A cirurgia cardíaca minimamente invasiva para troca de válvula aórtica vem se consolidando como uma das alternativas terapêuticas para pacientes que necessitam dessa troca de forma isolada. Consiste em uma incisão de apenas seis centímetros. Com abertura parcial do osso esterno, através da qual se consegue realizar a troca da válvula aórtica com a mesma segurança da cirurgia aberta – que tem cerca de 25 centímetros. A técnica não requer o uso de câmera ou outro material específico.
Com a mesma duração das cirurgias abertas – de 2 horas e meia a 3 horas, a cirurgia cardíaca minimamente invasiva é menos agressiva ao paciente. A menor incisão do esterno proporciona menos dor no pós-operatório e diminui o índice de transfusão do paciente. Ou seja, existe uma menor agressão cirúrgica.
A cirurgia cardíaca minimamente invasiva vem se estabelecendo como uma rotina no serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital SOS Cárdio, nos casos de troca isolada da válvula aórtica. Nos casos de cirurgias combinadas, com troca de válvula aórtica e mitral, ou troca de de válvula aórtica com revascularização (ponte de safena), é feita a cirurgia convencional.
É preciso salientar ainda que, em alguns casos, pode haver a necessidade de uma incisão maior, mesmo tendo sido programada uma cirurgia minimamente invasiva. Em geral, a mudança é decorrente de questões anatômicas do paciente, pelo posicionamento da aorta ou mesmo da válvula.
Benefícios da Cirurgia Minimamente Invasiva
O que temos visto em nossa experiência com a cirurgia cardíaca minimamente invasiva é uma menor incidência de dor no pós-operatório. Além disso, há menor uso de transfusão sanguínea e, ainda, menor tempo de internação hospitalar.
Na cirurgia minimamente invasiva, o paciente se recupera mais rápido. O impacto psicológico também é menor, se comparado à cirurgia convencional. Além disso, do ponto de vista estético, é muito melhor para o paciente, pois a cicatriz é pequena.
Mini-incisão e Prótese Valvar de Rápido Implante
Uma prática que temos adotado e que tem diminuído ainda mais o tempo de circulação extracorpórea e a agressividade da cirurgia é a associação da mini-incisão com a válvula de rápido delivery. Essa prótese valvar, com a qual temos tido uma importante experiência, tem apresentado ótimos resultados. Trata-se de um recurso direcionado a pacientes mais graves, que precisam de um tempo menor de circulação extracorpórea e de coração parado. A combinação da prótese de rápido implante com a mini-incisão é mais uma alternativa, muito promissora, no tratamento das doenças da válvula aórtica.
Sobre o autor:
Este artigo foi escrito com base em entrevista com o Dr. Sergio Lima de Almeida (CRM 4370 / RQE 5893), cirurgião cardiovascular em Florianópolis/SC. Dr. Sergio é Chefe do Serviço de Cirurgia Cardíaca do Hospital SOS Cárdio e da Equipe Seu Cardio. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Estado de Santa Catarina – UFSC e com residência na Beneficência Portuguesa, na equipe do Dr. Sergio Oliveira, aperfeiçoou-se em plastia de válvulas na Cleveland Clinic, acompanhando Dr. Delos Cosgrove, e em cirurgia de cardiopatia congênita complexa, no Children Hospital – Harvard Medical School, acompanhando Dr. Aldo Castañeda. Foi também cirurgião cardiovascular do Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis/SC, por 10 anos. Realiza diariamente procedimentos como: cirurgias de revascularização do miocárdio, cirurgia de válvulas e da aorta, além de implantes de marcapassos cardíacos. Com grande experiência em idosos, vem abordando o tema em congressos nacionais e internacionais.
Este conteúdo reúne as 12 dúvidas mais comuns de quem está passando pelo pós-operatório de cirurgia cardíaca. Aqui, você encontra diversas respostas, desde temas como dor e inchaço até quando retomar atividades físicas, dirigir e ter relações sexuais.
Cirurgias cardíacas são eventos importantes na vida de qualquer pessoa. Exigem preparação, cuidados e recursos especializados. No entanto, para obter sucesso, o pós-operatório é fundamental. E é nessa fase que os pacientes costumam apresentar o maior número de dúvidas – especialmente com relação à retomada das atividades básicas do dia a dia.
