Diagnóstico e Tratamento das Cardiopatias Congênitas

Diagnóstico e Tratamento das Cardiopatias Congênitas

Por Dr. Luiz Carlos Giuliano CRM-SC 4551, Hemodinamicista do Hospital SOS Cárdio.

As Cardiopatias Congênitas são problemas que se apresentam na estrutura do coração antes do nascimento. Alteram a anatomia normal do coração, podendo estar relacionadas às válvulas, paredes internas ou mesmo artérias do coração. Algumas cardiopatias congênitas são incompatíveis com a vida e levam ao óbito. Outras, são tratadas logo no nascimento. A maioria das cardiopatias congênitas são tratadas ainda na infância, sendo que algumas, identificadas apenas na vida adulta, são tratadas nessa fase.

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Plastia ou Troca de Válvula Cardíaca: principais indicações

Plastia ou Troca de Válvula Cardíaca: principais indicações

Várias doenças podem comprometer as valvas do coração, conhecidas também como válvulas cardíacas. Os problemas podem levar à sua obstrução ou insuficiência, ou uma combinação das duas coisas. Assim, acabam determinando um quadro de insuficiência valvar cardíaca. Nesta circunstância, pode ser necessária uma cirurgia para plastia ou troca da válvula cardíaca. A determinação do procedimento varia de acordo com a valva acometida: mitral, tricúspide ou aórtica.

Plastia ou Troca da Válvula Mitral

Dúvida comum entre pacientes que irão passar pelo tratamento, a cirurgia da válvula mitral pode ser plastia ou troca. A plastia preserva a valva nativa. É como uma plástica, que repara os tecidos ou estruturas da base, visando com que ela retorne seu funcionamento normal. Quando as condições não permitem a plastia, a valva mitral é trocada por uma prótese, que pode ser biológica ou mecânica.

A escolha entre plastia ou troca da válvula mitral é, geralmente, determinada pela doença de base que levou o paciente a necessitar do tratamento. Nos casos de doenças infecciosas (endocardites) e doenças reumáticas (febre reumática), que debilitam e danificam o tecido da válvula mitral, a indicação inicial é a cirurgia de troca. Esta conduta independente da idade do paciente.

Já a plastia da valva mitral está indicada para pacientes que apresentam doenças degenerativas. Isso inclui idosos e pessoas na faixa de idade entre 35 e 40 anos. No entanto, existem determinados casos em que, apesar da plastia ser indicada no primeiro momento, durante o procedimento cirúrgico poderá ser constatada a necessidade da troca da válvula mitral.

Plastia da Válvula Tricúspide

Quando a doença valvar impacta no funcionamento do coração, é preciso avaliar o funcionamento da válvula tricúspide. Na presença de insuficiência significativa nessa válvula, a plastia da válvula tricúspide é realizada conjuntamente com a cirurgia da válvula mitral, independente do tipo de procedimento indicado. A combinação das duas cirurgias resulta no aumento da longevidade do paciente e melhora no desempenho hemodinâmico do coração.

Troca da Válvula Aórtica

Assim como na valva mitral, cardiopatias congênitas, doenças reumáticas, infecções ou causas degenerativas dos tecidos (relacionadas ao envelhecimento) também são causas de problemas na válvula aórtica. No entanto, o tratamento é diferente.

Em geral, a recomendação para o tratamento das doenças da válvula aórtica é a sua troca. A substituição pode ser realizada tanto por uma prótese mecânica quanto biológica. A escolha do tipo de prótese para substituição da válvula cardíaca nativa dependerá de uma avaliação conjunta do paciente e seu cirurgião cardiovascular. 

Converse com seu cirurgião cardiovascular e esclareça suas dúvidas sobre a possibilidade de plastia ou troca da válvula cardíaca. Você também pode contar conosco!

 

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Profilaxia Odontológica antes da Cirurgia Cardíaca

Profilaxia Odontológica antes da Cirurgia Cardíaca

Convidamos os cirurgiões-dentistas Dra. Beatriz Sacchetti de Almeida (CRO/SC 19174) e Dr. Leonardo Gonçalves Modolon (CRO/SC 20501) a escrever sobre a importância da profilaxia odontológica para pacientes cardíacos, tanto na rotina de cuidados quanto antes de uma cirurgia cardíaca. Confira!

