por Equipe Seu Cardio | Blog, Cirurgia Cardíaca, Válvulas
Em sua maioria, as doenças valvares podem ser tratadas através de procedimentos cirúrgicos. O grande impasse é definir o melhor tipo de prótese para cada paciente: biológica ou mecânica. Com a tecnologia Resilia, um novo cenário se apresenta aos pacientes.
A Cirurgia de Valva Cardíaca
A cirurgia de válvula do coração, como é popularmente chamada, pode reparar as valvas cardíacas (plastia valvar) ou substituir as valvas naturais por próteses biológicas ou mecânicas. Contudo, o grande desafio, é definir qual o melhor tipo de prótese para cada paciente, especialmente para os mais jovens.
Hoje, ainda há um grande debate sobre o melhor tipo de prótese valvar para pacientes em faixa etária mais jovem. Por um lado, as próteses mecânicas demandam uso de anticoagulantes, impondo restrições e cuidados de longo prazo. Do outro lado, as próteses biológicas, que não tem esta necessidade, degeneram mais cedo na população mais jovem, demandando troca valvar.
Recentemente, a Medicina avançou em mais um grande passo. Na busca por retardar a degeneração das próteses biológicas nos pacientes mais jovens, recentemente desenvolveu a tecnologia Resilia. Trata-se de um novo tratamento no tecido das próteses biológicas, capaz de aumentar a sua durabilidade.
Próteses Biológicas
As próteses biológicas sofrem um processo degenerativo com o passar do tempo. Porém, por si só, não demandam a necessidade de uso de terapia anticoagulante , pois não desencadeiam processos trombóticos. Já as próteses mecânicas, são mais duráveis, não sofrem um processo degenerativo, mas oferecem riscos aumentados de formação de trombos. Por isso, necessitam de uso contínuo de anticoagulantes e de um controle rígido da coagulação sanguínea.
“Isso nos coloca em uma dilema. Apesar de não necessitar de medicamentos anticoagulantes, uma prótese biológica pode durar mais de 20 anos em um paciente idoso. Porém, possui uma durabilidade menor em pacientes mais jovens, principalmente em crianças. Dessa forma, implica em novas cirurgias durante a vida para troca das próteses valvares. Por outro lado, as próteses mecânicas duram mais, mas submetem os pacientes ao uso contínuo de anticoagulantes por longo tempo – e aos riscos impostos por essa condição.” – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular (CRM 4370 / RQE 5893).
Tecnologia Resilia
A tecnologia Resilia foi recentemente incorporada ao tratamento do tecido biológico das próteses valvares cardíacas com o intuito de retardar o processo degenerativo de calcificação das próteses biológicas. Com esta tecnologia, vários estudos mostram um acentuado retardo no processo degenerativo das próteses e o consequente aumento da sua durabilidade.
Em estudo há cerca de 15 anos, a tecnologia Resilia já conta com a aprovação órgãos reguladores europeu e americano. No Brasil, o Hospital SOS Cárdio, de Florianópolis, é um dos pioneiros no uso desse tipo de próteses, através da equipe Seu Cardio.
De forma resumida, a degeneração das próteses valvares está diretamente associada ao metabolismo do cálcio no organismo dos pacientes. A tecnologia Resilia, por sua vez, faz com que o tecido biológico das próteses sofra menos com a calcificação ao longo do tempo. Mesmo em pacientes jovens, que possuem metabolismo de cálcio mais intenso.
“Os estudos in vitro mostram uma superioridade muito grande das próteses com tecnologia Resilia em comparação aos modelos disponíveis atualmente no mercado. Ao contrário do que acontece com as próteses valvares biológicas sem este tratamento, as próteses com a tecnologia Resília vem demonstrando menor calcificação ao longo do tempo, retardando seu processo degenerativo. Com isso, reduzem a necessidade de novas cirurgias.”– Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular (CRM 4370 / RQE 5893).
Além isso, a tecnologia Resília não implica em riscos adicionais. A cirurgia para o implante das próteses valvares cardíacas com a tecnologia Resilia é tecnicamente igual à cirurgia para implante das próteses valvares comuns. A recuperação no pós-operatório também é a mesma.
Converse com o seu cardiologista sobre o que há de mais moderno em próteses valvares para o seu coração. É importante que você entenda os prós e contras de cada prótese para participar da escolha da melhor opção para você.