Para ajudar você a retornar à vida normal de forma tranquila e segura, selecionamos algumas das principais dúvidas dos pacientes no pós-operatório da cirurgia cardíaca. São informações relevantes, que podem lhe orientar nessa fase crucial, mas que não substituem a orientação do seu próprio médico.
1 – Por que sinto dor no meu pós-operatório?
Quando realizadas pela abordagem tradicional, as cirurgias cardíacas costumam ser de grande porte. Devido à incisão da pele, abertura do osso esterno e colocação de drenos, os músculos da região torácica ficam bastante sensíveis, causando dor.
Quando realizadas por abordagem minimamente invasiva ou cirurgia robótica, a agressão cirúrgica, assim como as incisões, são muito menores. Dessa forma, os pacientes costumam sentir menor dor no pós-operatório e ter uma recuperação mais rápida.
Porém, é importante saber que a dor é manejável com o uso de medicação. Por isso, é importante que o paciente relate as dores que sente, para que os médicos possam prescrever os medicamentos necessários. Além disso, a fisioterapia respiratória e motora, bem executada, pode auxiliar bastante nessa fase.
2 – Por que minhas pernas ficam inchadas depois da cirurgia?
Após a cirurgia cardíaca, o inchaço (edema) das pernas é comum, principalmente nos pacientes que se submetem à revascularização do miocárdio com a utilização de veia safena. Via de regra, esse inchaço costuma ser provocado pela manipulação de vasos linfáticos durante o procedimento. A própria retirada da veia estabelece ao organismo a necessidade de redirecionar o fluxo sanguíneo que passava por ela para o sistema venoso profundo da perna. Essa adequação leva algum tempo e, por isso, os pacientes tendem a ficar com a perna, da qual foi retirada a safena, um pouco mais inchada.
Esse edema, quando leve a moderado, não deve se traduzir em uma preocupação, pois é normal e reversível. Por isso, orientamos os pacientes para a movimentação precoce e para que mantenham as pernas elevadas quando estiverem sentados. O uso de meias elásticas também pode ajudar. Caso o inchaço das pernas permaneça por mais de um mês, recomendamos o acompanhamento clínico.
3- Posso dormir de lado após a cirurgia cardíaca?
Quando o paciente passa por uma cirurgia cardíaca com abordagem tradicional, ou seja, com a “abertura do peito” (incisão central no tórax e esternotomia), recomenda-se que durma de barriga para cima por, aproximadamente, 60 dias. Esse é o tempo necessário para que o osso esterno se feche. Dormindo de lado, o paciente corre o risco de sofrer com o que chamamos de cavalgadura do osso, o que pode ocasionar dor e desconforto.
Já na abordagem minimamente invasiva ou na cirurgia cardíaca robótica, as incisões são menores e não há necessidade de abertura do esterno. Assim, recomendamos apenas que os pacientes não durmam sobre o local da cicatriz cirúrgica nos primeiros 10 dias.
4 – Posso fazer as unhas e pintar o cabelo logo após a alta hospitalar?
Em geral, recomendamos aos pacientes que esperem 15 dias após a cirurgia cardíaca para pintar/tonalizar os cabelos e fazer a retirada das cutículas das unhas.
No entanto, ressaltamos que é fundamental utilizar os seus próprios materiais (alicates, tesouras, lixas, etc) e que eles devem estar devidamente esterilizados. No caso das unhas em gel, além de utilizar o material devidamente esterilizado, é imprescindível que as unhas estejam sem processo inflamatório (infeccioso) ou com fungos. Essas recomendações evitam a ocorrência de infecções no pós-operatório e, por isso, são bem importantes.
5- Posso usar filtro solar na cicatriz?
Os pacientes devem evitar a exposição ao sol nos primeiros 90 dias após a cirurgia. Se a cicatriz evoluir bem, sem nenhum sinal de infecção na ferida operatória (incisão), é possível usar protetor solar 30 dias após a cirurgia.
6- Quando posso voltar a subir escadas, limpar a casa ou cuidar do jardim?