A boca não é um órgão isolado, ela é parte de um único sistema integrado a todo o corpo. Nela, existem milhares de bactérias, a maioria inofensivas, que vivem em equilíbrio quando há um bom cuidado oral. Quando esse equilíbrio se rompe, por cárie, inflamação na gengiva ou infecção, essas bactérias podem entrar na corrente sanguínea através dos pequenos vasos que irrigam os dentes e as gengivas. Uma vez no sangue, elas circulam pelo corpo inteiro e podem chegar a órgãos distantes, inclusive ao coração. É por isso que a ciência hoje trata a saúde bucal como parte da saúde cardiovascular, e não como algo isolado. Portanto, o acompanhamento odontológico regular é essencial para aqueles que convivem com uma doença cardíaca ou que irão se submeter a um tratamento cardiovascular.

O dentista é o profissional especializado para lhe orientar sobre a profilaxia odontológica. Assim, é peça-chave no trabalho multidisciplinar, ajudando a prevenir e diagnosticar problemas que vão muito além da saúde bucal.

Doenças cardíacas e bacteremia de origem bucal

Quando bactérias da boca entram na corrente sanguínea, ocorre o que os especialistas chamam de bacteremia transitória. Isso acontece rotineiramente com hábitos simples do dia a dia, como: mastigar, escovar os dentes e usar fio dental. No entanto, é ainda mais frequente quando há doença periodontal ou cárie não tratada. Se essas bactérias chegarem aos tecidos do coração, especialmente em válvulas já fragilizadas ou em próteses valvares, podem provocar uma endocardite infecciosa.

Segundo a American Heart Association (AHA), os pacientes com maior risco de desenvolver endocardite infecciosa, e que mais se beneficiam de cuidados odontológicos rigorosos, são:

Consulta odontológica pré-operatória

A consulta odontológica antes da cirurgia cardíaca não é apenas uma recomendação, é parte do protocolo de segurança. O objetivo é encontrar e tratar qualquer foco de infecção na boca, como cáries, inflamação na gengiva, dentes com raiz infeccionada, dentes quebrados ou feridas na mucosa, antes que o paciente entre no centro cirúrgico. Isso porque qualquer infecção ativa na boca pode liberar bactérias na corrente sanguínea durante ou depois da cirurgia, aumentando o risco de complicações.

Isso não é só bom senso, a ciência confirma:

  • Pesquisas mostram que mais da metade dos pacientes que vão fazer cirurgia de válvula cardíaca precisa extrair algum dente antes do procedimento. Além disso, cerca de metade também precisa de tratamento na gengiva. Ou seja, é comum encontrar algo para tratar e,  por isso, a avaliação prévia é tão importante.

Na consulta odontológica pré-operatória, o dentista vai examinar clinicamente a boca e solicitar radiografias. Isso pode ocorrer mesmo se o paciente não tiver todos os dentes, porque lesões no osso ou na gengiva também podem esconder uma infecção. Portanto, esses cuidados devem ser realizados com antecedência, para dar tempo de tratar qualquer problema antes da data da cirurgia.

Profilaxia odontológica com antibióticos

Além da eliminação de focos infecciosos, o dentista pode indicar a profilaxia antibiótica antes do atendimento odontológico. Especialmente no caso de procedimentos que envolvam sangramentos, manipulação da gengiva, da região periapical dos dentes ou perfuração da mucosa oral, esse cuidado é necessário.

Esse tema é estudado há décadas pelas principais sociedades de cardiologia do mundo. Em 2021, a American Heart Association (AHA) reafirmou que o antibiótico preventivo antes de ir ao dentista deve ser usado apenas pelos pacientes de maior risco, como portadores de próteses valvares ou pessoas que já tiveram endocardite. Para a grande maioria das pessoas, mesmo as cardiopatas, o antibiótico não é necessário. Segundo a própria AHA, manter a boca saudável e visitar o dentista regularmente protege mais o coração do que tomar antibiótico antes de cada consulta.

