Cirurgia Cardíaca em Idosos: agregando vida aos anos

Cirurgia Cardíaca em Idosos: agregando vida aos anos

*Post atualizado em abril/2021

A cirurgia cardíaca em idosos é cada vez mais comum. Afinal, as pessoas estão vivendo mais e a população de pacientes idosos aumenta no mundo todo. Com o avanço da idade, há também o avanço da Medicina para o tratamento de diversos problemas vivenciados na terceira idade.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicados em 202 revelam que a expectativa de vida do brasileiro é, em média, de 76,6 anoa. Em 2019, a esperança de vida da mulher chegou a 80,1 anos e do homem 73,1 anos. 

Mas, a idade é por si só um fator de risco para a cirurgia cardíaca? O idoso é um ser muito frágil para ser operado?

Idade é diferente de fragilidade

Em primeiro lugar, precisamos diferenciar idade de fragilidade. A idade passa a ser um fator de risco quando traz uma série de doenças associadas. Mas vamos imaginar um idoso que chega aos 80 anos com uma doença de coronária, que é a obstrução  (“entupimento”) das artérias do coração. Ele tem uma atividade cerebral e uma vida absolutamente normais. No entanto, não consegue mais fazer sua caminhada habitual porque tem dor no peito. Está limitado nas suas atividades físicas, porque cansa. Esse idoso tem uma doença no coração. Ponto. Só isso. Tratada a doença, ele volta a ter uma vida normal novamente. 

Apesar da enorme colaboração que a cirurgia cardíaca em idosos pode trazer à qualidade de vida dos pacientes, são bastante comuns os questionamentos. “Ele já tem 84 anos, o que a cirurgia vai acrescentar de sobrevida para ele?” A questão não é se ele vai viver até os 90 ou 95 anos, mas como esse idoso vai viver. E isso, a cirurgia pode devolver: a qualidade de vida que ele perdeu diante da doença cardíaca que adquiriu. Além disso, em muitos casos, aumenta sim a sobrevida, mesmo nesta faixa etária mais avançada.

Com os avanços tecnológicos da medicina aliados ao maior acesso à informação, os idosos passaram a ter uma melhor qualidade de vida. Assim, são mais ativos, independentes e biologicamente mais fortes. Tratamentos mais eficazes, busca pela boa alimentação e hábitos saudáveis são fatores que contribuem para que os idosos tenham uma sobrevida satisfatória após uma cirurgia cardíaca.

A Cirurgia Cardíaca em Idosos com Boa Saúde  

Um estudo publicado pela Journal of the American Geriatrics Society, divulgado pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, o fator idade não é mais justificativa para não serem realizados procedimentos médicos em indivíduos acima de 80 anos.

A cirurgia cardíaca em idosos em situação semelhante ao exemplo acima tem resultados excelentes. Inclusive, surpreendentemente melhores do que em pessoas de meia idade que já acumulam várias doenças. Isso porque o idoso que chegou aos 80 anos com apenas uma doença no coração mostrou que é um ser biologicamente mais forte. Passou por várias etapas da vida, nas quais outras doenças incidem. No entanto, chegou à idade mais avançada apresentando uma única doença. Então, a cirurgia cardíaca em idosos desse tipo tem baixa taxa de mortalidade. O idoso volta às suas atividades e a família se surpreende com sua resistência, que na verdade já poderia ser observada pela vida que ele leva.

Com o aumento da população de pacientes idosos, a incidência das doenças degenerativas das válvulas cardíacas, comuns nessa faixa etária, também cresce. Para o paciente idoso que tem um problema isolado em uma valva cardíaca, por exemplo, a abordagem cirúrgica precoce impede que a doença valvar comprometa a contratilidade do coração, proporcionando um risco baixo e a devolução de uma qualidade e expectativa de vida normais. Assim, a cirurgia cardíaca em idosos vem ao encontro desse objetivo, devolvendo vida aos anos do paciente

Cirurgia Cardíaca em Idosos com Doenças Associadas

A indicação de cirurgia cardíaca em idosos que possuem alguma doença associada, que estejam acamados ou que pouco se comuniquem, por exemplo, deve ser avaliada entre médicos, paciente e seus familiares. É fundamental que se tenha em mente o quanto esse paciente irá ou não se beneficiar do procedimento. Em outras palavras, é necessário avaliar seus riscos e benefícios. Para isso, contar com a assistência de bons profissionais nas áreas de Cardiologia Clínica e de Cirurgia Cardíaca é fundamental para apresentar e avaliar claramente o melhor para cada caso.