As primeiras atividades físicas já começam a ser feitas no pós-operatório imediato, ainda na UTI, quando o fisioterapeuta inicia a reabilitação respiratória e motora. Após a alta da UTI, andar/caminhar é muito importante para evitar complicações, como o tromboembolismo e os problemas respiratórios. Esse tipo de atividade também auxilia na recuperação do trânsito intestinal. As caminhadas progressivas são recomendadas e o incremento de tempo é prescrito de forma individualizada.
O retorno às atividades rotineiras depende da abordagem cirúrgica: se foi uma cirurgia convencional (“abertura do peito” e esternotomia), cirurgia minimamente invasiva ou cirurgia robótica.
Retorno às atividades após cirurgia cardíaca convencional:
O paciente já pode subir escadas no retorno para casa. Porém, atividades que envolvem esforço dos braços e do tronco, demandam mais tempo. Assim, os pacientes podem voltar a limpar a casa e a cuidar do jardim apenas após 40 dias da cirurgia, sempre gradativamente.
Retorno após cirurgia cardíaca minimamente invasiva ou robótica:
As restrições de esforço relacionadas aos braços e tronco existem para proteger a cicatrização do esterno após a esternotomia, que acontece na abordagem convencional. Por isso, esse tipo de restrição não acontece nas cirurgias cardíacas minimamente invasivas e robóticas. Nesses casos, recomendamos o retorno às atividades cerca de 14 dias após o procedimento cirúrgico.
7- Em quanto tempo posso voltar a fazer atividades físicas?
Para os praticantes de esportes que passaram pela abordagem tradicional, em geral, é possível retomar gradativamente a prática esportiva a partir de 60 dias (tempo relacionado à consolidação do osso esterno).
Na abordagem minimamente invasiva e na cirurgia robótica, por não haver esternotomia, esse retorno tende a ser mais rápido, cerca de 14 dias.
No entanto, independente da abordagem cirúrgica, é fundamental perguntar ao seu Cardiologista Clínico sobre a recomendação da retomada de atividades físicas específicamente para o seu caso.
8- Constipação após a cirurgia cardíaca é normal?
Sim, essa é uma queixa bastante comum e vários fatores podem levar à constipação intestinal. Em geral, o jejum para a cirurgia, a anestesia e o fato de o paciente ficar um tempo maior deitado no pós-operatório são algumas das causas.
Para isso, recomenda-se andar/caminhar (já falamos acima), bem como adotar uma dieta rica em fibras e líquidos. Vale salientar que o nutricionista também faz parte da equipe multidisciplinar da cirurgia cardíaca e sua orientação pode lhe auxiliar a diminuir essa condição.
9- A partir de quando posso voltar a ter relações sexuais?
Geralmente, após uma cirurgia cardíaca com abertura do esterno, os pacientes que conseguem subir pelo menos 2 lances de escadas, sem dificuldade, já possuem condições de retomar a atividade sexual de forma leve a moderada. O ideal é que o paciente adote uma postura mais passiva e evite movimentos bruscos e excessivos com os braços e com o tórax. Em média, são necessárias de 45 a 60 dias para voltar a ter relações sexuais sem restrição de movimentos. Esse prazo está ligado ao tempo necessário à cicatrização do esterno.
Na abordagem minimamente invasiva e na cirurgia cardíaca robótica, esse retorno tende a ser mais precoce, cerca de 14 dias.
Pacientes que fazem reabilitação física tendem a ser liberados antes, em qualquer abordagem. Saiba mais neste post aqui.
10- A ponte de safena tem validade?
A validade da “ponte de safena”, seja com uso de artéria mamária, artéria radial ou veia safena, está diretamente relacionada aos hábitos do paciente. Afinal, a necessidade da cirurgia de revascularização do miocárdio é gerada pela doença coronariana, que precisa de tratamento a longo prazo.
Assim, a adoção de hábitos saudáveis pode aumentar a longevidade das pontes. Entre eles, o controle adequado dos níveis de colesterol, de glicemia (principalmente nos pacientes diabéticos) e parar de fumar (para os pacientes que fumavam antes da cirurgia). Saiba mais neste post.
11- Depois de quantos dias da cirurgia cardíaca posso voltar a dirigir?
