Pacientes submetidos a cirurgias cardíacas podem necessitar de uma nova intervenção ao longo da vida. Dependendo do tipo de procedimento ou até mesmo da evolução da doença que resultou na cirurgia, a reoperação pode ser indicada. É o caso da reoperação para troca de válvula.(mais…)
A cirurgia cardíaca em idosos é cada vez mais comum. Afinal, as pessoas estão vivendo mais e a população de pacientes idosos aumenta no mundo todo. Com o avanço da idade, há também o avanço da Medicina para o tratamento de diversos problemas vivenciados na terceira idade.
Mas, a idade é por si só um fator de risco para a cirurgia cardíaca? O idoso é um ser muito frágil para ser operado?
Idade é diferente de fragilidade
Em primeiro lugar, precisamos diferenciar idade de fragilidade. A idade passa a ser um fator de risco quando traz uma série de doenças associadas. Mas vamos imaginar um idoso que chega aos 80 anos com uma doença de coronária, que é a obstrução (“entupimento”) das artérias do coração. Ele tem uma atividade cerebral e uma vida absolutamente normais. No entanto, não consegue mais fazer sua caminhada habitual porque tem dor no peito. Está limitado nas suas atividades físicas, porque cansa. Esse idoso tem uma doença no coração. Ponto. Só isso. Tratada a doença, ele volta a ter uma vida normal novamente.
Apesar da enorme colaboração que a cirurgia cardíaca em idosos pode trazer à qualidade de vida dos pacientes, são bastante comuns os questionamentos. “Ele já tem 84 anos, o que a cirurgia vai acrescentar de sobrevida para ele?” A questão não é se ele vai viver até os 90 ou 95 anos, mas como esse idoso vai viver. E isso, a cirurgia pode devolver: a qualidade de vida que ele perdeu diante da doença cardíaca que adquiriu. Além disso, em muitos casos, aumenta sim a sobrevida, mesmo nesta faixa etária mais avançada.
Com os avanços tecnológicos da medicina aliados ao maior acesso à informação, os idosos passaram a ter uma melhor qualidade de vida. Assim, são mais ativos, independentes e biologicamente mais fortes. Tratamentos mais eficazes, busca pela boa alimentação e hábitos saudáveis são fatores que contribuem para que os idosos tenham uma sobrevida satisfatória após uma cirurgia cardíaca.
A Cirurgia Cardíaca em Idosos com Boa Saúde
Um estudo publicado pela Journal of the American Geriatrics Society, divulgado pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, o fator idade não é mais justificativa para não serem realizados procedimentos médicos em indivíduos acima de 80 anos.
A cirurgia cardíaca em idosos em situação semelhante ao exemplo acima tem resultados excelentes. Inclusive, surpreendentemente melhores do que em pessoas de meia idade que já acumulam várias doenças. Isso porque o idoso que chegou aos 80 anos com apenas uma doença no coração mostrou que é um ser biologicamente mais forte. Passou por várias etapas da vida, nas quais outras doenças incidem. No entanto, chegou à idade mais avançada apresentando uma única doença. Então, a cirurgia cardíaca em idosos desse tipo tem baixa taxa de mortalidade. O idoso volta às suas atividades e a família se surpreende com sua resistência, que na verdade já poderia ser observada pela vida que ele leva.
Com o aumento da população de pacientes idosos, a incidência das doenças degenerativas das válvulas cardíacas, comuns nessa faixa etária, também cresce. Para o paciente idoso que tem um problema isolado em uma valva cardíaca, por exemplo, a abordagem cirúrgica precoce impede que a doença valvar comprometa a contratilidade do coração, proporcionando um risco baixo e a devolução de uma qualidade e expectativa de vida normais. Assim, a cirurgia cardíaca em idosos vem ao encontro desse objetivo, devolvendo vida aos anos do paciente.
Cirurgia Cardíaca em Idosos com Doenças Associadas
A indicação de cirurgia cardíaca em idosos que possuem alguma doença associada, que estejam acamados ou que pouco se comuniquem, por exemplo, deve ser avaliada entre médicos, paciente e seus familiares. É fundamental que se tenha em mente o quanto esse paciente irá ou não se beneficiar do procedimento. Em outras palavras, é necessário avaliar seus riscos e benefícios. Para isso, contar com a assistência de bons profissionais nas áreas de Cardiologia Clínica e de Cirurgia Cardíaca é fundamental para apresentar e avaliar claramente o melhor para cada caso.
