Este conteúdo reúne as 12 dúvidas mais comuns de quem está passando pelo pós-operatório de cirurgia cardíaca. Aqui, você encontra diversas respostas, desde temas como dor e inchaço até quando retomar atividades físicas, dirigir e ter relações sexuais.
Cirurgias cardíacas são eventos importantes na vida de qualquer pessoa. Exigem preparação, cuidados e recursos especializados. No entanto, para obter sucesso, o pós-operatório é fundamental. E é nessa fase que os pacientes costumam apresentar o maior número de dúvidas – especialmente com relação à retomada das atividades básicas do dia a dia.
Para ajudar você a retornar à vida normal de forma tranquila e segura, selecionamos algumas das principais dúvidas dos pacientes no pós-operatório da cirurgia cardíaca. São informações relevantes, que podem lhe orientar nessa fase crucial, mas que não substituem a orientação do seu próprio médico.
1 – Por que sinto dor no meu pós-operatório?
Quando realizadas pela abordagem tradicional, as cirurgias cardíacas costumam ser de grande porte. Devido à incisão da pele, abertura do osso esterno e colocação de drenos, os músculos da região torácica ficam bastante sensíveis, causando dor.
Quando realizadas por abordagem minimamente invasiva ou cirurgia robótica, a agressão cirúrgica, assim como as incisões, são muito menores. Dessa forma, os pacientes costumam sentir menor dor no pós-operatório e ter uma recuperação mais rápida.
Porém, é importante saber que a dor é manejável com o uso de medicação. Por isso, é importante que o paciente relate as dores que sente, para que os médicos possam prescrever os medicamentos necessários. Além disso, a fisioterapia respiratória e motora, bem executada, pode auxiliar bastante nessa fase.
2 – Por que minhas pernas ficam inchadas depois da cirurgia?
Após a cirurgia cardíaca, o inchaço (edema) das pernas é comum, principalmente nos pacientes que se submetem à revascularização do miocárdio com a utilização de veia safena. Via de regra, esse inchaço costuma ser provocado pela manipulação de vasos linfáticos durante o procedimento. A própria retirada da veia estabelece ao organismo a necessidade de redirecionar o fluxo sanguíneo que passava por ela para o sistema venoso profundo da perna. Essa adequação leva algum tempo e, por isso, os pacientes tendem a ficar com a perna, da qual foi retirada a safena, um pouco mais inchada.
Esse edema, quando leve a moderado, não deve se traduzir em uma preocupação, pois é normal e reversível. Por isso, orientamos os pacientes para a movimentação precoce e para que mantenham as pernas elevadas quando estiverem sentados. O uso de meias elásticas também pode ajudar. Caso o inchaço das pernas permaneça por mais de um mês, recomendamos o acompanhamento clínico.
3- Posso dormir de lado após a cirurgia cardíaca?
Quando o paciente passa por uma cirurgia cardíaca com abordagem tradicional, ou seja, com a “abertura do peito” (incisão central no tórax e esternotomia), recomenda-se que durma de barriga para cima por, aproximadamente, 60 dias. Esse é o tempo necessário para que o osso esterno se feche. Dormindo de lado, o paciente corre o risco de sofrer com o que chamamos de cavalgadura do osso, o que pode ocasionar dor e desconforto.
Já na abordagem minimamente invasiva ou na cirurgia cardíaca robótica, as incisões são menores e não há necessidade de abertura do esterno. Assim, recomendamos apenas que os pacientes não durmam sobre o local da cicatriz cirúrgica nos primeiros 10 dias.
4 – Posso fazer as unhas e pintar o cabelo logo após a alta hospitalar?
Em geral, recomendamos aos pacientes que esperem 15 dias após a cirurgia cardíaca para pintar/tonalizar os cabelos e fazer a retirada das cutículas das unhas.
No entanto, ressaltamos que é fundamental utilizar os seus próprios materiais (alicates, tesouras, lixas, etc) e que eles devem estar devidamente esterilizados. No caso das unhas em gel, além de utilizar o material devidamente esterilizado, é imprescindível que as unhas estejam sem processo inflamatório (infeccioso) ou com fungos. Essas recomendações evitam a ocorrência de infecções no pós-operatório e, por isso, são bem importantes.
5- Posso usar filtro solar na cicatriz?
Os pacientes devem evitar a exposição ao sol nos primeiros 90 dias após a cirurgia. Se a cicatriz evoluir bem, sem nenhum sinal de infecção na ferida operatória (incisão), é possível usar protetor solar 30 dias após a cirurgia.
6- Quando posso voltar a subir escadas, limpar a casa ou cuidar do jardim?
As primeiras atividades físicas já começam a ser feitas no pós-operatório imediato, ainda na UTI, quando o fisioterapeuta inicia a reabilitação respiratória e motora. Após a alta da UTI, andar/caminhar é muito importante para evitar complicações, como o tromboembolismo e os problemas respiratórios. Esse tipo de atividade também auxilia na recuperação do trânsito intestinal. As caminhadas progressivas são recomendadas e o incremento de tempo é prescrito de forma individualizada.
O retorno às atividades rotineiras depende da abordagem cirúrgica: se foi uma cirurgia convencional (“abertura do peito” e esternotomia), cirurgia minimamente invasiva ou cirurgia robótica.
Retorno às atividades após cirurgia cardíaca convencional:
O paciente já pode subir escadas no retorno para casa. Porém, atividades que envolvem esforço dos braços e do tronco, demandam mais tempo. Assim, os pacientes podem voltar a limpar a casa e a cuidar do jardim apenas após 40 dias da cirurgia, sempre gradativamente.