por Equipe Seu Cardio | Blog, Coronária, Fatores de Risco e Prevenção
De acordo com a última pesquisa VIGITEL, divulgada em 2018, 18,9% dos brasileiros são obesos. Já o sobrepeso, marcado por índices de massa corporal entre 25 Kg/m2 e 30Kg/m2 , afeta mais de metade da população (54%). Esses índices, por si só, já chamam a atenção. Se considerarmos a relação entre obesidade e doenças do coração, os números alertam para a necessidade de ações que revertam esse quadro.
Graus de Obesidade
A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura no corpo. Para ser considerado obeso, o indivíduo precisa ter uma relação entre peso e altura (índice de massa corporal) maior do que 30 Kg/m2.
Ainda assim, existem três graus de obesidade, que variam conforme o índice de massa corporal de cada pessoa:
- Obesidade de Grau 1: índice de massa corporal superior a 30 Kg/m2
- Obesidade de Grau 2: índice de massa corporal superior a 35 Kg/m2
- Obesidade de Grau 3, também conhecida como obesidade mórbida: índice de massa corporal superior a 40 Kg/m2
“Tanto a obesidade quanto o sobrepeso possuem componentes genéticos importantes. Além disso, sofrem grande influência do estilo de vida das pessoas. O estresse, a ansiedade, o sedentarismo e a alimentação inadequada podem levar a esse problema e potencializá-lo”. – Dr. Paulo Roberto de Miranda Gomes Junior, Médico Cirurgião Bariátrico (CRM 9547 / RQE 7019).
Em nosso organismo, o acúmulo de células de gordura estimulam diversas reações negativas para a saúde. Este conjunto de fatores, conhecido como síndrome metabólica, pode ter efeitos diretos sobre o coração. A seguir, explicamos melhor a relação entre obesidade e doenças do coração.
Síndrome Metabólica
A síndrome metabólica é constituída por uma série de problemas interdependentes, que provocam e são provocados juntos, ao mesmo tempo, pelo acúmulo de gordura, pelo diabetes, hipertensão e pelos altos níveis de colesterol no sangue. Trata-se de um ciclo de grandes sofrimentos que, além do componente genético, tem relação direta com hábitos de vida do paciente, como a alimentação e o sedentarismo.
Relação com Alimentos Industrializados
De forma geral, a base alimentar da população passou a ser constituída por alimentos industrializados, com alto teor de açúcares e farinhas brancas. Estes produtos, no entanto, possuem baixo teor de fibras, vitaminas e minerais. Essa característica deixa a sua digestão mais rápida e muito mais fácil.
Os produtos industrializados costumam ser digeridos logo no início do tubo intestinal, em seus 10% iniciais. O problema é que essa região é responsável por estimular o pâncreas a liberar insulina, hormônio responsável por transportar o açúcar para as células, para que seja transformado em energia. Assim, uma vez que a absorção dos alimentos industrializados acontece justamente na porção do intestino que mais estimula a insulina, mais açúcares são levados às células.
Insulina e Fome
No geral, os carboidratos refinados – e a consequente elevação da insulina causada pela ingestão deles – provocam uma grande necessidade de comer mais.
“São os hormônios liberados pelas demais porções do intestino que deveriam controlar esse mecanismo e regular a quantidade de insulina no corpo. Mas, como os alimentos a base de açúcares e farinhas brancas não chegam em grandes quantidades até essas regiões, o órgão não é estimulado como deveria, e a sensação de fome continua”. – Dr. Paulo Roberto de Miranda Gomes Junior (CRM 9547 / RQE 7019).
Assim, com mais insulina livre no organismo, a tendência é que a pessoa passe a comer mais. Em um quadro de falta de exercícios físicos (sedentarismo), o acúmulo de gordura é inevitável.
Resistência à Insulina
O tecido adiposo acumulado também causa danos à saúde. Provoca uma série de alterações moleculares importantes que prejudicam a absorção da glicose pelas células. Dessa forma, acaba causando e agravando a resistência à insulina.
Para compensar essa falha, o pâncreas é superestimulado. No entanto, chega um momento em que o órgão não consegue mais produzir insulina suficiente. Dessa forma, além de sofrer com sobrepeso/obesidade, os níveis de açúcar no sangue do paciente também sobem. É assim que o Diabetes Tipo 2 se estabelece.