É comum, em idosos, a descoberta de um problema cardíaco durante a realização de exames para outras doenças, como câncer, por exemplo. Nestes casos, em geral, é indicada a realização da cirurgia do coração primeiro. A medida visa diminuir os riscos no tratamento da outra doença (tumores, transplantes, etc). O coração é sempre colocado em primeiro lugar, pelo risco que ele representa para os outros tratamentos. Uma vez protegido o coração, o tratamento de doenças associadas tende a obter melhores resultados.
Caso tenha dúvidas sobre a relação risco x benefício da cirurgia cardíaca em idosos, converse com o médico que acompanha o caso. Informe-se também com o cirurgião cardiovascular. Em conjunto e com uma avaliação criteriosa, será definida a melhor conduta.
O tamponamento cardíaco é uma emergência cardiológica que pode ter consequências drásticas – inclusive a morte. Por isso, é importante ser diagnosticada e tratada rapidamente. Essa condição pode ser resultado de diversas patologias. E, como exerce uma pressão no coração, impedindo seu correto funcionamento, é grave.
O que é e como ocorre o tamponamento cardíaco?
O coração se encontra dentro de um espaço chamado pericárdio, envolto pelo saco pericárdico. Esse espaço é completamente fechado. Como o coração é um órgão muscular, ele se estende e se contrai para gerar o batimento cardíaco. E, para não gerar atrito, há uma quantidade pequena de líquido dentro do pericárdio.
Se, eventualmente, existir um acúmulo de líquido ao redor do coração – ou seja, no pericárdio – e o saco pericárdico não conseguir mais se expandir, o órgão começa a ser comprimido. Consequentemente, deixa de bater da forma ideal. Isso é o que ocorre no tamponamento cardíaco.
Sempre que há aumento de líquido, o tamponamento cardíaco acontece?
O derrame pericárdico ocorre quando há acúmulo de líquido em volta do coração. Se a quantidade de líquido for pequena, ou a doença for de lenta evolução – ou seja, nos casos em que o pericárdio consiga se adaptar e expandir –, o derrame pode ocorrer sem compressão importante do coração.
Entretanto, mesmo com um acúmulo de líquido ainda pequeno, é imprescindível identificar a causa do derrame. Dessa forma, é possível evitar o tamponamento cardíaco – quando a contratilidade do coração começa a ser afetada.
São causas comuns de derrame pericárdico:
As viroses (causa mais comum de derrame pericárdico de curso benigno);
Tuberculose;
Tumores com metástase no pericárdio.
Quando é preciso ter mais atenção?
Geralmente, a presença de alguns sintomas alerta para a necessidade de uma intervenção médica. Eles indicam um acúmulo de líquido mais grave, que pode comprimir o coração:
Assim, é preciso prestar atenção nos seguintes sintomas,
Fraqueza;
Angústia;
Sensação de aperto no peito.
Quando os sintomas que indicam gravidade estão presentes, o quadro pode evoluir para falência cardíaca em horas. Por isso, o médico deve agir rapidamente para fazer o diagnóstico e a intervenção.
Diagnóstico e tratamento
A identificação de um derrame pericárdico e da quantidade de líquido acumulada pode ser feita através do ecocardiograma. Este é um exame não invasivo do coração. Através dele, o médico visualiza se o órgão está conseguindo se expandir corretamente.
Se o ecocardiograma mostrar uma grande quantidade de líquido no pericárdio, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica. No entanto, a cirurgia costuma ser relativamente simples. Normalmente, é feita uma incisão de até 5 centímetros no tórax, abaixo do osso esterno. Através dela, é possível drenar o líquido acumulado. Em geral, o paciente fica 24 horas com um dreno e o tamponamento cardíaco é revertido. Ainda assim, é necessário investigar qual foi a causa do derrame pericárdico, para também tratá-la corretamente.
É importante destacar que nem todo derrame pericárdico leva ao tamponamento cardíaco e que nem todo derrame pericárdico precisa ser drenado. Inclusive, muitos pacientes convivem com essa condição cronicamente. Porém, é fundamental um acompanhamento médico de qualidade, que investigue e controle a doença de base, prevenindo complicações.
Geralmente, diante da necessidade de se operar o coração, os pacientes passam por uma diversidade de sentimentos. Tanto a ansiedade quanto o medo costumam estar presentes. Além disso, o receio de como será a vida depois da cirurgia cardíaca.
Essa reação comum está muito relacionada ao fato de que a cirurgia representa um risco com hora marcada. Porém, é importante ressaltar que, com a doença, o risco pode ser diário e, até mesmo, maior.
