Reabilitação Cardiovascular na Doença Arterial Coronária

Reabilitação Cardiovascular na Doença Arterial Coronária

Convidamos a Cardiologista e Médica do Esporte, Dra. Ananda Caixeta Carneiro* (CRM 15082 | Cardiologia 11783), para falar sobre a Reabilitação Cardiovascular. Neste artigo, você saberá a quem são indicados os programas de reabilitação cardiovascular, o que contemplam, os benefícios e os cuidados. Boa leitura! (mais…)

Ecocardiograma e sua Contribuição para a Cirurgia Cardíaca

Ecocardiograma e sua Contribuição para a Cirurgia Cardíaca

Por Dra. Adriana Ferraz Martins (CRM-SC 11909 RQE 5634 e 4895), Cardiologista e Ecocardiografista.

O ecocardiograma é uma ferramenta diagnóstica disponível na prática clínica há mais de 30 anos, baseada na ultrassonografia. No decorrer desse tempo, vários avanços tornaram o método mais eficiente e amplamente disponível. O exame destina-se ao diagnóstico e à quantificação das lesões cardíacas, com avaliação da presença, da gravidade e do prognóstico destes problemas.

(mais…)

Profilaxia Odontológica antes da Cirurgia Cardíaca

Profilaxia Odontológica antes da Cirurgia Cardíaca

Convidamos os cirurgiões-dentistas Dra. Beatriz Sacchetti de Almeida (CRO/SC 19174) e Dr. Leonardo Gonçalves Modolon (CRO/SC 20501) a escrever sobre a importância da profilaxia odontológica para pacientes cardíacos, tanto na rotina de cuidados quanto antes de uma cirurgia cardíaca. Confira!

A boca não é um órgão isolado, ela é parte de um único sistema integrado a todo o corpo. Nela, existem milhares de bactérias, a maioria inofensivas, que vivem em equilíbrio quando há um bom cuidado oral. Quando esse equilíbrio se rompe, por cárie, inflamação na gengiva ou infecção, essas bactérias podem entrar na corrente sanguínea através dos pequenos vasos que irrigam os dentes e as gengivas. Uma vez no sangue, elas circulam pelo corpo inteiro e podem chegar a órgãos distantes, inclusive ao coração. É por isso que a ciência hoje trata a saúde bucal como parte da saúde cardiovascular, e não como algo isolado. Portanto, o acompanhamento odontológico regular é essencial para aqueles que convivem com uma doença cardíaca ou que irão se submeter a um tratamento cardiovascular.

O dentista é o profissional especializado para lhe orientar sobre a profilaxia odontológica. Assim, é peça-chave no trabalho multidisciplinar, ajudando a prevenir e diagnosticar problemas que vão muito além da saúde bucal.

Doenças cardíacas e bacteremia de origem bucal

Quando bactérias da boca entram na corrente sanguínea, ocorre o que os especialistas chamam de bacteremia transitória. Isso acontece rotineiramente com hábitos simples do dia a dia, como: mastigar, escovar os dentes e usar fio dental. No entanto, é ainda mais frequente quando há doença periodontal ou cárie não tratada. Se essas bactérias chegarem aos tecidos do coração, especialmente em válvulas já fragilizadas ou em próteses valvares, podem provocar uma endocardite infecciosa.

Segundo a American Heart Association (AHA), os pacientes com maior risco de desenvolver endocardite infecciosa, e que mais se beneficiam de cuidados odontológicos rigorosos, são:

Consulta odontológica pré-operatória

A consulta odontológica antes da cirurgia cardíaca não é apenas uma recomendação, é parte do protocolo de segurança. O objetivo é encontrar e tratar qualquer foco de infecção na boca, como cáries, inflamação na gengiva, dentes com raiz infeccionada, dentes quebrados ou feridas na mucosa, antes que o paciente entre no centro cirúrgico. Isso porque qualquer infecção ativa na boca pode liberar bactérias na corrente sanguínea durante ou depois da cirurgia, aumentando o risco de complicações.

Isso não é só bom senso, a ciência confirma:

  • Pesquisas mostram que mais da metade dos pacientes que vão fazer cirurgia de válvula cardíaca precisa extrair algum dente antes do procedimento. Além disso, cerca de metade também precisa de tratamento na gengiva. Ou seja, é comum encontrar algo para tratar e,  por isso, a avaliação prévia é tão importante.