Processo Inflamatório
O acúmulo de açúcares no sangue é altamente prejudicial à saúde. Ele provoca o aumento do número de radicais livres, que passam a atacar as células em maior número do que o organismo consegue controlar.
Esse processo inflamatório constante leva à oxidação excessiva de vários órgãos, principalmente dos vasos sanguíneos. Lesões renais, oculares e insuficiências circulatória são algumas das consequências.
“Além disso, o excesso de açúcar no sangue tende a ser convertido em triglicerídeos e provocar o acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática) e entre os demais órgãos (gordura visceral), o que gera ainda mais inflamação”. – Dr. Paulo Roberto de Miranda Gomes Junior (CRM 9547 / RQE 7019).
A arteriosclerose, fator de risco importante para infarto e AVC (acidente vascular cerebral), passa a ser uma realidade bastante perigosa. O mesmo acontece com uma série de outras doenças. Assim, a relação entre obesidade e doenças do coração é bastante estreita.
Obesidade e Doenças do Coração
A obesidade e o sobrepeso geram uma carga extra para o coração, que precisará trabalhar de forma mais intensa para enviar sangue para todo o corpo. De início, o organismo pode se adaptar. No entanto, com o tempo, a musculatura cardíaca tende a enfraquecer. Assim, o quadro pode levar à insuficiência cardíaca.
Outro aspecto da relação entre a obesidade e doenças do coração é a hipertensão. O excesso de peso provoca o aumento da tensão nas paredes das artérias. Esse processo, por si só, tende a gerar lesões ao tecido dos vasos sanguíneos. Além disso, algumas substâncias liberadas pelo próprio tecido adiposo também podem causar inflamação das artérias e potencializar as lesões já existentes.
“Isso é muito importante, pois as complicações são muito graves. As lesões nas artérias podem acarretar em um infarto do coração ou em um acidente vascular cerebral (AVC)”. – Dr. Paulo Roberto de Miranda Gomes Junior (CRM 9547 / RQE 7019).
Obesidade e Tratamento
O tratamento da obesidade passa, necessariamente, pela mudança do estilo de vida. Alimentação, atividade física e suporte psicológico fazem parte do processo. Se considerarmos que a relação entre obesidade e doenças do coração, além de outras, é estreita, o esforço para tratar a obesidade vale à pena.
Porém, há pacientes que encontram maior dificuldade para emagrecer. São casos em que as mudanças no estilo de vida não foram bem sucedidas, apesar das tentativas por mais de dois anos. Esses pacientes contam com o recurso da cirurgia bariátrica.
Nesses casos, não basta apenas a vontade de realizar a cirurgia. É necessária uma avaliação multidisciplinar, que envolve o cirurgião bariátrico e profissionais que poderão atestar a indicação do procedimento.
“As cirurgias bariátricas e metabólicas, que criam um bypass para o bolo alimentar, evitam a passagem da comida pelo início do intestino, reduzem a liberação de insulina e estimulam as demais porções do órgão para a produção de outros hormônios que auxiliam no controle da fome. Estes procedimentos, juntamente com a adoção de um estilo de vida mais saudável, contribuem significativamente para o controle da obesidade e dos fatores de risco para doenças cardíacas”. – Dr. Paulo Roberto de Miranda Gomes Junior (CRM 9547 / RQE 7019).
Obesidade e doenças do coração andam juntas. A relação entre elas torna-se mais próxima na medida em que a idade avança. Por isso, buscar orientação e suporte profissional é fundamental para a qualidade de vida e para uma vida mais longa.
Sobre o autor: Dr. Paulo Roberto de Miranda Gomes Junior (CRM 9547 / RQE 7019) é médico especialista em Cirurgia Bariátrica. É graduado na primeira turma reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina na área, em 2017 e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. Atua na Clínica Bariátrica Florianópolis e no Hospital SOS Cárdio, como cirurgião bariátrico, em Florianópolis/SC.

por Equipe Seu Cardio | Blog, Cirurgia Cardíaca, cuidados, Fatores de Risco e Prevenção, Marcapasso e outros dispositivos, Válvulas
As bactérias e os fungos estão presentes em qualquer lugar do nosso planeta. A superfície da nossa pele e as mucosas não são exceção. Algumas vezes, quando alguns tipos específicos de microrganismos entram em nossa corrente sanguínea, podem ser levados até ao coração, lá se fixar e começar a se reproduzir. Assim, geram uma doença chamada de endocardite.