Retorno após cirurgia cardíaca minimamente invasiva ou robótica:
As restrições de esforço relacionadas aos braços e tronco existem para proteger a cicatrização do esterno após a esternotomia, que acontece na abordagem convencional. Por isso, esse tipo de restrição não acontece nas cirurgias cardíacas minimamente invasivas e robóticas. Nesses casos, recomendamos o retorno às atividades cerca de 14 dias após o procedimento cirúrgico.
7- Em quanto tempo posso voltar a fazer atividades físicas?
Para os praticantes de esportes que passaram pela abordagem tradicional, em geral, é possível retomar gradativamente a prática esportiva a partir de 60 dias (tempo relacionado à consolidação do osso esterno).
Na abordagem minimamente invasiva e na cirurgia robótica, por não haver esternotomia, esse retorno tende a ser mais rápido, cerca de 14 dias.
No entanto, independente da abordagem cirúrgica, é fundamental perguntar ao seu Cardiologista Clínico sobre a recomendação da retomada de atividades físicas específicamente para o seu caso.
8- Constipação após a cirurgia cardíaca é normal?
Sim, essa é uma queixa bastante comum e vários fatores podem levar à constipação intestinal. Em geral, o jejum para a cirurgia, a anestesia e o fato de o paciente ficar um tempo maior deitado no pós-operatório são algumas das causas.
Para isso, recomenda-se andar/caminhar (já falamos acima), bem como adotar uma dieta rica em fibras e líquidos. Vale salientar que o nutricionista também faz parte da equipe multidisciplinar da cirurgia cardíaca e sua orientação pode lhe auxiliar a diminuir essa condição.
9- A partir de quando posso voltar a ter relações sexuais?
Geralmente, após uma cirurgia cardíaca com abertura do esterno, os pacientes que conseguem subir pelo menos 2 lances de escadas, sem dificuldade, já possuem condições de retomar a atividade sexual de forma leve a moderada. O ideal é que o paciente adote uma postura mais passiva e evite movimentos bruscos e excessivos com os braços e com o tórax. Em média, são necessárias de 45 a 60 dias para voltar a ter relações sexuais sem restrição de movimentos. Esse prazo está ligado ao tempo necessário à cicatrização do esterno.
Na abordagem minimamente invasiva e na cirurgia cardíaca robótica, esse retorno tende a ser mais precoce, cerca de 14 dias.
Pacientes que fazem reabilitação física tendem a ser liberados antes, em qualquer abordagem. Saiba mais neste post aqui.
10- A ponte de safena tem validade?
A validade da “ponte de safena”, seja com uso de artéria mamária, artéria radial ou veia safena, está diretamente relacionada aos hábitos do paciente. Afinal, a necessidade da cirurgia de revascularização do miocárdio é gerada pela doença coronariana, que precisa de tratamento a longo prazo.
Assim, a adoção de hábitos saudáveis pode aumentar a longevidade das pontes. Entre eles, o controle adequado dos níveis de colesterol, de glicemia (principalmente nos pacientes diabéticos) e parar de fumar (para os pacientes que fumavam antes da cirurgia). Saiba mais neste post.
11- Depois de quantos dias da cirurgia cardíaca posso voltar a dirigir?
Nas cirurgias cardiovasculares com incisão no osso da região central do tórax, movimentos bruscos podem causar uma dor importante. Por reflexo, uma dor forte pode fazer o paciente largar as mãos do volante e bater o carro. Além disso, os reflexos podem estar prejudicados pela medicação, representando um risco também.
Assim, recomenda-se voltar a dirigir apenas 60 dias após a cirurgia cardíaca tradicional. Já nas abordagens minimamente invasivas e na cirurgia robótica, o retorno pode acontecer em cerca de 14 dias.
12- Depois da cirurgia cardíaca posso voltar a beber vinho, cerveja e/ou destilados?
Normalmente, recomenda-se que a ingestão de bebidas alcoólicas não seja realizada nos primeiros 15 dias após a alta hospitalar. Após este período, é recomendado que o paciente converse com seu Cardiologista Clínico, que irá orientar sobre frequência e quantidade de bebidas alcoólicas que o paciente poderá ingerir, sem causar impacto nas medicações que está usando.
Para saber mais sobre o pós-operatório da cirurgia cardíaca, acesse a cartilha gratuita aqui.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quanto tempo dura a recuperação total da cirurgia cardíaca?
Depende do tipo de abordagem cirúrgica. Se for uma cirurgia cardíaca convencional, ou seja, com abertura do osso esterno, a recuperação inicial leva cerca de 30 dias e, a cicatrização óssea, aproximadamente 60 dias – quando, geralmente, é possível retomar à prática de atividades físicas. Já na abordagem minimamente invasiva e na cirurgia cardíaca robótica, como não há abertura do esterno, a recuperação completa geralmente leva 14 a 21 dias.
Quais sinais no pós-operatório precisam de atenção médica imediata?
Febre, secreção na ferida, dor torácica intensa, falta de ar importante ou instabilidade do osso esterno devem ser avaliados sem demora.
Sobre o autor:
Dr. Sergio Lima de Almeida (CRM-SC 4370 / RQE 5893), médico, cirurgião cardiovascular, chefe da Equipe Seu Cardio e do Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital SOS Cárdio, em Florianópolis/SC.
