Ecocardiograma e sua Contribuição para a Cirurgia Cardíaca

Ecocardiograma e sua Contribuição para a Cirurgia Cardíaca

Por Dra. Adriana Ferraz Martins (CRM-SC 11909 RQE 5634 e 4895), Cardiologista e Ecocardiografista.

O ecocardiograma é uma ferramenta diagnóstica disponível na prática clínica há mais de 30 anos, baseada na ultrassonografia. No decorrer desse tempo, vários avanços tornaram o método mais eficiente e amplamente disponível. O exame destina-se ao diagnóstico e à quantificação das lesões cardíacas, com avaliação da presença, da gravidade e do prognóstico destes problemas.

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Plastia ou Troca de Válvula Cardíaca: principais indicações

Plastia ou Troca de Válvula Cardíaca: principais indicações

Várias doenças podem comprometer as valvas do coração, conhecidas também como válvulas cardíacas. Os problemas podem levar à sua obstrução ou insuficiência, ou uma combinação das duas coisas. Assim, acabam determinando um quadro de insuficiência valvar cardíaca. Nesta circunstância, pode ser necessária uma cirurgia para plastia ou troca da válvula cardíaca. A determinação do procedimento varia de acordo com a valva acometida: mitral, tricúspide ou aórtica.

Plastia ou Troca da Válvula Mitral

Dúvida comum entre pacientes que irão passar pelo tratamento, a cirurgia da válvula mitral pode ser plastia ou troca. A plastia preserva a valva nativa. É como uma plástica, que repara os tecidos ou estruturas da base, visando com que ela retorne seu funcionamento normal. Quando as condições não permitem a plastia, a valva mitral é trocada por uma prótese, que pode ser biológica ou mecânica.

A escolha entre plastia ou troca da válvula mitral é, geralmente, determinada pela doença de base que levou o paciente a necessitar do tratamento. Nos casos de doenças infecciosas (endocardites) e doenças reumáticas (febre reumática), que debilitam e danificam o tecido da válvula mitral, a indicação inicial é a cirurgia de troca. Esta conduta independente da idade do paciente.

Já a plastia da valva mitral está indicada para pacientes que apresentam doenças degenerativas. Isso inclui idosos e pessoas na faixa de idade entre 35 e 40 anos. No entanto, existem determinados casos em que, apesar da plastia ser indicada no primeiro momento, durante o procedimento cirúrgico poderá ser constatada a necessidade da troca da válvula mitral.

Plastia da Válvula Tricúspide

Quando a doença valvar impacta no funcionamento do coração, é preciso avaliar o funcionamento da válvula tricúspide. Na presença de insuficiência significativa nessa válvula, a plastia da válvula tricúspide é realizada conjuntamente com a cirurgia da válvula mitral, independente do tipo de procedimento indicado. A combinação das duas cirurgias resulta no aumento da longevidade do paciente e melhora no desempenho hemodinâmico do coração.

Troca da Válvula Aórtica

Assim como na valva mitral, cardiopatias congênitas, doenças reumáticas, infecções ou causas degenerativas dos tecidos (relacionadas ao envelhecimento) também são causas de problemas na válvula aórtica. No entanto, o tratamento é diferente.

Em geral, a recomendação para o tratamento das doenças da válvula aórtica é a sua troca. A substituição pode ser realizada tanto por uma prótese mecânica quanto biológica. A escolha do tipo de prótese para substituição da válvula cardíaca nativa dependerá de uma avaliação conjunta do paciente e seu cirurgião cardiovascular. 

Converse com seu cirurgião cardiovascular e esclareça suas dúvidas sobre a possibilidade de plastia ou troca da válvula cardíaca. Você também pode contar conosco!