É importante esclarecer que a vida do paciente tem limitações antes do procedimento, impostas por seu problema cardíaco. Assim, um dos objetivos da cirurgia é reduzir essas limitações. Dessa forma, geralmente, a vida depois de se operar o coração não é limitada pelo procedimento em si, mas pela própria doença que levou a pessoa a passar pela cirurgia.
Após a cirurgia, como ficam os sintomas e o risco?
No paciente que tem doença de válvula cardíaca, uma das queixas mais comuns é a falta de ar. O desconforto pode surgir ao realizar atividades muito básicas, como subir um lance de escadas ou varrer a casa. Atividades diárias que antes não causavam cansaço, passam a ficar difíceis. Essa é uma limitação de vida muito grande que, com a correção cirúrgica, na maioria dos casos, desaparece por completo.
No paciente que possui doença coronariana e risco de infarto, a indicação cirúrgica ocorre quando as lesões no coração representam risco elevado de complicações ou, até mesmo, morte. Na maioria dos casos, o tratamento cirúrgico alivia por completo os sintomas e diminui substancialmente o risco.
Restrições depois da cirurgia cardíaca
É comum o medo de restrições na vida depois da cirurgia cardíaca. Com ele, surgem muitas dúvidas e questionamentos sobre a lista de proibições.
Esta lista com certeza possui um item: não fumar. Não fumar é essencial para a manutenção do tratamento do paciente, e isso não está relacionado com o procedimento cirúrgico em si somente, mas sim com a doença que levou o paciente a ser operado. Evidentemente, podem haver outras restrições. No entanto, elas são particularizadas caso a caso.
As recomendações do pós-operatório de cirurgia cardíaca são essenciais para uma vida mais saudável. Quando o paciente tem alguma doença, existem recomendações específicas acerca da sua condição de saúde. Assim, é recomendado controlar os fatores de risco para evitar uma nova cirurgia no futuro.
Alguns exemplos:
O paciente hipertenso deve controlar a ingestão de sal;
Diabéticos não devem abusar do açúcar na dieta;
Os obesos devem ter mais atenção à alimentação e à prática de atividades físicas.
A prevenção é igual para todos
Se o paciente operado não possui nenhum dos fatores de risco, as recomendações para ele no pós-operatório são as mesmas daqueles que nunca operaram o coração, ou seja, hábitos saudáveis de vida. O que varia é aquilo que na medicina chamamos de nível de prevenção.
Prevenção Primária: hábitos saudáveis aplicados por uma pessoa que não tem a doença, mas deseja se prevenir. É o caso de pessoas que nunca passaram por uma cirurgia cardíaca;
Prevenção Secundária: quando a implementação desses mesmos hábitos objetiva prevenir que a doença evolua. É o caso do paciente que tem uma doença cardíaca e passou por um procedimento cirúrgico.
Assim, os hábitos são os mesmos, seja para a pessoa que está se prevenindo do aparecimento da doença, ou para a que se previne da evolução do seu problema de saúde. As recomendações preventivas são iguais, tendo o paciente realizado uma cirurgia cardiovascular ou não.
O objetivo é a qualidade de vida
A cirurgia não impõe uma restrição à vida do paciente. É um tratamento que visa melhorar o bem-estar, a saúde e a longevidade.
Alguns hábitos, como atividades físicas, devem ser retomados gradualmente, com auxílio do cardiologista clínico. No pós operatório imediato, o paciente deve priorizar as orientações recebidas do cirurgião cardiovascular e iniciar os chamados exercícios leves. A caminhada diária de pequenas distâncias é o ideal. Com o tempo, a intensidade do exercício pode ir aumentando, até que se chegue no que era realizado previamente.
No entanto, é fundamental o acompanhamento clínico periódico pelo paciente depois da cirurgia cardíaca. Essa graduação dos hábitos de vida, até que se alcance uma vida absolutamente normal, varia de acordo com cada paciente, corpo e coração, e, portanto, requer acompanhamento de um cardiologista.
Como visto, a vida depois da cirurgia cardíaca pode ser retomada sem grandes mudanças. A qualidade de vida dependerá muito mais da doença que levou o paciente a operar o coração, do que do procedimento em si. Portanto, o acompanhamento com seu cardiologista clínico depois da cirurgia cardíaca é essencial.
A cirurgia de coronária foi criada no final dos anos 60, e nessa época, apenas se fazia revascularização do miocárdio utilizando as veias safenas. Por esse motivo, é muito comum o questionamento dos pacientes sobre a validade da ponte de safena.