“A endocardite acontece quando os microrganismos entram na nossa corrente sanguínea e se instalam no nosso coração, trazendo uma série de prejuízos. Trata-se de uma das poucas infecções que, se não forem tratadas, são 100% fatais.” – Dr. Rodrigo Carlo Saorin, Médico Cardiologista (CRM 8835 / RQE 8508).
Abaixo, o cardiologista Rodrigo Carlo Saorin (CRM 8835 / RQE 8508), do Hospital SOS Cárdio, explica o que é a endocardite e a importância da profilaxia para os pacientes que apresentam riscos de desenvolverem essa doença.
Como acontece a endocardite?
A endocardite é uma doença grave. Para que ela venha a acontecer é preciso a associação de vários elementos ao mesmo tempo.
As bactérias e os fungos estão continuamente em contato com diversos tecidos humanos. Algumas vezes, as nossas defesas naturais falham ou somos expostos a uma quantidade muito grande deles. Assim, eles acabam invadindo a nossa corrente sanguínea. Quando isso acontece com alguns tipos específicos de microrganismos, em pessoas que já possuam alguma predisposição, como alterações nas valvas do coração, por exemplo, esses microorganismos podem se fixar neste local e começar a se reproduzir. Ocorre, assim, a endocardite.
Então, para que a endocardite ocorra, é necessário:
- O contato do sangue com determinados tipos de bactérias ou fungos e em uma quantidade suficiente;
- Lesões preexistentes nas valvas cardíacas ou presença de materiais sintéticos no coração (próteses valvares);
Os Riscos da Endocardite
Uma vez instaladas nas valvas do coração (sejam elas naturais ou próteses), as bactérias formam uma espécie de tecido, com múltiplas camadas. O crescimento desse tecido pode causar deformações progressivas, provocando a perda da função original da válvula cardíaca, atrapalhando o funcionamento do coração.
Além disso, em certos casos, uma parte da colônia de bactérias pode se desprender da região onde está fixada e circular junto ao sangue por todo corpo. À medida em que os vasos sanguíneos vão ficando menores, este aglomerado de células, bactérias e coágulos acaba impedindo a passagem do sangue. Dessa forma, acaba provocando a morte dos tecidos desta região por falta de oxigênio e nutrientes. Como este material é rico em bactérias, muitas vezes esta necrose pode estar associada com a formação de abcessos. Este fenômeno pode ocorrer em qualquer região do corpo, sendo muitas vezes encontrado nas extremidades dos dedos das mãos e dos pés.
Sintomas da Endocardite
Esta doença costuma ser insidiosa e de diagnóstico complexo. Os sinais e sintomas da endocardite podem aparecer aos poucos e serem confundidos com outras doenças. Entre eles, podemos citar:
- Febre noturna persistente;
- Emagrecimento;
- Cansaço e falta de ar aos pequenos esforços;
- Manchas nos olhos e na ponta dos dedos;
- Novo sopro presente no coração.
Além disso, a Endocardite pode ter como primeira manifestação uma lesão de algum órgão distante, como:
Algumas pessoas são particularmente mais suscetíveis ao desenvolvimento de endocardite. Entre elas, pessoas que possuam qualquer doença que produza disfunção das valvas cardíacas, como: estenose ou insuficiência, ou alguma deformação ou turbilhonamento excessivo do sangue nestes locais, como febre reumática, doenças congênitas do coração, próteses cardíacas, marcapasso, calcificação, etc. São também mais suscetíveis pessoas que são expostas continuamente a uma alta carga de bactérias na corrente sanguínea. São casos como: viciados em drogas injetáveis, imunodeprimidas, alguns tipos de tumores de intestino, má higiene bucal, procedimentos invasivos contaminados, dentre outros.
Diagnóstico
O diagnóstico da endocardite costuma ser realizado através da correlação dos sinais, sintomas e exames clínicos. Entre os exames, colaboram com o diagnóstico os achados no Ecocardiograma e na Hemocultura. Este último é o exame que mostra o crescimento da bactéria no sangue.
