta descendente ou retroceder para a aorta ascendente. 

Dentre as principais causas da dissecção da aorta está a aterosclerose, uma doença que afeta a parede dos vasos sanguíneos e cria a condição necessária para o surgimento da dissecção. Mas, o que desencadeia a delaminação, na maior parte dos casos, é uma crise hipertensiva.

“Quando a dissecção de aorta ocorre, existe a possibilidade de a aorta se romper, causando morte súbita. O que precede esse quadro é a sensação de uma forte dor, que simula um infarto, em função da dor normalmente ser no peito. Essa dor pode se expandir para as costas e os braços.” – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular em Florianópolis/SC (CRM 4370 / RQE 5893)

Nos pacientes em que não há ruptura da artéria, a dissecção pode se deslocar para a aorta ascendente. E comprometer o arco aórtico ou pode se dirigir para a aorta descendente e ilíacas, até o pé.

Dissecção de Aorta

Existe tratamento para dissecção de aorta?

 

Em pacientes com diagnóstico de dissecção de aorta, o tratamento pode ser cirúrgico. Nesses casos, o objetivo da cirurgia não é substituir toda a artéria, e sim corrigir o ponto de entrada do sangue na parede da aorta. 

“A partir do momento em que se faz essa correção, a dissecção não progride para uma ruptura, pois com a cirurgia não há mais pressão sendo exercida na região dissecada.” – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular em Florianópolis/SC (CRM 4370 / RQE 5893)

A cirurgia restabelece o ponto danificado da aorta e, com isso, direciona todo o fluxo para o que se chama de luz verdadeira. Ou seja, a parte interna do tubo sanguíneo, chamado de luz do vaso.

A dissecção de aorta cria uma luz falsa, por onde o sangue também passa a circular. Muitas vezes, essa luz falsa é maior que a luz verdadeira. Com a intervenção cirúrgica, todo o fluxo de sangue retorna para a luz verdadeira.

Diferentes Abordagens no Tratamento

 

Quando a dissecção de aorta envolve o arco aórtico, uma das possíveis complicações é a progressão da dissecção para os vasos intracranianos. Isso pode causar um quadro de isquemia cerebral aguda.

“Normalmente, nas dissecções que envolvem a aorta ascendente e o arco aórtico, é necessária a realização de uma cirurgia cardíaca. A intervenção é, geralmente, de emergência. Não se espera o paciente evoluir, pois a chance de ruptura é grande, que pode levar a óbito ou causar uma lesão cerebral irreversível”. – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular em Florianópolis/SC (CRM 4370 / RQE 5893)

Tratamento Cirúrgico ou Clínico

 

Nos casos de dissecção de aorta no segmento descendente, o tratamento pode ser  clínico, para controle do caso. O tratamento cirúrgico é resguardado para quando a dissecção causa um aneurisma ou derrame pleural hemorrágico, por exemplo, condições que podem preceder uma ruptura iminente. Mesmo nessas situações, é possível tratar a dissecção da aorta com um procedimento percutâneo, ou seja, sem necessidade de uma cirurgia cardíaca aberta. Assim, pode-se utilizar uma endoprótese percutânea e realizar o tratamento cirúrgico por esta via, sem necessidade de abertura do tórax.

Há casos em que a dissecção de aorta ascendente pode sofrer uma complicação grave, que é a  insuficiência da válvula aórtica aguda. Essas situações são mais graves, em função da falência aguda do coração. 

Muitas vezes, quando a dissecção compromete o arco aórtico, é necessário substituir as artérias que levam o sangue para o cérebro e para os braços. Essa abordagem é aplicada para conter o risco de ruptura dessas estruturas.

O comprometimento significativo da válvula aórtica também exige que ela seja trocada. Porém, esses casos precisam ser bem avaliados, pois, às vezes, uma plastia é suficiente, evitando-se a troca da valva.

Uma forma de evitar a dissecção de aorta é controlar a pressão arterial e a doença ateromatosa. Por isso, cuide da saúde do seu coração e acompanhe regularmente com o seu cardiologista clínico. Se precisar de ajuda, conte conosco!