É comum, em idosos, a descoberta de um problema cardíaco durante a realização de exames para outras doenças, como câncer, por exemplo. Nestes casos, em geral, é indicada a realização da cirurgia do coração primeiro. A medida visa diminuir os riscos no tratamento da outra doença (tumores, transplantes, etc). O coração é sempre colocado em primeiro lugar, pelo risco que ele representa para os outros tratamentos. Uma vez protegido o coração, o tratamento de doenças associadas tende a obter melhores resultados.

Caso tenha dúvidas sobre a relação risco x benefício da cirurgia cardíaca em idosos, converse com o médico que acompanha o caso. Informe-se também com o cirurgião cardiovascular. Em conjunto e com uma avaliação criteriosa, será definida a melhor conduta.

Para saber quais são as principais orientações sobre cirurgias cardíacas, faça o download da cartilha gratuita sobre Pré e Pós-Operatório da Cirurgia Cardíaca:

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Cicatrização da Ferida Operatória após Cirurgia Cardíaca

Cicatrização da Ferida Operatória após Cirurgia Cardíaca

Muitos pacientes ficam preocupados diante da vermelhidão nos pontos da cirurgia cardíaca. Essa condição pode acontecer no processo de cicatrização da ferida operatória. Já falamos aqui no blog da equipe Seu Cardio sobre a importância da correta higienização da ferida. Agora, vamos explicar como é o processo de cicatrização e sinais que podem indicar atenção.

Processo de Cicatrização da Ferida Operatória

As incisões realizadas na sua cirurgia passarão por diversos estágios de cicatrização. Depois da leve dor inicial no local, a ferida poderá formigar, coçar ou ficar dormente, na medida em que a cicatrização progredir. É comum sentir dormência no lado do tórax, sobre a região mamária, se você foi submetido a uma cirurgia de revascularização do miocárdio com utilização das artérias mamárias. Esta dormência tem durabilidade e intensidade variáveis, mas costuma desaparecer logo.

As lesões operatórias devem ser mantidas sem curativo. A fim de contribuir para a cicatrização, a higiene da pele e das incisões cirúrgicas deverá ser realizada diariamente, com água e sabonete antisséptico. Não retire qualquer crosta, porque ela protege os novos e delicados tecidos em crescimento.

Em linhas gerais, o processo de cicatrização da ferida operatória pode ser divido em três fases. São elas:

1. Fase inflamatória:

É caracterizada pela presença de secreção. Esta fase pode durar de 1 a 4 dias, a depender da extensão da área a ser cicatrizada e da natureza da lesão. Neste período, a ferida pode apresentar edema (inchaço), dor e vermelhidão.

2. Fase proliferativa – regenerativa:

Esta etapa da cicatrização da ferida operatória pode durar entre 5 e 20 dias. Caracteriza-se pela proliferação de fibroblastos, sob a ação de citocinas, dando origem a um processo chamado de fibroplasia. Ao mesmo tempo, ocorre a proliferação de células endoteliais, com formação de rica vascularização (angiogênese), infiltração de macrófagos, formando o tecido de granulação.

3. Fase de reparo:

É a fase de maturação, iniciando-se no 21o dia e podendo durar meses. Nesta fase, há uma maturação das fibras colágenas e uma remodelação do tecido cicatricial formado na fase anterior. Além disso, há um aumento da resistência do tecido, diminuindo-se a espessura da cicatriz e reduzindo-se a sua deformidade. Durante este período, a cicatriz, progressivamente, altera a sua tonalidade, passando do vermelho escuro à rosa claro.

Fatores que interferem na cicatrização

O processo de cicatrização da ferida operatória pode variar bastante de uma pessoa para outra. Em geral, essa variação decorre de fatores locais, referentes às características da própria ferida, e sistêmicos, referentes às condições de saúde de cada um. Veja abaixo:

Fatores relacionados diretamente à ferida:

  • Características: dimensão e profundidade da lesão; presença de secreção, hematomas, edemas e corpos estranhos.
  • Cuidados adotados: higienização da ferida, material e curativos utilizados.
  • Isquemia tecidual: falta de oxigenação local, que dificulta a chegada de células inflamatórias à zona lesada, diminuindo-se a proliferação dos fibroblastos e a síntese de colágeno.
  • Infecção local: quando o processo de cicatrização é retardado por conta de contaminação bacteriana.