“Algumas vezes, o uso indiscriminado de antibióticos sem um diagnóstico adequado pode atrapalhar, atrasar o tratamento e induzir a um diagnóstico equivocado. No caso de uma endocardite, isso pode ser fatal.” – Dr. Rodrigo Carlo Saorin, Médico Cardiologista (CRM 8835 / RQE 8508).
Tratamento da Endocardite
O paciente diagnosticado com endocardite deverá ser submetido a um período de internação hospitalar relativamente longo, que costuma durar várias semanas. Os cuidados médicos envolvem a administração de medicamentos antibióticos específicos e, em alguns casos, procedimentos cirúrgicos.
O tratamento com antibióticos visa eliminar a infecção bacteriana. Já a cirurgia é indicada para pacientes que tiveram suas válvulas naturais ou próteses valvares comprometidas pelo crescimento dos microorganismos. Nesses casos, a válvula natural ou prótese valvar deve ser substituída. Quando aparelhos de marcapasso são contaminados pela endocardite, eles também precisam ser trocados.
“O tratamento com antibióticos específicos é muito importante. A cirurgia só pode ser indicada quando os exames mostrarem que as bactérias foram eliminadas completamente do organismo.” – Dr. Rodrigo Carlo Saorin, Médico Cardiologista (CRM 8835 / RQE 8508).
Profilaxia
Pessoas que possuam fatores de risco para o desenvolvimento de endocardite precisam ser identificadas e receber a profilaxia adequada.
“A profilaxia consiste na administração preventiva de antibióticos antes de alguns procedimentos que possam provocar uma exposição do sangue a uma grande quantidade de bactérias.” – Dr. Rodrigo Carlo Saorin, Médico Cardiologista (CRM 8835 / RQE 8508).
Converse com o seu cardiologista para saber se você faz parte de algum grupo de risco para a endocardite. O médico também poderá lhe orientar sobre os cuidados que você precisa tomar para evitar esta doença tão perigosa.
Colaborou nesta matéria: Dr. Rodrigo Carlo Saorin (CRM 8835 / RQE 8508), Médico Cardiologista e Intensivista do Hospital SOS Cárdio, Florianópolis/SC.

por Equipe Seu Cardio | Blog, Cirurgia Cardíaca, Cirurgia em Idoso, Fatos e Mitos, Marcapasso e outros dispositivos, Pré e Pós-Operatório
A atividade física é um elemento importante tanto na prevenção quanto na reabilitação cardíaca. Porém, muitas pessoas ainda ficam inseguras em praticá-la após o implante de marcapasso cardíaco. Os pacientes costumam ter dúvidas sobre a capacidade do dispositivo, de manter uma frequência adequada, bem como sobre a sua integridade e durabilidade. Neste texto, iremos esclarecer as principais dúvidas dos pacientes sobre a relação entre marcapasso e exercícios físicos. Vamos a elas!
Quem tem marcapasso pode praticar atividades físicas?
Na grande maioria dos casos, a prática de atividades físicas pode ser iniciada ou retomada logo após o período de recuperação do implante de marcapasso. No entanto, cada caso deve ser analisado pelo médico responsável. Seguir as orientações médicas é fundamental.
Qual médico devo consultar?
Para iniciar uma rotina de exercícios físicos com segurança após o implante de marcapasso, você deve consultar seu Cardiologista Clínico. Ele avaliará o seu estado de saúde como um todo e irá lhe orientar quanto à intensidade e a frequência de exercícios indicadas para você. Esse é o primeiro passo para uma boa relação entre marcapasso e exercícios físicos.
Quais os exercícios iniciais mais indicados para portadores de marcapasso?
O objetivo inicial da atividade física, para maioria dos pacientes, é permitir a realização das tarefas do dia a dia, aumentando a força muscular, a resistência aeróbica e mantendo a saúde e mobilidade das articulações.
Portadores de marcapasso que não praticam atividade física regularmente, quando liberados pelo seu Cardiologista, devem iniciar com exercícios de intensidade baixa à moderada. Assim, é possível avaliar o seu condicionamento físico e a sua progressão, na medida em que o corpo se adapta às novas exigências.
Marcapasso e Exercícios: o que eu devo evitar?