Nas cirurgias cardiovasculares com incisão no osso da região central do tórax, movimentos bruscos podem causar uma dor importante. Por reflexo, uma dor forte pode fazer o paciente largar as mãos do volante e bater o carro. Além disso, os reflexos podem estar prejudicados pela medicação, representando um risco também.
Assim, recomenda-se voltar a dirigir apenas 60 dias após a cirurgia cardíaca tradicional. Já nas abordagens minimamente invasivas e na cirurgia robótica, o retorno pode acontecer em cerca de 14 dias.
12- Depois da cirurgia cardíaca posso voltar a beber vinho, cerveja e/ou destilados?
Normalmente, recomenda-se que a ingestão de bebidas alcoólicas não seja realizada nos primeiros 15 dias após a alta hospitalar. Após este período, é recomendado que o paciente converse com seu Cardiologista Clínico, que irá orientar sobre frequência e quantidade de bebidas alcoólicas que o paciente poderá ingerir, sem causar impacto nas medicações que está usando.
Quanto tempo dura a recuperação total da cirurgia cardíaca?
Depende do tipo de abordagem cirúrgica. Se for uma cirurgia cardíaca convencional, ou seja, com abertura do osso esterno, a recuperação inicial leva cerca de 30 dias e, a cicatrização óssea, aproximadamente 60 dias – quando, geralmente, é possível retomar à prática de atividades físicas. Já na abordagem minimamente invasiva e na cirurgia cardíaca robótica, como não há abertura do esterno, a recuperação completa geralmente leva 14 a 21 dias.
Quais sinais no pós-operatório precisam de atenção médica imediata?
Febre, secreção na ferida, dor torácica intensa, falta de ar importante ou instabilidade do osso esterno devem ser avaliados sem demora.
Sobre o autor:
Dr. Sergio Lima de Almeida (CRM-SC 4370 / RQE 5893), médico, cirurgião cardiovascular, chefe da Equipe Seu Cardio e do Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital SOS Cárdio, em Florianópolis/SC.
O derrame pericárdico é o acúmulo anormal de líquido entre o coração e o pericárdio — a membrana que o envolve e protege. Assim, quando esse acúmulo é significativo ou acontece rapidamente, exige atenção. Afinal, pode comprimir o coração e evoluir para o tamponamento cardíaco, uma emergência médica.
O coração não está completamente solto em nosso tórax. Para manter a sua posição ideal e bater de forma eficiente, ele é revestido por uma membrana chamada pericárdio. Ela envolve e confere estabilidade ao coração e às raízes dos grandes vasos sanguíneos.
Outra função importante do pericárdio é produzir uma pequena quantidade de líquido que fica entre o coração e a própria membrana. Esse líquido tem como objetivo reduzir o atrito das batidas do coração. No entanto, algumas doenças podem fazer com que o pericárdio aumente a produção deste líquido de forma exagerada. O excesso de líquido no local comprime o coração e compromete todo o sistema. Para essa produção excessiva, damos o nome de Derrame Pericárdico. E, uma das suas principais consequências, é o Tamponamento Cardíaco, uma emergência médica.
Como acontece o Derrame de Pericárdio
Uma das principais causas do Derrame Pericárdico são as infecções por vírus na própria membrana que envolve o coração, as chamadas pericardites. Doenças como a tuberculose, colagenose e, até mesmo, metástases tumorais também costumam desencadear a produção excessiva de líquido pericárdico e provocar o problema.
É importante ressaltar que o pericárdio é constituído por camadas com baixa capacidade de distensão. Assim, um maior volume de líquido pericárdico pode aumentar significativamente a pressão sobre o coração. Dessa forma, acaba prejudicando o seu funcionamento e podendo levar ao tamponamento cardíaco. Em alguns casos, o coração pode chegar a parar de bater e o risco de morte é real.
Velocidade do Derrame
Tão importante quanto o volume de líquido em excesso, é a velocidade com que ele é produzido. Isso pode ser decisivo para o aparecimento de sintomas e para as consequências sobre o sistema cardiovascular.