Fatores sistêmicos:

  • Idade: a idade avançada diminui a resposta inflamatória.
  • Estado nutricional: interfere em todas as fases da cicatrização, resultando na sua demora e podendo levar a deiscência de suturas.
  • Doenças crônicas: doenças metabólicas sistêmicas, diabetes mellitus.
  • Tratamento tópico inadequado.

Como acelerar a cicatrização da ferida operatória?

Em linhas gerais, algumas ações podem contribuir para acelerar o processo de cicatrização da ferida operatória. Entre eles, podemos citar: realizar a correta higienização da ferida, manter o organismo bem hidratado e uma dieta equilibrada, com adequada quantidade de proteínas, gorduras e carboidratos. 

Por isso, recomenda-se que os pacientes que passam por uma cirurgia cardíaca sejam acompanhados por uma equipe multidisciplinar. O cuidado integrado e global auxilia na orientação e acelera a recuperação dos pacientes.

Quando o paciente apresenta secreção purulenta, febre ou outros sinais diferentes do que os apresentados acima, é importante consultar o cirurgião para orientação médica.

 

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Pré e Pós-operatório de Cirurgia Cardíaca: orientações aos pacientes

Pré e Pós-operatório de Cirurgia Cardíaca: orientações aos pacientes

Em nossa vivência, acompanhamos a ansiedade e a angústia que a maioria dos pacientes sente diante da indicação de um cirurgia cardíaca. Não apenas os pacientes, mas também seus familiares. Pensando nisso, elaboramos uma cartilha de orientações sobre pré e pós-operatório de cirurgia cardíaca. Nela, compilamos todas as informações necessárias para enfrentar uma cirurgia cardíaca com maior tranquilidade e segurança.

Cartilha Pré e Pós-operatório de Cirurgia Cardíaca

Esse material fornece informações sobre todas as etapas relacionadas à cirurgia cardíaca, em formato pronto para impressão. Você encontrará orientações sobre:

  • O que é importante fazer antes da Internação hospitalar
  • O que irá acontecer no dia da Internação 
  • Como será o dia da cirurgia cardíaca
  • O que acontece no período pós-operatório na UTI
  • O que esperar na volta para o quarto do hospital
  • Orientações e cuidados no retorno para casa, após a alta hospitalar
  • Respostas às perguntas frequentes de pacientes e familiares
  • Espaço para anotações de dúvidas e registro das consultas

Para fazer o download gratuito da cartilha de orientações para pacientes e familiares, clique no botão abaixo:

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Essa cartilha de orientações sobre o pré e pós-operatório de cirurgia cardíaca contempla informações que independem do tipo de cirurgia cardíaca a ser realizada: revascularização do miocárdio, cirurgias de implante ou troca de válvula, cirurgias da aorta e cirurgias de correção de cardiopatias congênitas. Caso haja alguma peculiaridade relativa à uma técnica específica, estará ressaltada no texto.

A cirurgia cardíaca é sempre um momento delicado e que mexe com as nossas emoções. Isso é normal e procuramos oferecer suporte aos nossos pacientes e à comunidade em geral, para que encontre respostas às suas ansiedades e dúvidas. Afinal, estamos lidando com o coração, um órgão diretamente relacionado à nossa vida e nossos sentimentos.

Esperamos que você aproveite o material. Ele foi elaborado pelos cirurgiões cardiovasculares da Equipe Seu Cardio. Caso ainda tenha alguma dúvida, não hesite em entrar em contato conosco! Teremos grande satisfação em ajudar você!

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*Conteúdo publicado em agosto/2016 e atualizado em fevereiro/2020.

Cirurgia Cardíaca: válvula mecânica e anticoagulação

Cirurgia Cardíaca: válvula mecânica e anticoagulação

As doenças valvares cardíacas afetam cerca de 100 milhões de pessoas em todo o mundo. Estima-se que 20% das cirurgias cardíacas são para implante de prótese valvar. Os portadores de próteses valvares mecânicas precisam ter disciplina quanto à medicação anticoagulante. Afinal, a prótese mecânica possui maior risco de formação de trombos (coágulos) do que a biológica. Neste post, explicaremos mais sobre a relação entre válvula mecânica e anticoagulação.

Risco de Formação de Trombos

A prótese valvar mecânica é feita de metal e não possui nenhum componente eletrônico, tal como pilha, transistor etc. Na sua grande maioria, são apenas dois discos de metal que abrem e fecham, por diferença de pressão.