Quando indicada, a profilaxia odontológica com antibióticos mais utilizada é uma dose única de amoxicilina, tomada entre 30 e 60 minutos antes do procedimento odontológico. A clindamicina, antes usada como alternativa para pacientes alérgicos à penicilina, deixou de ser recomendada pela AHA em 2021 por associação a reações adversas mais frequentes e mais graves.

Por que a visita regular ao dentista é insubstituível

Vale reforçar: nenhuma dose de antibiótico substitui o acompanhamento odontológico contínuo. Um estudo clássico de 1984 mostrou que as chances de bacteremia transitória pelos hábitos diários de higiene bucal inadequada são até 8.000 vezes maiores do que as chances associadas a um procedimento odontológico profissional isolado. Ou seja, o maior risco não está na cadeira do dentista, mas sim na boca sem cuidado diário e sem acompanhamento.

Para pacientes cardiopatas, e especialmente para quem já tem prótese valvar cardíaca, essa lógica se traduz em uma rotina de cuidados:

  • Escovar os dentes com escova de cerdas macias e cabeça pequena, trocando-a a cada três meses;
  • Usar o creme dental fluoretado;
  • Utilizar o fio dental corretamente, todos os dias;
  • Repor dentes ausentes com próteses ou implantes adequados, evitando espaços que facilitam o acúmulo de bactérias;
  • Visitar o cirurgião-dentista a cada seis meses (ou com a frequência que ele indicar), informando sempre sobre a condição cardíaca e medicamentos em uso, para que qualquer foco infeccioso seja identificado e tratado precocemente, antes que vire um problema para o coração.

O papel do dentista no cuidado multidisciplinar

Mesmo com os avanços em diagnóstico, técnicas cirúrgicas e antibioticoterapia, a endocardite infecciosa costuma ser uma condição de saúde grave. Isso torna a prevenção, com orientação conjunta do cardiologista e do dentista, a estratégia mais eficaz disponível hoje.

O dentista conhece em profundidade os processos que levam à bacteremia transitória. Além disso, é o profissional habilitado a avaliar, caso a caso, se a profilaxia antibiótica é indicada e tratar qualquer foco infeccioso bucal antes que represente risco ao coração.

Procure um profissional de confiança para a profilaxia odontológica. Converse com profissionais qualificados sobre sua condição cardíaca e mantenha o acompanhamento odontológico regular como parte do seu cuidado cardiovascular. A equipe odontológica do Hospital SOS Cárdio possui o conhecimento necessário para apoiar esse cuidado, sempre em conjunto com o cardiologista e o cirurgião cardíaco responsáveis pelo paciente.

 

 

Depressão no Pós-operatório de Cirurgia Cardíaca

Depressão no Pós-operatório de Cirurgia Cardíaca

Sentimento de tristeza, falta de interesse nas atividades de rotina, insônia ou excesso de sono são queixas comumente relatadas pelos pacientes durante o pós-operatório de cirurgias cardíacas. Os cuidadores, por sua vez, podem perceber seu familiar mais choroso e sem energia. São sintomas que podem indicar depressão no pós-operatório. Que mudanças são estas e como lidar com elas é o que abordaremos neste artigo. Por Fabíola Langaro (CRP 12/07999) e Paola Nunes Goularte (CRP 12/13428), Psicólogas do Hospital SOS Cárdio e da Clínica Consciência Psicologia.*

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Como você gostaria de tratar sua válvula aórtica?

Como você gostaria de tratar sua válvula aórtica?

Algumas doenças degenerativas ou adquiridas, como a febre reumática, por exemplo, podem comprometer a válvula aórtica. Em geral, tais doenças acarretam em dois problemas principais: obstrução da válvula (estenose) ou sua insuficiência.

Através da cirurgia cardíaca, é possível realizar a plastia ou troca da válvula aórtica por uma prótese – mecânica ou biológica. A plastia representa o reparo da válvula do paciente, enquanto que a troca é a sua substituição. A abordagem é definida caso a caso, de acordo com a avaliação individualizada do paciente.