“Geralmente, a rápida produção de líquido em excesso, mesmo em pouco volume, não permite que a membrana se adapte da forma necessária. Isso aumenta repentinamente a sua pressão interna e pode ter consequências agudas, como o tamponamento cardíaco. Quando o derrame acontece em maior volume, mas lentamente, pode haver um grande acúmulo de líquido sem tamponamento. Isso acontece devido ao fato de haver uma adaptação e distensão gradual do pericárdio. Dessa forma, permite acomodar um maior volume de líquido sem compressão excessiva sobre o coração.” – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular (CRM 4370 / RQE 5893).
Sintomas do Derrame Pericárdico
O derrame pericárdico pode ser leve, moderado ou de grande porte. Porém, os sintomas estão mais relacionados à causa do que à extensão.
Em casos moderados, relacionados a pericardites, o derrame pericárdico pode provocar desconforto no peito. Inclusive, em situações mais graves, a dor no peito pode ter características similares ao infarto.
“Na cirurgia cardíaca, o derrame pericárdico pode acontecer no pós-operatório, por conta do acúmulo de sangue em volta do coração. Para evitar isso, os pacientes saem da sala de cirurgia com um pequeno dreno, que previne o acúmulo de líquidos.” Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular (CRM 4370 / RQE 5893).
Tamponamento Cardíaco
Comumente, o tamponamento cardíaco é uma emergência médica e pode levar à morte rapidamente.
“A pressão do líquido proveniente do derrame pericárdico pode fazer o coração parar de bater. Nesses casos, os pacientes costumam entrar em choque, apresentam hipotensão e desconforto geral significativo.” Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular (CRM 4370 / RQE 5893).
Diagnóstico e Tratamento
O ecocardiograma é o melhor exame para realização do diagnóstico do derrame pericárdico. Por vezes, a doença é percebida por acaso, durante exames de rotina ou com outros objetivos.
Em geral, quando o derrame pericárdico não é significativo e não prejudica a função do coração, o paciente passa a ser acompanhado de perto pelo Cardiologista Clínico. Nesses casos, o acompanhamento é importante e costuma contemplar a realização frequente de exames de ecocardiograma.
No entanto, nos casos mais graves, em que o derrame mostra-se crescente, a solução do problema está diretamente relacionada à cura da doença de origem (pericardite, tuberculose, colagenose e tumores).
Muitas vezes, há necessidade de se realizar a biópsia e a drenagem do líquido para elucidação do diagnóstico. Via de regra, a análise do tecido é encaminhada para exame anátomo-patológico em laboratório.
“Normalmente, o tamponamento cardíaco exige intervenção direta e imediata. Afinal, é necessária para a descompressão do coração pela retirada do líquido em excesso. Isso pode ser feito de duas formas: com uma punção para drenagem do líquido ou com uma pequena incisão no terço inferior do tórax, com a colocação de um dreno. Em geral, utiliza-se esta mesma via de acesso para realização da biópsia e da drenagem, em casos que se intervém para diagnóstico.” – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular (CRM 4370 / RQE 5893).
Em geral, a descompressão tende a reverter o tamponamento cardíaco em questão de segundos. Porém, para que ele não venha a se repetir, é necessário descobrir os motivos que levaram ao derrame pericárdico e tratá-los.
Cuide da saúde do seu coração. Em caso de sintomas, busque assistência médica.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Derrame pericárdico é grave?
Depende do volume e principalmente da velocidade com que o líquido se acumula. Como exemplo, um derrame de rápida instalação, mesmo pequeno, pode causar tamponamento cardíaco, que caracteriza uma emergência.
Derrame pericárdico tem cura?
Sim, na maioria dos casos, quando a doença de origem (pericardite, tuberculose, colagenose, tumores) é tratada e o líquido em excesso é drenado, quando necessário.
Quais sintomas indicam que devo procurar ajuda médica com urgência?
Desconforto ou dor no peito, falta de ar, hipotensão ou sensação de choque exigem avaliação médica imediata, pois podem indicar tamponamento cardíaco.
Sobre o autor:
Dr. Sergio Lima de Almeida (CRM-SC 4370 / RQE 5893), médico, cirurgião cardiovascular, chefe da Equipe Seu Cardio e do Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital SOS Cárdio, em Florianópolis/SC.