Em contato com o sangue, o metal faz com que haja uma tendência de formação de coágulos em volta da prótese. Assim, se um coágulo se formar no meio dos discos, pode causar o mau funcionamento da prótese e comprometer o seu desempenho. Nesse caso, pode haver necessidade de uma outra cirurgia, para troca da prótese mecânica. Outro problema relacionado à formação do coágulo é o seu desprendimento da prótese. Caso ele se desprenda, a circulação sanguínea pode levá-lo até o cérebro, ocasionando um Acidente Vascular Cerebral Isquêmico – AVC.

A formação de coágulo é um risco relacionado à prótese mecânica. Por isso, sempre temos a associação entre válvula mecânica e anticoagulação.

Estima-se que a formação de trombos ocasionada pelas próteses mecânicas atinja de 0,1 a 5,7% pacientes por ano. No entanto, por muitas vezes ser assintomática, acredita-se que a incidência seja ainda maior, de até 9,4%.

Medicação Anticoagulante

As complicações ocasionadas pela formação de coágulos junto à prótese mecânica devem ser evitadas com o uso correto de medicação anticoagulante. Essa medicação é imprescindível para os portadores de prótese valvar mecânica.

“A medicação anticoagulante é de baixo custo, fácil de ser encontrada e simples de ser tomada, pois trata-se de uma dose única diária. Na maioria dos casos, o grande problema com o uso de anticoagulante está relacionado à disciplina do paciente e sua adesão ao tratamento. No entanto, é fundamental que o portador de uma prótese valvar mecânica não se esqueça de usar a medicação diariamente.” – Dr. Sergio Lima de Almeida (CRM 4370 RQE 5893), cirurgião cardiovascular.

Controle Adequado da Anticoagulação

Outro ponto importante e que exige disciplina do portador de uma prótese mecânica é o controle periódico da anticoagulação. Esse controle é realizado através de um exame de sangue e com o acompanhamento do Cardiologista Clínico, que define a periodicidade.

O exame de controle de anticoagulação (comumente chamado Controle de TAP) é simples, mas fundamental. O resultado é de fácil leitura e permite a interpretação pelo próprio paciente, que tem condições de saber se está ou não com o nível adequado de anticoagulação sanguínea. No entanto, esta facilidade não exclui a necessidade de acompanhamento médico periódico e é também um ponto de alerta.

“Muitas vezes, com o controle de anticoagulação apresentando resultados dentro da faixa adequada, o paciente deixa de fazer o controle periódico. Isso pode trazer sérias consequências. Entre elas, elevar os riscos decorrentes da formação de coágulos junto à prótese valvar mecânica. Assim, é totalmente contraindicado.” – Dr. Sergio Lima de Almeida (CRM 4370 RQE 5893), cirurgião cardiovascular.

Outro ponto extremamente importante é o acompanhamento do nível adequado de anticoagulação com o cardiologista clínico. Cada paciente possui peculiaridades clínicas que demandam a correta avaliação médica. Um exemplo é a interação entre medicamentos que podem interferir na ação dos anticoagulantes. Por isso, o portador de uma prótese mecânica não deve tomar qualquer remédio sem antes perguntar ao seu cardiologista clínico.

Anticoagulação e Hemorragia

Apesar de essencial para o bom funcionamento da válvula mecânica e da saúde do seu portador, o anticoagulante tem um contraponto: torna o sangue pouco coagulável. Dessa forma, pode ser um problema em algumas situações.

No caso de grandes cortes, acidentes ou em cirurgias de urgência, a possibilidade de um sangramento maior é grande. E isso pode aumentar o risco pela presença do anticoagulante. Por isso, quem usa anticoagulante deve evitar situações que envolvam riscos de acidentes graves. Esportes radicais e até mesmo andar de moto estão nesse rol. O mesmo vale para esportes de alto impacto, como futebol ou vôlei. Um trauma pode levar a uma hemorragia dentro da articulação, prejudicando-a para o resto da vida.

Nas atividades domésticas, pequenos acidentes como cortar o dedo com uma faca de cozinha, por exemplo, não representarão risco à saúde. O corte irá demorar mais para parar de sangrar, pode vir a precisar de compressão e, em alguns casos, de cauterização, mas sem impacto à saúde.

Uma questão frequente entre pacientes do sexo feminino é sobre a atuação do anticoagulante na menstruação. A anticoagulação não costuma interferir sobre o ciclo menstrual. Ou seja, não causa aumento do fluxo ou qualquer outro impacto.