 

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Profilaxia Odontológica antes da Cirurgia Cardíaca

Profilaxia Odontológica antes da Cirurgia Cardíaca

Convidamos os cirurgiões-dentistas Dra. Beatriz Sacchetti de Almeida (CRO/SC 19174) e Dr. Leonardo Gonçalves Modolon (CRO/SC 20501) a escrever sobre a importância da profilaxia odontológica para pacientes cardíacos, tanto na rotina de cuidados quanto antes de uma cirurgia cardíaca. Confira!

A boca não é um órgão isolado, ela é parte de um único sistema integrado a todo o corpo. Nela, existem milhares de bactérias, a maioria inofensivas, que vivem em equilíbrio quando há um bom cuidado oral. Quando esse equilíbrio se rompe, por cárie, inflamação na gengiva ou infecção, essas bactérias podem entrar na corrente sanguínea através dos pequenos vasos que irrigam os dentes e as gengivas. Uma vez no sangue, elas circulam pelo corpo inteiro e podem chegar a órgãos distantes, inclusive ao coração. É por isso que a ciência hoje trata a saúde bucal como parte da saúde cardiovascular, e não como algo isolado. Portanto, o acompanhamento odontológico regular é essencial para aqueles que convivem com uma doença cardíaca ou que irão se submeter a um tratamento cardiovascular.

O dentista é o profissional especializado para lhe orientar sobre a profilaxia odontológica. Assim, é peça-chave no trabalho multidisciplinar, ajudando a prevenir e diagnosticar problemas que vão muito além da saúde bucal.

Doenças cardíacas e bacteremia de origem bucal

Quando bactérias da boca entram na corrente sanguínea, ocorre o que os especialistas chamam de bacteremia transitória. Isso acontece rotineiramente com hábitos simples do dia a dia, como: mastigar, escovar os dentes e usar fio dental. No entanto, é ainda mais frequente quando há doença periodontal ou cárie não tratada. Se essas bactérias chegarem aos tecidos do coração, especialmente em válvulas já fragilizadas ou em próteses valvares, podem provocar uma endocardite infecciosa.

Segundo a American Heart Association (AHA), os pacientes com maior risco de desenvolver endocardite infecciosa, e que mais se beneficiam de cuidados odontológicos rigorosos, são:

Consulta odontológica pré-operatória

A consulta odontológica antes da cirurgia cardíaca não é apenas uma recomendação, é parte do protocolo de segurança. O objetivo é encontrar e tratar qualquer foco de infecção na boca, como cáries, inflamação na gengiva, dentes com raiz infeccionada, dentes quebrados ou feridas na mucosa, antes que o paciente entre no centro cirúrgico. Isso porque qualquer infecção ativa na boca pode liberar bactérias na corrente sanguínea durante ou depois da cirurgia, aumentando o risco de complicações.

Isso não é só bom senso, a ciência confirma:

  • Pesquisas mostram que mais da metade dos pacientes que vão fazer cirurgia de válvula cardíaca precisa extrair algum dente antes do procedimento. Além disso, cerca de metade também precisa de tratamento na gengiva. Ou seja, é comum encontrar algo para tratar e,  por isso, a avaliação prévia é tão importante.

Na consulta odontológica pré-operatória, o dentista vai examinar clinicamente a boca e solicitar radiografias. Isso pode ocorrer mesmo se o paciente não tiver todos os dentes, porque lesões no osso ou na gengiva também podem esconder uma infecção. Portanto, esses cuidados devem ser realizados com antecedência, para dar tempo de tratar qualquer problema antes da data da cirurgia.

Profilaxia odontológica com antibióticos

Além da eliminação de focos infecciosos, o dentista pode indicar a profilaxia antibiótica antes do atendimento odontológico. Especialmente no caso de procedimentos que envolvam sangramentos, manipulação da gengiva, da região periapical dos dentes ou perfuração da mucosa oral, esse cuidado é necessário.