Na consulta odontológica pré-operatória, o dentista vai examinar clinicamente a boca e solicitar radiografias. Isso pode ocorrer mesmo se o paciente não tiver todos os dentes, porque lesões no osso ou na gengiva também podem esconder uma infecção. Portanto, esses cuidados devem ser realizados com antecedência, para dar tempo de tratar qualquer problema antes da data da cirurgia.

Profilaxia odontológica com antibióticos

Além da eliminação de focos infecciosos, o dentista pode indicar a profilaxia antibiótica antes do atendimento odontológico. Especialmente no caso de procedimentos que envolvam sangramentos, manipulação da gengiva, da região periapical dos dentes ou perfuração da mucosa oral, esse cuidado é necessário.

Esse tema é estudado há décadas pelas principais sociedades de cardiologia do mundo. Em 2021, a American Heart Association (AHA) reafirmou que o antibiótico preventivo antes de ir ao dentista deve ser usado apenas pelos pacientes de maior risco, como portadores de próteses valvares ou pessoas que já tiveram endocardite. Para a grande maioria das pessoas, mesmo as cardiopatas, o antibiótico não é necessário. Segundo a própria AHA, manter a boca saudável e visitar o dentista regularmente protege mais o coração do que tomar antibiótico antes de cada consulta.

Quando indicada, a profilaxia odontológica com antibióticos mais utilizada é uma dose única de amoxicilina, tomada entre 30 e 60 minutos antes do procedimento odontológico. A clindamicina, antes usada como alternativa para pacientes alérgicos à penicilina, deixou de ser recomendada pela AHA em 2021 por associação a reações adversas mais frequentes e mais graves.

Por que a visita regular ao dentista é insubstituível

Vale reforçar: nenhuma dose de antibiótico substitui o acompanhamento odontológico contínuo. Um estudo clássico de 1984 mostrou que as chances de bacteremia transitória pelos hábitos diários de higiene bucal inadequada são até 8.000 vezes maiores do que as chances associadas a um procedimento odontológico profissional isolado. Ou seja, o maior risco não está na cadeira do dentista, mas sim na boca sem cuidado diário e sem acompanhamento.

Para pacientes cardiopatas, e especialmente para quem já tem prótese valvar cardíaca, essa lógica se traduz em uma rotina de cuidados:

  • Escovar os dentes com escova de cerdas macias e cabeça pequena, trocando-a a cada três meses;
  • Usar o creme dental fluoretado;
  • Utilizar o fio dental corretamente, todos os dias;
  • Repor dentes ausentes com próteses ou implantes adequados, evitando espaços que facilitam o acúmulo de bactérias;
  • Visitar o cirurgião-dentista a cada seis meses (ou com a frequência que ele indicar), informando sempre sobre a condição cardíaca e medicamentos em uso, para que qualquer foco infeccioso seja identificado e tratado precocemente, antes que vire um problema para o coração.

O papel do dentista no cuidado multidisciplinar

Mesmo com os avanços em diagnóstico, técnicas cirúrgicas e antibioticoterapia, a endocardite infecciosa costuma ser uma condição de saúde grave. Isso torna a prevenção, com orientação conjunta do cardiologista e do dentista, a estratégia mais eficaz disponível hoje.

O dentista conhece em profundidade os processos que levam à bacteremia transitória. Além disso, é o profissional habilitado a avaliar, caso a caso, se a profilaxia antibiótica é indicada e tratar qualquer foco infeccioso bucal antes que represente risco ao coração.

Procure um profissional de confiança para a profilaxia odontológica. Converse com profissionais qualificados sobre sua condição cardíaca e mantenha o acompanhamento odontológico regular como parte do seu cuidado cardiovascular. A equipe odontológica do Hospital SOS Cárdio possui o conhecimento necessário para apoiar esse cuidado, sempre em conjunto com o cardiologista e o cirurgião cardíaco responsáveis pelo paciente.

 

 

Falta de sensibilidade na cicatriz após cirurgia cardíaca

Falta de sensibilidade na cicatriz após cirurgia cardíaca

A falta de sensibilidade na cicatriz da cirurgia cardíaca é uma das preocupações dos pacientes no pós-operatório. Em geral, o sintoma é uma reação comum do organismo. Acontece em qualquer lesão na pele que possa afetar terminações nervosas locais.

Em algumas áreas do corpo, essa reação tende a ser maior. É o caso de mãos e pés, por apresentarem um maior número dessas terminações nervosas. Tórax, abdômen e membros possuem 4x menos terminações em relação às extremidades. (mais…)