Caso tenha alguma dúvida sobre a relação entre válvula mecânica e anticoagulação, converse com seu cardiologista clínico. É importante que você saiba os seus níveis ideais de anticoagulação sanguínea e também como – e quando – acompanhá-los.

 

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Válvula Mecânica ou Biológica: qual a mais adequada?

Válvula Mecânica ou Biológica: qual a mais adequada?

Não existe uma válvula “melhor” entre a mecânica e a biológica. A escolha depende de fatores como idade do paciente, estilo de vida, disciplina no uso contínuo de anticoagulantes e aceitação diante da possibilidade de uma nova troca futura. Cada tipo de prótese valvar atende melhor a um perfil diferente de paciente.

A opção entre válvula mecânica ou biológica é uma das principais dúvidas das pessoas que recebem a indicação de uma cirurgia cardíaca para troca de válvula do coração. Atualmente, são realizadas mais de 300 mil cirurgias de troca valvar por ano no mundo. Segundo  estimativas da literatura clínica internacional, o número deve triplicar até 2050, com o envelhecimento da população.

Neste post, vamos abordar alguns critérios que são analisados no momento da escolha. A decisão deve ser amplamente conversada com o Cardiologista Clínico e o Cirurgião Cardiovascular. Os médicos terão condições de avaliar cada caso em particular e de orientar o paciente sobre a melhor prótese valvar para o seu caso.

Qual a diferença entre válvula mecânica e biológica?

O cirurgião cardiovascular Dr. Sergio Lima de Almeida (CRM-SC 4370/RQE 5893), chefe da equipe Seu Cardio, de Cirurgia Cardiovascular em Florianópolis/SC, explica os tipos de próteses valvares cardíacas:

“Podemos dizer que, se existem dois tipos de próteses valvares para se escolher, é porque cada tipo atende a uma necessidade em especial. Assim, não há um tipo de prótese valvar melhor ou pior, mas aquele que se adequa melhor às características de cada pessoa – agora e a longo prazo.” –  Dr. Sérgio Lima de Almeida (CRM-SC 4370/RQE 5893), Cirurgião Cardiovascular em Florianópolis/SC. 

A grande diferença entre as próteses de válvula mecânica ou biológica está no tipo de material com a qual são feitas. As próteses valvares mecânicas são feitas de metal, enquanto que as próteses biológicas, na maioria das vezes, são de tecido de porco ou de boi. Quando se fala isso, a primeira reação é se perguntar sobre o risco de rejeição da prótese. Porém, o tecido animal utilizado passa por um processo de antigenicidade, ou seja, essa característica elimina qualquer risco de rejeição.

Critérios para a escolha entre prótese mecânica ou biológica

Abaixo, apresentamos os principais fatores que devem ser analisados para se chegar à conclusão da melhor opção de prótese de válvula cardíaca para cada paciente, entre mecânica e biológica. Entenda os prós e contras de cada tipo:

1. Durabilidade das Próteses Valvares Cardíacas

O impacto da diferença entre a durabilidade das válvulas mecânicas e das válvulas biológicas está centrado na necessidade de uma futura reoperação. As válvulas mecânicas tem uma durabilidade longa, normalmente a vida inteira. Por outro lado, as válvulas biológicas, de modo geral, precisam ser trocadas um dia. Isso porque elas degeneram, devido ao metabolismo do cálcio no organismo, assim  levam o paciente a precisar de uma nova cirurgia para a troca da prótese valvar no futuro.

Aí surge outra questão: alguém escolhe prótese biológica para operar de novo? Sim, pois este não é o único critério que define a opção entre válvula mecânica ou biológica.

2. Uso Contínuo de Medicação Anticoagulante

A prótese mecânica, por ser de metal, requer o uso de medicação anticoagulante de uso contínuo. E isso cria uma condição que o paciente não tem: torna o seu sangue pouco coagulável.

A necessidade da anticoagulação, associada às próteses mecânicas, se deve ao fato de que elas tendem a formar coágulos. Caso surjam, há o risco de travamento do disco da prótese e de embolias (quando parte do coágulo se solta), inclusive de embolia cerebral. Por isso, a disciplina do paciente e seu comprometimento com o tratamento são fundamentais, tanto em relação à tomar a medicação anticoagulante quanto realizar o controle da anticoagulação, através do exame de TAP. Até mesmo o seu estilo de vida precisa ser levado em conta, devido aos riscos desse tipo de medicação. 