Esse tema é estudado há décadas pelas principais sociedades de cardiologia do mundo. Em 2021, a American Heart Association (AHA) reafirmou que o antibiótico preventivo antes de ir ao dentista deve ser usado apenas pelos pacientes de maior risco, como portadores de próteses valvares ou pessoas que já tiveram endocardite. Para a grande maioria das pessoas, mesmo as cardiopatas, o antibiótico não é necessário. Segundo a própria AHA, manter a boca saudável e visitar o dentista regularmente protege mais o coração do que tomar antibiótico antes de cada consulta.

Quando indicada, a profilaxia odontológica com antibióticos mais utilizada é uma dose única de amoxicilina, tomada entre 30 e 60 minutos antes do procedimento odontológico. A clindamicina, antes usada como alternativa para pacientes alérgicos à penicilina, deixou de ser recomendada pela AHA em 2021 por associação a reações adversas mais frequentes e mais graves.

Por que a visita regular ao dentista é insubstituível

Vale reforçar: nenhuma dose de antibiótico substitui o acompanhamento odontológico contínuo. Um estudo clássico de 1984 mostrou que as chances de bacteremia transitória pelos hábitos diários de higiene bucal inadequada são até 8.000 vezes maiores do que as chances associadas a um procedimento odontológico profissional isolado. Ou seja, o maior risco não está na cadeira do dentista, mas sim na boca sem cuidado diário e sem acompanhamento.

Para pacientes cardiopatas, e especialmente para quem já tem prótese valvar cardíaca, essa lógica se traduz em uma rotina de cuidados:

  • Escovar os dentes com escova de cerdas macias e cabeça pequena, trocando-a a cada três meses;
  • Usar o creme dental fluoretado;
  • Utilizar o fio dental corretamente, todos os dias;
  • Repor dentes ausentes com próteses ou implantes adequados, evitando espaços que facilitam o acúmulo de bactérias;
  • Visitar o cirurgião-dentista a cada seis meses (ou com a frequência que ele indicar), informando sempre sobre a condição cardíaca e medicamentos em uso, para que qualquer foco infeccioso seja identificado e tratado precocemente, antes que vire um problema para o coração.

O papel do dentista no cuidado multidisciplinar

Mesmo com os avanços em diagnóstico, técnicas cirúrgicas e antibioticoterapia, a endocardite infecciosa costuma ser uma condição de saúde grave. Isso torna a prevenção, com orientação conjunta do cardiologista e do dentista, a estratégia mais eficaz disponível hoje.

O dentista conhece em profundidade os processos que levam à bacteremia transitória. Além disso, é o profissional habilitado a avaliar, caso a caso, se a profilaxia antibiótica é indicada e tratar qualquer foco infeccioso bucal antes que represente risco ao coração.

Procure um profissional de confiança para a profilaxia odontológica. Converse com profissionais qualificados sobre sua condição cardíaca e mantenha o acompanhamento odontológico regular como parte do seu cuidado cardiovascular. A equipe odontológica do Hospital SOS Cárdio possui o conhecimento necessário para apoiar esse cuidado, sempre em conjunto com o cardiologista e o cirurgião cardíaco responsáveis pelo paciente.

 

 

Plastia da Valva Mitral

Plastia da Valva Mitral

Atualmente, a plastia valvar mitral vem se constituindo no tratamento de escolha, quando possível, para a abordagem das doenças que envolvem a valva mitral. A plastia é como uma plástica, onde se procura conservar ao máximo a estrutura original, apenas “consertando” o que for necessário. Com o aprimoramento das técnicas cirúrgicas e com a evolução dos materiais prostéticos, a plastia da valva mitral tem se tornado cada vez mais possível.

Para entendermos um pouco melhor esta indicação, é importante conhecer um pouco da anatomia da valva mitral. Assim teremos uma melhor compreensão de como as técnicas são utilizadas.

Entendendo a Valva Mitral

Valva MitralA valva mitral está localizada entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo. Sua função é permitir a passagem do sangue do átrio para o ventrículo e evitar que este sangue reflua para o átrio quando o ventrículo se contrai.

