O ERAS (Enhanced Recovery After Surgery, ou Recuperação Acelerada Após a Cirurgia) é um conjunto de cuidados baseados em evidência científica, aplicados antes, durante e depois da cirurgia, com o objetivo de acelerar a recuperação do paciente com segurança. Não se trata de dar alta mais cedo por pressa, e sim de reduzir o tempo de internação através de um cuidado mais bem coordenado entre toda a equipe envolvida.
A Equipe Seu Cardio está estruturando a implementação do protocolo ERAS na cirurgia cardíaca em seu serviço, no Hospital SOS Cárdio, em conjunto com a equipe multidisciplinar da instituição. Estão envolvidos médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, assistente social, nutricionista e psicólogos. Em breve, os pacientes poderão se beneficiar dos resultados dessa ação.
O que é o protocolo ERAS?
O protocolo ERAS (Enhanced Recovery After Surgery) é um conjunto de cuidados multidisciplinares aplicados antes, durante e depois da cirurgia, com o objetivo de acelerar a recuperação do paciente com segurança.
O conceito surgiu na década de 1990, criado por um grupo de cirurgiões que buscava melhorar a recuperação de pacientes submetidos a cirurgias colorretais. Com o tempo, o modelo se espalhou para praticamente todas as especialidades cirúrgicas.
Na cirurgia cardíaca, no entanto, sua adoção é mais recente. A primeira diretriz foi publicada em 2019, na revista científica JAMA Surgery, por iniciativa da ERAS Cardiac Society, organização internacional dedicada especificamente ao tema. Em 2024, essa diretriz foi atualizada em conjunto com a Society of Thoracic Surgeons, reunindo as recomendações mais robustas disponíveis até hoje.
Como o ERAS funciona na prática?
O protocolo organiza o cuidado em três fases: pré-operatória, intraoperatória e pós-operatória, com medidas específicas em cada uma delas. Algumas das mais estabelecidas incluem:
- Preparo antes da cirurgia: educação detalhada do paciente sobre cada etapa que ele vai enfrentar, além de orientações sobre parar de fumar e reduzir o álcool com antecedência.
- Jejum reduzido: em vez do jejum prolongado tradicional, o paciente pode ingerir líquidos claros até poucas horas antes da cirurgia, o que ajuda a reduzir a resistência à insulina no pós-operatório.
- Controle multimodal da dor: combinação de diferentes analgésicos para reduzir a dependência de opioides, que têm mais efeitos colaterais.
- Manutenção da temperatura corporal: evitar que o paciente fique hipotérmico durante e após a cirurgia, o que está associado a menos complicações.
- Mobilização precoce: estimular o paciente a se sentar e caminhar o quanto antes, ainda na UTI, em vez de permanecer imóvel por vários dias.
Essas medidas só funcionam quando aplicadas em conjunto, por uma equipe verdadeiramente multidisciplinar: médico, enfermagem, fisioterapia, nutrição, serviço social e psicologia trabalhando de forma coordenada, do preparo antes da cirurgia até a volta para casa.
Para efeito explicativo, podemos fazer alusão a uma corrida de revezamento, em que cada corredor passa o bastão ao próximo. O protocolo ERAS na cirurgia cardíaca é como uma equipe que treina e corre junto, do início ao fim, passando o bastão entre si. O ganho não vem do corredor mais rápido, mas da passagem de bastão nunca falhar.
Quais os benefícios já demonstrados pela literatura?
Estudos publicados em diferentes especialidades cirúrgicas mostram que os conceitos baseados no protocolo ERAS reduzem o tempo de internação, o uso de opioides, as complicações pós-operatórias e, inclusive, os custos hospitalares.
Especificamente a adoção do protocolo ERAS na cirurgia cardíaca ainda é considerada recente e heterogênea entre os serviços. Isso reflete as particularidades da especialidade, como o uso de circulação extracorpórea, por exemplo. No entanto, o número de centros hospitalares adotando o modelo vem crescendo, amparado por diretrizes científicas cada vez mais robustas.
A Equipe Seu Cardio vai adotar o protocolo ERAS na cirurgia cardíaca?
Sim, a equipe Seu Cardio está em fase de estruturação da implementação no serviço de cirurgia cardiovascular do Hospital SOS Cárdio, em Florianópolis/SC. em conjunto com a equipe multidisciplinar do hospital. Os planos seguem o caminho recomendado pela literatura: introdução gradual, definição de indicadores de acompanhamento e ampliação progressiva conforme a experiência se consolida. Assim que o protocolo estiver em funcionamento, essa novidade será compartilhada com mais detalhes por aqui.
Perguntas Frequentes (FAQ)
A alta hospitalar precoce do protocolo ERAS na cirurgia cardíaca é segura?
A alta não é precoce. O objetivo do protocolo é uma alta planejada e mais rápida dentro de critérios de segurança rigorosos, nunca uma alta apressada.
Todo paciente pode participar do protocolo ERAS?
Os programas costumam começar com pacientes de menor risco e, com o tempo, ampliam a elegibilidade para casos mais complexos, sempre com avaliação individual.
O protocolo ERAS substitui os cuidados médicos tradicionais?
Não. Ele organiza e coordena, com base em evidências científicas, os cuidados que já fazem parte da prática médica. A diferença está em aplicá-los de forma sistemática e em equipe multidisciplinar.
Quando a Equipe Seu Cardio vai começar a aplicar o protocolo ERAS?
A implementação do protocolo ERAS na cirurgia cardíaca, pela equipe Seu Cardio, está em fase de estruturação, realizada em conjunto com a equipe multidisciplinar do Hospital SOS Cárdio. Em breve, mais detalhes sobre o início da aplicação serão compartilhados por aqui.
Para saber mais sobre as etapas da cirurgia cardíaca, veja também nosso guia completo de orientações.
Sobre o autor: Dr. Sergio Lima de Almeida (CRM-SC 4370 / RQE 5893), médico, cirurgião cardiovascular, chefe da Equipe Seu Cardio e do Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital SOS Cárdio, em Florianópolis/SC.