Por isso, pessoas que praticam esportes radicais ou cuja profissão pode acarretar acidentes, como o caso de caminhoneiros, por exemplo, devem avaliar bem essa questão.

3. Idade do paciente no implante da válvula cardíaca

Antes de abordarmos qual a melhor escolha para cada pessoa, precisamos considerar a idade do paciente na cirurgia de implante da prótese valvar cardíaca. 

“No caso das válvulas biológicas, a duração da prótese é inversamente proporcional à idade. Assim, em pacientes jovens, a durabilidade da prótese biológica é menor, enquanto que, nos idosos, é maior. Por isso, a idade é mais um fator a ser considerado, já que a durabilidade implica em uma nova cirurgia cardíaca para a troca da prótese.” – Dr. Sérgio Lima de Almeida (CRM-SC 4370/RQE 5893).

Em geral, pela necessidade de troca futura das válvulas biológicas, há uma tendência maior de uso das válvulas mecânicas entre os mais jovens. Logicamente, lembrando que este não é um critério a ser avaliado isoladamente, como já apresentado acima.

Reoperação para Troca da Prótese Mecânica

É fundamental destacar que o implante de uma prótese mecânica não elimina totalmente a necessidade de uma nova intervenção. Quando acontece, a reoperação para troca da prótese mecânica geralmente decorre de dois fatores principais:

  • Uso incorreto do anticoagulante: quando o paciente erra a dose para menos, o risco de formação de coágulos na prótese aumenta. Nesses casos, muitas vezes é necessária nova cirurgia para realizar a troca da prótese mecânica.
  • Infecções nas próteses: tanto as válvulas mecânicas quanto as biológicas estão sujeitas a processos infecciosos que podem demandar a troca da prótese. 

Infecção na Prótese Valvar Mecânica ou Biológica

Tanto as próteses valvares mecânicas quanto as biológicas podem sofrer processos infecciosos com necessidade de troca cirúrgica. Normalmente, as infecções dentárias são a fonte mais comum desses quadros. 

Assim, a principal forma de prevenção contra infecções em próteses cardíacas é o cuidado adequado com a saúde bucal. É indispensável realizar profilaxia dentária e evitar procedimentos odontológicos sem a devida cobertura antibiótica. Portanto, consulte sempre seu cardiologista, seu cirurgião cardiovascular e um dentista especializado na área.

Qual a melhor prótese valvar cardíaca para jovens?

Uma vez que as próteses biológicas duram menos do que as mecânicas, dependendo da idade do paciente, ele precisará passar por algumas reoperações futuras para a troca. Se tomarmos como exemplo um jovem que implanta uma válvula biológica aos 20 anos de idade, provavelmente ele terá duas ou mais reoperações ao longo da vida. Isso porque, quanto mais jovem o paciente, devido ao metabolismo do cálcio no corpo, menos a prótese biológica dura. Por isso, nesses casos, geralmente se indica uma prótese mecânica, caso não exista uma contraindicação formal à anticoagulação.

Qual a melhor prótese na idade adulta: mecânica ou biológica?

Na faixa de 40-50 anos, ao optar por uma válvula mecânica, o paciente precisará passar por um longo período da sua vida usando anticoagulantes. Porém, alguns estudos nos Estados Unidos mostram que o uso de anticoagulantes a longo prazo pode ter maior risco do que uma primeira reoperação. 

Caso opte por uma válvula biológica, o paciente adulto também precisará de nova cirurgia cardíaca futura para a troca da prótese. Afinal, ela terá maior durabilidade do que no jovem, mas ainda assim irá se desgastar. Nesse sentido, se considerarmos que a primeira válvula biológica dure 15 anos e a segunda 20 anos, este adulto poderá ter uma ou duas reoperações na vida. No entanto, há algumas alternativas que precisam ser consideradas:

a. Tecnologia de maior durabilidade

A tecnologia vem avançando e contribuindo para maior durabilidade das próteses biológicas. Um exemplo é a tecnologia Resilia, que retarda o processo degenerativo de calcificação. 

b. Valve-in-Valve

Algumas trocas valvares podem ser realizadas por um procedimento chamado Valve-in-Valve. Trata-se de uma abordagem percutânea, ou seja, via cateter, na qual o cirurgião implanta uma nova prótese biológica dentro da outra já existente. Assim, o paciente passa por uma troca valvar sem necessidade de uma intervenção cirúrgica semelhante ao seu primeiro implante.