A valva mitral é constituída por dois folhetos, um conjunto de cordas (cordoalhas) e dois músculos papilares que, ao se contraírem e relaxarem, promovem o adequado funcionamento valvar. Para fazer uma comparação simples, porém elucidativa, imagine dois paraquedas abertos. As lonas de ambos representam os dois folhetos da valva. As cordas do paraquedas, presas à lona, representam as cordoalhas da valva presas ao folheto. A fixação destas cordas do paraquedas no paraquedista representam a inserção das cordoalhas nos músculos papilares.

Doenças da Valva Mitral

Os problemas mais comuns da valva mitral estão relacionados à sua estrutura. A degeneração dos folhetos é um deles, que pode estar associado ou não à ruptura de cordas e que leva à insuficiência valvar. Outro problema comum é a calcificação dos folhetos. Ela leva à fusão dos folhetos valvares, restringindo a passagem do sangue – o que chamamos de estenose valvar mitral.

As doenças que mais atingem a valva mitral são: doença reumática e degenerações mixomatosas da valva. A doença reumática gera grande calcificação e pode levar tanto à Estenose quanto à Insuficiência da valva mitral. Nesses casos, a possibilidade de plastia da valva mitral é menor. Já as degenerações mixomatosas estão associadas à insuficiência da valva. Para estes casos, a plastia se constitui na abordagem de primeira escolha.

Assim, os procedimentos mais comuns de plastia estão associados à insuficiência valvar e sua degeneração.

Técnicas de Plastia Valvar Mitral

A insuficiência mitral pode ser decorrente da degeneração, retração ou alongamento dos folhetos ou, ainda, da ruptura ou retração das cordoalhas. Pode haver também insuficiência mitral decorrente da disfunção isquêmica dos músculos papilares.

Para cada tipo de alteração existe uma técnica de plastia de valva mitral específica. Pode haver necessidade de ressecção de parte do folhetos, encurtamento ou  alongamento de cordoalhas, ou colocação de cordoalhas novas com fios específicos, de alta resistência e durabilidade.

Porém, as técnicas de plastia valvar mitral possuem um ponto em comum. Trata-se da colocação de uma anel que se fixa em torno da valva nativa. Este anel contribui para longevidade da plastia e para a eficiência de valva mitral.

Existem vários tipos de anéis, com diferentes conformações anatômicas. Eles costumam ter grande durabilidade e não tem relação com a falência valvar mitral. A falência está associada à progressão da doença reumática ou degenerativa.

Prótese valvar ou plastia da valva mitral?

Para podermos avaliar com melhor clareza qual o melhor tratamento para a valva mitral, entre plastia ou troca, precisamos considerar dois aspectos importantes:

1) A durabilidade das próteses biológicas em posição mitral costuma ser menor do que em posição aórtica, na mesma faixa etária.

2) A anticoagulação das próteses mecânicas em posição mitral oferece mais riscos a longo prazo do que em posição aórtica.

Diante destes fatos, a plastia da valva mitral é o tratamento de escolha, sempre que possível. Mesmo com ótimos resultados a longo prazo, é importante salientar que a plastia pode não ser um tratamento definitivo. A doença valvar pode progredir (como já citado). Porém, a plastia valvar mitral costuma ter maior longevidade que as próteses biológicas.

Para saber mais sobre as principais causas de problemas nas valvas cardíacas, sintomas e opções de tratamento, acesse nosso ebook gratuito:

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Anticoagulante e Prótese Valvar Cardíaca

Anticoagulante e Prótese Valvar Cardíaca

O anticoagulante é amplamente utilizado para prevenir eventos tromboembólicos em doenças cardiovasculares. Para os pacientes que passam por cirurgia de implante de válvula cardíaca, é prescrito para impedir a formação de coágulos (trombos) na prótese. Neste post, escrito pelo médico Hematologista Dr. Guilherme Genovez (CRM-SC 3798 RQE 8599), você saberá mais sobre o tema. (mais…)