Pacientes submetidos a cirurgias cardíacas podem necessitar de uma nova intervenção ao longo da vida. Dependendo do tipo de procedimento ou até mesmo da evolução da doença que resultou na cirurgia, a reoperação pode ser indicada. É o caso da reoperação para troca de válvula.(mais…)
A cirurgia cardíaca em idosos é cada vez mais comum. Afinal, as pessoas estão vivendo mais e a população de pacientes idosos aumenta no mundo todo. Com o avanço da idade, há também o avanço da Medicina para o tratamento de diversos problemas vivenciados na terceira idade.
Mas, a idade é por si só um fator de risco para a cirurgia cardíaca? O idoso é um ser muito frágil para ser operado?
Idade é diferente de fragilidade
Em primeiro lugar, precisamos diferenciar idade de fragilidade. A idade passa a ser um fator de risco quando traz uma série de doenças associadas. Mas vamos imaginar um idoso que chega aos 80 anos com uma doença de coronária, que é a obstrução (“entupimento”) das artérias do coração. Ele tem uma atividade cerebral e uma vida absolutamente normais. No entanto, não consegue mais fazer sua caminhada habitual porque tem dor no peito. Está limitado nas suas atividades físicas, porque cansa. Esse idoso tem uma doença no coração. Ponto. Só isso. Tratada a doença, ele volta a ter uma vida normal novamente.
Apesar da enorme colaboração que a cirurgia cardíaca em idosos pode trazer à qualidade de vida dos pacientes, são bastante comuns os questionamentos. “Ele já tem 84 anos, o que a cirurgia vai acrescentar de sobrevida para ele?” A questão não é se ele vai viver até os 90 ou 95 anos, mas como esse idoso vai viver. E isso, a cirurgia pode devolver: a qualidade de vida que ele perdeu diante da doença cardíaca que adquiriu. Além disso, em muitos casos, aumenta sim a sobrevida, mesmo nesta faixa etária mais avançada.
Com os avanços tecnológicos da medicina aliados ao maior acesso à informação, os idosos passaram a ter uma melhor qualidade de vida. Assim, são mais ativos, independentes e biologicamente mais fortes. Tratamentos mais eficazes, busca pela boa alimentação e hábitos saudáveis são fatores que contribuem para que os idosos tenham uma sobrevida satisfatória após uma cirurgia cardíaca.
A Cirurgia Cardíaca em Idosos com Boa Saúde
Um estudo publicado pela Journal of the American Geriatrics Society, divulgado pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, o fator idade não é mais justificativa para não serem realizados procedimentos médicos em indivíduos acima de 80 anos.
A cirurgia cardíaca em idosos em situação semelhante ao exemplo acima tem resultados excelentes. Inclusive, surpreendentemente melhores do que em pessoas de meia idade que já acumulam várias doenças. Isso porque o idoso que chegou aos 80 anos com apenas uma doença no coração mostrou que é um ser biologicamente mais forte. Passou por várias etapas da vida, nas quais outras doenças incidem. No entanto, chegou à idade mais avançada apresentando uma única doença. Então, a cirurgia cardíaca em idosos desse tipo tem baixa taxa de mortalidade. O idoso volta às suas atividades e a família se surpreende com sua resistência, que na verdade já poderia ser observada pela vida que ele leva.
Com o aumento da população de pacientes idosos, a incidência das doenças degenerativas das válvulas cardíacas, comuns nessa faixa etária, também cresce. Para o paciente idoso que tem um problema isolado em uma valva cardíaca, por exemplo, a abordagem cirúrgica precoce impede que a doença valvar comprometa a contratilidade do coração, proporcionando um risco baixo e a devolução de uma qualidade e expectativa de vida normais. Assim, a cirurgia cardíaca em idosos vem ao encontro desse objetivo, devolvendo vida aos anos do paciente.
Cirurgia Cardíaca em Idosos com Doenças Associadas
A indicação de cirurgia cardíaca em idosos que possuem alguma doença associada, que estejam acamados ou que pouco se comuniquem, por exemplo, deve ser avaliada entre médicos, paciente e seus familiares. É fundamental que se tenha em mente o quanto esse paciente irá ou não se beneficiar do procedimento. Em outras palavras, é necessário avaliar seus riscos e benefícios. Para isso, contar com a assistência de bons profissionais nas áreas de Cardiologia Clínica e de Cirurgia Cardíaca é fundamental para apresentar e avaliar claramente o melhor para cada caso.