Diante desses pontos, é fundamental analisar as alternativas caso a caso, considerando prós e contras das próteses mecânicas e biológicas conforme as opções disponíveis para cada paciente.

Qual a melhor opção de válvula cardíaca para idosos?

Para as pessoas com mais de 65 anos, há uma tendência maior ao implante de prótese biológica. Em geral, na faixa entre 65 e 70 anos, a prótese biológica tem uma durabilidade de cerca de 20 anos ou mais. Além disso, nesta faixa etária, os riscos de medicação anticoagulante estão relacionados à maior incidência de hemorragia cerebral do que em pessoas jovens. Por isso, a prótese biológica acaba sendo a opção mais indicada – mas ainda lembrando que a idade não deve ser o único critério de escolha.

Como escolher entre válvula mecânica ou biológica?

Quem necessita de uma troca de válvula do coração se vê diante de dois caminhos. O primeiro, de enfrentar o risco da anticoagulação diária, afastando a necessidade de reoperação futura (optando por válvula mecânica). O segundo, de aceitar a possibilidade de vir a ser operado novamente, mas sem conviver os riscos da anticoagulação (optando por válvula biológica).

Por isso, este assunto é bastante complexo e depende muito da opção de cada paciente. No entanto, é fundamental que a decisão seja realizada de forma bem consciente. Assim, converse com seu Cardiologista Clínico e com o seu Cirurgião Cardiovascular e esclareça todas as suas dúvidas. Eles irão lhe orientar e definir, junto com você, a melhor escolha para o seu caso. Se tiver alguma dúvida, conte conosco!

Perguntas Frequentes (FAQ)


Válvula mecânica ou biológica: qual dura mais?

A mecânica costuma durar a vida inteira, mas exige anticoagulante contínuo. A biológica tem durabilidade limitada (varia com a idade do paciente), mas dispensa a medicação de anticoagulação e o controle de rotina.


Quem usa válvula mecânica precisa tomar remédio para sempre?

Sim. A prótese mecânica exige uso contínuo de anticoagulante e controle periódico de TAP.


A idade influencia na escolha da prótese?

Sim: válvulas biológicas duram mais em pacientes mais velhos, enquanto pacientes mais jovens tendem a precisar de reoperação mais cedo.


Existe alguma prótese biológica que dura mais?

Sim, algumas próteses contam com tecnologia que lhes confere maior durabilidade, como é o caso da tecnologia Resília.

Sobre o autor: 

Conteúdo escrito com base em entrevista com o Dr. Sergio Lima de Almeida (CRM 4370 / RQE 5893), médico, cirurgião cardiovascular em Florianópolis/SC.

Problemas na Valva Mitral: quando e qual cirurgia fazer

Problemas na Valva Mitral: quando e qual cirurgia fazer

A cirurgia para o tratamento dos problemas na valva mitral consiste em dois tipos. Há as trocas valvares e a cirurgia de reparo da valva. Essa última, chamada plastia valvar, vem ganhando grande importância na área médica.

As doenças crônicas que acometem a valva mitral dividem-se em dois grandes grupos. Em um, estão  as doenças degenerativas da valva, cujo tratamento principal é a plastia. No outro, estão as doenças relacionadas às consequências das lesões causadas na valva pela  doença reumática.

A doença reumática, quando acomete as valvas cardíacas, costuma comprometer pacientes mais jovens. Normalmente, não é possível a realização da plastia nesses casos. Principalmente, devido à calcificação da valva, às vezes associada a severas retrações.  Por isso, para os problemas na valva mitral relacionados às doenças reumáticas, a indicação mais frequente é a troca valvar por uma prótese.

Por que a plastia mitral tem um resultado ruim nas sequelas da doença reumática? A seguir, Dr. Sergio Lima de Almeida (CRM-SC 4370 RQE 5893), cirurgião Chefe do Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital SOS Cárdio, esclarece essa questão.

Plastia da Valva Mitral 

A plastia nada mais é do que um reparo na valva mitral que estava doente. Esse reparo pode ser feito de algumas maneiras. Uma opção é corrigir o tecido degenerado dessa valva. 