Algumas atividades físicas devem ser evitadas por usuários de marcapasso, especialmente nas primeiras 6 semanas após o procedimento. Nesse período, devem ser evitadas atividades que exijam esforço muscular moderado ou severo no braço contíguo ao local do implante do marcapasso.
Depois desse período, as limitações são poucas. Aplicam-se às atividades físicas que exigem grande movimentação dos ombros e àquelas com possível impacto na região do implante. Um impacto forte sobre o gerador do marcapasso pode alterar a integridade do sistema e o seu funcionamento.
São exemplos de atividades e esportes devem ser evitados por portadores de marcapassos:
- golfe
- esportes de raquete (como o tênis)
- fisiculturismo
- natação
- artes marciais
- boxe
Neste outro post, abordamos mais as atividades que devem ser evitadas por portadores de marcapassos e outros dispositivos cardíacos.
O marcapasso pode trazer benefícios para o meu desempenho esportivo?
Os pacientes que tomam todos os cuidados citados acima podem desfrutar do uso de marcapasso e exercícios físicos. E, dependendo da doença cardíaca, ainda podem observar uma melhora no seu desempenho cardiovascular e esportivo. Por exemplo:
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Paciente com Bloqueio Atrioventricular Total (BAVT):
Nesses casos, os pacientes costumam apresentar boa frequência atrial e resposta cronotrópica (aumento da frequência cardíaca com a intensidade da atividade). Contudo, devido ao bloqueio, o ventrículo se mantém em frequência fixa baixa. Nestes casos, o marcapasso conduz a frequência atrial para o ventrículo. Desta forma o paciente pode apresentar a mesma resposta de uma pessoa sem a doença.
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Paciente com Doença do Nó Sinusal:
Nestes casos, os pacientes podem apresentar frequência atrial muito baixa (Doença do Nó Sinusal). O implante, por sua vez, possui um sensor sensível à atividade física do paciente. Ao perceber o sinal de esforço, há um aumento da frequência cardíaca, que pode levar à melhora do desempenho cardiovascular.
Não tenha medo. Converse com o seu médico sobre a retomada das atividades físicas e esportivas após o implante de marcapasso. Assim, você pode se beneficiar da boa relação entre o uso de marcapasso e exercícios físicos.
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por Equipe Seu Cardio | Blog, Fatores de Risco e Prevenção, Fatos e Mitos
A ocorrência de morte súbita é uma realidade no esporte. No entanto, não é a prática de exercícios físicos que leva os atletas ao óbito, mas sim a ausência de exames preliminares, que poderiam diagnosticar e prevenir doenças genéticas graves. São elas que tendem a provocar as arritmias cardíacas e a causar a morte súbita – especialmente entre os mais jovens.
Abaixo, o Dr. André Pacheco Silva (CRM/SC 15555, RQE 13140), Médico Cardiologista e Arritmologista Clínico do Hospital SOS Cárdio, em Florianópolis/SC, fala da relação do exercício físico com as arritmias cardíacas. Na entrevista, você vai entender como esses problemas acontecem e o que podemos fazer para nos proteger.
Quais os benefícios da atividade física?
Dr. André: O exercício físico já está consagrado na medicina. Ele promove benefícios enormes não só para a saúde do coração, mas para o corpo todo. Hoje, sabemos que o exercício físico auxilia na prevenção de doenças graves, como a demência e até alguns tipos de câncer.
No geral, quanto maior o nível de atividade física, maiores os benefícios para a saúde. No entanto, você não precisa ser atleta. A prática de exercícios físicos, em qualquer nível, ajuda a prevenir infartos do coração e acidentes vasculares cerebrais (AVC). A Organização Mundial da Saúde (OMS), por exemplo, preconiza que com 150 minutos de por semana, já é possível ter benefícios consideráveis.
Qual tipo de exercício é o mais indicado?
Dr. André: Tanto as atividades aeróbias, como correr e pedalar, ou de força, como a musculação, trazem benefícios para o organismo. No geral, exercícios aeróbicos estão relacionados a um maior gasto de calorias e ganhos nos parâmetros cardiovasculares e metabólicos (perda de peso, controle do colesterol e da glicose no sangue). Os exercícios de força também possuem efeitos sobre a circulação sanguínea e sobre o metabolismo, mas destacam-se por preservar e fortalecer a integridade muscular e óssea.
É preciso fazer algum tipo de avaliação antes de praticar exercícios intensos?