É importante saber que a cirurgia de revascularização do miocárdio, popularmente conhecida como ponte de safena, é o procedimento mais estudado da medicina. Com mais de 50 anos de existência, vem cada vez mais se consolidando, por sustentação dos estudos, como o melhor tratamento para doença coronariana que requer intervenção. A seguir, explicaremos mais sobre a validade desse tratamento a longo prazo.
Revascularização do Miocárdio: safena e outros enxertos
Apesar de amplamente conhecida como cirurgia de ponte de safena, a revascularização do miocárdio pode ser realizada utilizando-se outros enxertos. Entre eles, principalmente as artérias mamárias, que se localizam no próprio tórax do paciente.
Naturalmente, surgiram comparações em relação à durabilidade e eficácia entre os enxertos venosos e arteriais, e muitos trabalhos demonstram a excelência de ambos na cirurgia de revascularização do miocárdio.
Porém a validade da ponte de safena (ou de outro enxerto utilizado no procedimento cirúrgico) depende de diversos fatores, e não apenas do tipo de enxerto utilizado. Por isso, não é possível estimar a validade de um enxerto somente pelo fato de ser venoso ou arterial.
Influência do vaso utilizado na validade da ponte
Após alguns estudos sobre longevidade dos enxertos nos anos 70, acreditou-se que a mamária era muito superior e tinha maior validade do que a veia safena na cirurgia de revascularização do miocárdio. Assim, outras artérias logo passaram a serem utilizadas na cirurgia, como as artérias radiais, localizadas nos braços.
Em 2017, porém, houve um consenso sobre quais seriam os enxertos ideais para revascularizar o coração: os cirurgiões devem dar preferência à utilização de pelo menos dois enxertos arteriais para os territórios principais do coração, podendo se utilizar com segurança os enxertos venosos para as demais áreas.
A técnica influencia na validade da ponte de safena?
Mais recentemente, notou-se que o método de retirada da veia safena também influencia na sua longevidade. Atualmente, diversos serviços de cirurgia cardíaca utilizam a técnica “No-Touch”. Nela, a veia é retirada com parte do tecido gorduroso que a envolve, buscando o mínimo de manipulação do vaso. Isso tem demonstrado grande aumento da longevidade e durabilidade da ponte de safena.
Na equipe Seu Cardio, utilizamos amplamente a técnica No-Touch, com resultados consistentes e semelhantes ao da literatura médica. Isso resgata a importância dos enxertos venosos como estratégia segura em associação aos enxertos arteriais.
Hábitos de vida que fazem a diferença
A validade de uma revascularização do miocárdio, seja com uso de artéria mamária, radial ou veia safena, está diretamente relacionada aos hábitos do paciente. Afinal, a doença ateromatosa, que é o fator desencadeante da necessidade de uma cirurgia de “ponte de safena”, precisa de tratamento a longo prazo.
Entre os hábitos que devem ser adotados com o objetivo de promover maior longevidade dos enxertos utilizados na cirurgia, estão:
· Estilo de vida mais saudável;
· Manutenção dos níveis de colesterol dentro do valor recomendado;
· Parar de fumar (para os pacientes que fumavam antes da cirurgia).
A importância de seguir as orientações médicas
Além da evolução da técnica cirúrgica no tratamento das doenças do coração, houve também muita evolução no tratamento clínico. Tais avanços contribuem para diminuir a evolução da doença coronariana que levou o paciente à cirurgia.
A cirurgia de revascularização do miocárdio trata uma lesão específica, ou seja, faz um novo caminho para a passagem do sangue, desviando daquele que foi obstruído. Porém, não trata a doença básica que levou àquela obstrução. Então, a participação do paciente no tratamento clínico, de manutenção, para que a doença não evolua, é o ponto mais importante. E essa atitude vai fazer a diferença sobre a validade da ponte de safena (durabilidade do enxerto).
O tratamento clínico, que inclui mudanças no estilo de vida, como prática de exercício físico leve a moderado, também pode resultar no desenvolvimento de circulação colateral no coração (o próprio coração se revasculariza, desenvolvendo novos vasos). Então, mesmo com um adoecimento de um enxerto venoso ou arterial a longo prazo, se o coração tiver desenvolvido circulação própria durante os anos que o enxerto protegeu o órgão, ele não irá sofrer. A circulação passou a irrigar a região que o enxerto irrigaria, e sua presença pode não ser mais necessária.
Como vimos, diversos fatores impactam na validade da ponte de safena (ou de outro enxerto). Por isso, o acompanhamento periódico com o cardiologista clínico e a adoção de suas orientações são importantíssimos para a longevidade dos enxertos, tanto arteriais quanto venosos.