“A valva mitral tem determinadas estruturas que se assemelham às cordas de paraquedas. Elas podem ser encurtadas, alongadas ou substituídas quando o problema da valva mitral se relaciona a um defeito dessas cordas”. – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular em Florianópolis/SC (CRM 4370 / RQE 5893)

Normalmente, na cirurgia de plastia, após a correção dos problemas da valva mitral, é colocado um anel em torno dela. O objetivo desse procedimento é elevar a durabilidade da plastia. Esse anel não deteriora, como ocorre com as próteses biológicas. Além disso, dispensa o uso de anticoagulantes após a cirurgia.

A plastia valvar é o principal tratamento para os casos de insuficiência mitral degenerativa. As técnicas aplicadas no procedimento cirúrgico são definidas de acordo com o problema que está comprometendo o bom funcionamento da valva mitral.

Neste post com vídeo aqui, Dr. Sergio aborda os aspectos cirúrgicos da plastia da valva mitral.

Prótese Valvar Mitral

Quando não é possível fazer a plastia para a correção dos problemas na valva mitral, a alternativa é realizar a colocação de uma prótese valvar. Essa prótese pode ser tanto biológica quanto mecância

Próteses Valvares Biológicas em Posição Mitral

A grande diferença das próteses biológicas para a troca da valva mitral em relação à troca da valva aórtica é a durabilidade. As próteses biológicas duram menos na posição mitral. Isso se deve ao fato de a valva mitral trabalhar com maior pressão do que a valva aórtica, no seu regime de fechamento. Em razão disso, o processo degenerativo, comum das próteses biológicas usadas na posição mitral, é mais acelerado.

No entanto, apesar da duração menor, as próteses biológicas em posição mitral obedecem ao padrão de funcionamento da valva em posição aórtica. Assim, quanto mais idoso o paciente, mais lento é o processo degenerativo. Por essa razão, o recomendado para pacientes de maior idade é a utilização de próteses biológicas em posição mitral.

Próteses Valvares Mecânicas em Posição Mitral

Já os pacientes para os quais é orientado o uso de próteses mecânicas em posição mitral é necessário um cuidado maior com a questão do uso de anticoagulante devido ao risco de trombose. O risco de trombose em posição mitral é maior que o risco em posição aórtica.

“Essas questões relacionados à troca de valva mitral, ou seja, uma durabilidade menor das próteses biológicas em posição mitral, quando comparadas com as próteses aórticas, e a exigência de um controle maior com anticoagulação para as próteses mecânicas, quando comparadas com a prótese aórtica, fazem da doença valvar mitral uma doença que requer muito mais critério na tentativa de se buscar a plastia e conservação da valva nativa do paciente. Por isso, as técnicas de plastia vem se desenvolvendo cada vez mais. Atualmente, há uma tentativa de se retardar ou evitar ao máximo a colocação de uma prótese mitral”. – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular em Florianópolis/SC (CRM 4370 / RQE 5893)

Os avanços da Medicina são necessários especialmente quando o paciente é jovem. A razão disso é outra questão abordada a seguir.

Problemas na Valva Mitral em Pacientes Jovens

Quanto mais jovem o paciente com doença valvar mitral, mais complexa é a questão. Afinal, caso necessite de uma prótese, a durabilidade não será longa se a prótese for biológica. Por outro lado, sendo a prótese mecânica, há a necessidade do uso do anticoagulante por toda a vida, que no caso específico do paciente jovem representa um longo período.

Conforme já foi mencionado anteriormente, o paciente jovem com problemas na valva mitral geralmente é o que apresenta doença reumática. Sendo assim, é o perfil de paciente em que a plastia dificilmente servirá para solucionar o problema.

Por esta razão, a indicação médica é para que seja feito o controle rigoroso das infecções de garganta nas crianças, já que essas infecções são os principais desencadeadores da doença reumática. 

“A sugestão para os pais é para que sempre discutam com os pediatras a respeito desse cuidado”. – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular em Florianópolis/SC (CRM 4370 / RQE 5893)

Também é importante que todo paciente que vai se submeter a uma cirurgia cardíaca receba as orientações adequadamente. Aqui em nosso site dispomos de muitos ebooks gratuitos. Especialmente no caso das cirurgias para tratamento de problemas na valva mitral e aórtica, recomendamos a leitura do ebook Valvas Cardíacas: tudo o que você precisa saber. Este e outros materiais estão disponíveis a todos os pacientes e seus familiares, gratuitamente.

 

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*Artigo produzido com base em entrevista com o cirurgião cardiovascular Sergio Lima de Almeida (CRM-SC 4370 RQE 5893) e publicado originalmente em https://soscardio.com.br/valva-mitral-plastia-troca/.