A cirurgia é o tratamento mais indicado para a cardiopatia valvar aórtica. Enquanto os medicamentos tratam doenças associadas e aliviam os sintomas, a cirurgia da válvula aórtica tem a capacidade de alterar a evolução natural do problema. O procedimento deve ser realizado antes que ocorra uma lesão no coração, consequência da doença valvar.

Válvula Aórtica: cirurgia tradicional x minimamente invasiva

Em geral, as cirurgias cardíacas assustam pacientes e familiares. Muito se deve à magnitude do procedimento e, até mesmo, pela relação entre o coração e a vida, as emoções.

Um dos fatores que mais incomodam é a abertura do tórax, com incisões grandes. A cirurgia de válvula aórtica é tradicionalmente realizada com incisões de 25cm, seja para plastia ou para a troca valvar por uma prótese. No entanto, nos últimos anos, avanços na cirurgia cardíaca revolucionaram o procedimento de troca de válvula aórtica. Hoje, é possível optar pela técnica minimamente invasiva.

Nesta abordagem, as incisões são muito menores, com cerca de 7cm. Além do efeito estético, existem outros inúmeros benefícios ao paciente com a cirurgia minimamente invasiva. Entre eles, menor tempo de UTI, menor índice de transfusão, recuperação mais rápida e menos dolorosa.

A troca de válvula aórtica por mini-incisão é considerada um grande avanço na cirurgia cardíaca. Nos centros especializados, tem sido utilizada como procedimento de escolha para tratamento da doença valvar aórtica. Isso, tanto nos pacientes submetidos à troca como à plastia de válvula aórtica isolada.

Mini-incisão e Prótese de Rápido Delivery

A abordagem da válvula aórtica por mini-incisão, por si só, não resulta em mudança no risco cirúrgico. No entanto, já existem trabalhos científicos demonstrando ganhos ao associar a cirurgia minimamente invasiva às próteses valvares de rápido implante.

Tais próteses são biológicas e contam com um sistema de fixação diferente dos convencionais. Este sistema permite um implante mais rápido e com a mesma segurança dos modelos tradicionais.

Como o seu implante é mais rápido, tanto o tempo de circulação extra-corpórea como o tempo de coração parado são menores. Esse ganho pode resultar em real diminuição de risco cirúrgico para determinados pacientes. Além disso, resultam também em melhor recuperação.

Especialmente no tratamento das valvulopatias aórticas, a cirurgia minimamente invasiva tem seus resultados consolidados. As estatísticas se equiparam às das cirurgias de válvula aórtica convencionais, com a vantagem de ser menos agressiva ao paciente.  

Converse com seu cirurgião cardiovascular sobre as opções de tratamento da válvula aórtica. Você também pode contar conosco!

 

Sobre o autor:

Este artigo foi escrito com base em entrevista com o Dr. Sergio Lima de Almeida (CRM 4370 / RQE 5893), cirurgião cardiovascular em Florianópolis/SC. Dr. Sergio é Chefe do Serviço de Cirurgia Cardíaca do Hospital SOS Cárdio e da Equipe Seu Cardio. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Estado de Santa Catarina – UFSC e com residência na Beneficência Portuguesa, na equipe do Dr. Sergio Oliveira, aperfeiçoou-se em plastia de válvulas na Cleveland Clinic, acompanhando Dr. Delos Cosgrove, e em cirurgia de cardiopatia congênita complexa, no Children Hospital – Harvard Medical School, acompanhando Dr. Aldo Castañeda. Foi também cirurgião cardiovascular do Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis/SC, por 10 anos. Realiza diariamente procedimentos como: cirurgias de revascularização do miocárdio, cirurgia de válvulas e da aorta, além de implantes de marcapassos cardíacos. Com grande experiência em idosos, vem abordando o tema em congressos nacionais e internacionais.

 

CTA do ebook gratuito sobre causas, sintomas e opções de tratamento para estenose aórtica, produzido pela equipe Seu Cardio, de cirurgia cardiovascular.