Dr. André: Sim. Apesar de todos os benefícios, o exercício físico intenso pode ser bastante perigoso para as pessoas que apresentam determinados problemas cardíacos, como algumas arritmias cardíacas. É preciso lembrar que sempre que realizamos um exercício, o nosso corpo sofre um estresse. Esse estresse, em determinadas situações, pode descompensar algum problema silencioso, que o indivíduo – especialmente os mais jovens – podem não saber que têm. Muitos atletas já sofreram morte súbita dessa maneira, por não saberem que possuíam determinada doença.
Por isso, antes de praticar ou começar a treinar alguma atividade competitiva ou que leve o seu corpo ao limite, é importante consultar o médico cardiologista. A avaliação cardiológica completa é indicada.
Quais os problemas mais comuns que levam à morte súbita?
Dr. André: A morte súbita pode ser desencadeada pelo exercício físico durante a atividade em si ou em até 24 horas depois dela. Em pessoas com menos de 35 anos, a morte súbita costuma estar relacionada à Cardiomiopatia Hipertrófica, uma característica genética que faz com que o músculo cardíaco seja mais espesso (hipertrofiado) do que o normal.
Durante o exercício intenso, com a sobrecarga do coração, esse espessamento do músculo cardíaco pode provocar arritmias cardíacas malignas, como as taquicardias ventriculares e fibrilação ventricular. O risco de morte súbita é real.
A Cardiomiopatia Hipertrófica pode ser silenciosa e não apresentar sintoma algum. No entanto, ela é uma doença de fácil rastreio, que pode apresentar sinais claros no eletrocardiograma. Por isso, tão importante a avaliação cardiológica pré-atividade física.
Em pessoas com mais de 35 anos, a morte súbita está mais relacionada ao infarto do coração. Esse problema é provocado pela inflamação e obstrução das artérias coronárias, que levam sangue para o próprio músculo cardíaco. O infarto, quando não fatal, costuma deixar cicatrizes no coração, que também podem desencadear arritmias cardíacas graves a longo prazo.
Quais os outros problemas relacionados às arritmias cardíacas?
Dr. André: Outra causa de morte súbita relatada em atletas é uma doença chamada Displasia Arritmogênica do Ventrículo Direito. Essa é uma doença hereditária e muito prevalente entre a população de origem italiana.
De forma resumida, essa doença provoca uma substituição do músculo do coração normal por tecido de fibrose e gordura, predominantemente no ventrículo direito. O grande problema é que essas novas áreas, formadas por células mortas de fibrose e tecido gorduroso, possuem comportamento elétrico diferente das células antigas. A eletricidade que faz o coração bater passa por essas novas estruturas com velocidade e forma diferentes do normal. Durante o exercício físico, quando a atividade elétrica do coração é naturalmente intensa, esse fato pode desencadear arritmias cardíacas graves e morte súbita.
Outras doenças genéticas, como as Canalopatias Cardíacas ou alterações no posicionamento das artérias coronárias, também podem provocar morte súbita, especialmente durante o exercício físico.
O que o doutor aconselharia para quem deseja praticar exercícios físicos?
Dr. André: As arritmias cardíacas são muito diversas. Na maior parte das vezes, o exercício físico moderado é benéfico para os pacientes que possuem arritmias, como as extra-sístoles e a fibrilação atrial, ajudando a suprimi-las. No entanto, caso a arritmia seja provocada por algum problema estrutural do coração, por alguma outra doença, o problema pode ser mais grave e o exercício físico pode ser desaconselhado, por conta do risco de morte súbita.
Por isso, antes de fazer alguma atividade física intensa, é importante realizar a avaliação cardiológica. Assim, é possível identificar possíveis alterações e desfrutar de todos os benefícios do exercício físico com segurança, inclusive na reabilitação após uma cirurgia cardíaca.
Sobre o Autor: Dr. André Pacheco Silva (CRM/SC 15555, RQE 13140), formou-se em Medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Realizou a residência médica em Clínica Médica no hospital da mesma universidade. É especialista em Cardiologia e Arritmologia Clínica pelo Instituto do Coração da Universidade de São Paulo (Incor-USP). É membro da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). É médico Cardiologista e Arritmologista Clínico do Hospital SOS Cárdio, em Florianópolis/SC.