É comum, em idosos, a descoberta de um problema cardíaco durante a realização de exames para outras doenças, como câncer, por exemplo. Nestes casos, em geral, é indicada a realização da cirurgia do coração primeiro. A medida visa diminuir os riscos no tratamento da outra doença (tumores, transplantes, etc). O coração é sempre colocado em primeiro lugar, pelo risco que ele representa para os outros tratamentos. Uma vez protegido o coração, o tratamento de doenças associadas tende a obter melhores resultados.
Caso tenha dúvidas sobre a relação risco x benefício da cirurgia cardíaca em idosos, converse com o médico que acompanha o caso. Informe-se também com o cirurgião cardiovascular. Em conjunto e com uma avaliação criteriosa, será definida a melhor conduta.
O tamponamento cardíaco é uma emergência cardiológica que pode ter consequências drásticas – inclusive a morte. Por isso, é importante ser diagnosticada e tratada rapidamente. Essa condição pode ser resultado de diversas patologias. E, como exerce uma pressão no coração, impedindo seu correto funcionamento, é grave.
O que é e como ocorre o tamponamento cardíaco?
O coração se encontra dentro de um espaço chamado pericárdio, envolto pelo saco pericárdico. Esse espaço é completamente fechado. Como o coração é um órgão muscular, ele se estende e se contrai para gerar o batimento cardíaco. E, para não gerar atrito, há uma quantidade pequena de líquido dentro do pericárdio.
Se, eventualmente, existir um acúmulo de líquido ao redor do coração – ou seja, no pericárdio – e o saco pericárdico não conseguir mais se expandir, o órgão começa a ser comprimido. Consequentemente, deixa de bater da forma ideal. Isso é o que ocorre no tamponamento cardíaco.
Sempre que há aumento de líquido, o tamponamento cardíaco acontece?
O derrame pericárdico ocorre quando há acúmulo de líquido em volta do coração. Se a quantidade de líquido for pequena, ou a doença for de lenta evolução – ou seja, nos casos em que o pericárdio consiga se adaptar e expandir –, o derrame pode ocorrer sem compressão importante do coração.
Entretanto, mesmo com um acúmulo de líquido ainda pequeno, é imprescindível identificar a causa do derrame. Dessa forma, é possível evitar o tamponamento cardíaco – quando a contratilidade do coração começa a ser afetada.
São causas comuns de derrame pericárdico:
As viroses (causa mais comum de derrame pericárdico de curso benigno);
Tuberculose;
Tumores com metástase no pericárdio.
Quando é preciso ter mais atenção?
Geralmente, a presença de alguns sintomas alerta para a necessidade de uma intervenção médica. Eles indicam um acúmulo de líquido mais grave, que pode comprimir o coração:
Assim, é preciso prestar atenção nos seguintes sintomas,
Fraqueza;
Angústia;
Sensação de aperto no peito.
Quando os sintomas que indicam gravidade estão presentes, o quadro pode evoluir para falência cardíaca em horas. Por isso, o médico deve agir rapidamente para fazer o diagnóstico e a intervenção.
Diagnóstico e tratamento
A identificação de um derrame pericárdico e da quantidade de líquido acumulada pode ser feita através do ecocardiograma. Este é um exame não invasivo do coração. Através dele, o médico visualiza se o órgão está conseguindo se expandir corretamente.
Se o ecocardiograma mostrar uma grande quantidade de líquido no pericárdio, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica. No entanto, a cirurgia costuma ser relativamente simples. Normalmente, é feita uma incisão de até 5 centímetros no tórax, abaixo do osso esterno. Através dela, é possível drenar o líquido acumulado. Em geral, o paciente fica 24 horas com um dreno e o tamponamento cardíaco é revertido. Ainda assim, é necessário investigar qual foi a causa do derrame pericárdico, para também tratá-la corretamente.
É importante destacar que nem todo derrame pericárdico leva ao tamponamento cardíaco e que nem todo derrame pericárdico precisa ser drenado. Inclusive, muitos pacientes convivem com essa condição cronicamente. Porém, é fundamental um acompanhamento médico de qualidade, que investigue e controle a doença de base, prevenindo complicações.