por Equipe Seu Cardio | Blog, cuidados, Fatores de Risco e Prevenção, Insuficiência Cardíaca, Válvulas
Para falarmos de insuficiência valvar, precisamos entender que as válvulas cardíacas funcionam como quatro portas. Localizadas entre as quatro câmaras do coração, elas devem permitir a passagem do sangue apenas no sentido correto da circulação – e se fechar para eventuais refluxos.
“A insuficiência valvar acontece quando uma das quatro válvulas do coração torna-se incompetente na sua função de fechar, permitindo o refluxo de sangue. Esse refluxo, com o passar do tempo, pode levar à falência de bomba do coração” – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular em Florianópolis/SC (CRM 4370 / RQE 5893).
Efeitos Degenerativos
Caso não seja tratada, a insuficiência valvar tende a tornar-se cada vez mais grave. O problema, originado e, até certo ponto, localizado nas válvulas, pode ter impacto direto sobre a bomba cardíaca como um todo.
“A insuficiência valvar provoca uma perda gradual na força contrátil do coração. Isso faz com que a quantidade de sangue ejetado pelo órgão a cada batimento (fração de ejeção) seja cada vez menor, levando a um quadro clínico chamado de insuficiência cardíaca” – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular em Florianópolis/SC (CRM 4370 / RQE 5893).
A insuficiência valvar pode provocar sintomas diversos, que variam de acordo com a válvula afetada. A manifestação mais comum da doença, no entanto, é o cansaço excessivo e a falta de ar.
Tratamento da Insuficiência Valvar
Os tratamentos para a insuficiência valvar podem envolver o reparo cirúrgico da válvula (plastia valvar) ou a substituição dessa estrutura por uma prótese valvar mecânica ou biológica – a exemplo das novas próteses com Tecnologia Resilia.
“Além de estarem posicionadas em regiões diferentes dentro do coração, as válvulas cardíacas possuem características particulares que exigem abordagens próprias” – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular em Florianópolis/SC (CRM 4370 / RQE 5893).
Válvula Mitral (localizada entre o átrio e o ventrículo esquerdos):
Hoje, existe uma grande variedade de técnicas que fazem com que o reparo cirúrgico, plastia da valva mitral, seja considerado o padrão ouro nos casos de insuficiência valvar mitral degenerativa – que cursa com insuficiência severa da valva mitral.
Válvula Aórtica (localizada entre o ventrículo esquerdo e a artéria aorta):
Apesar do contínuo desenvolvimento e da crescente popularidade, a plastia da válvula aórtica ainda se reserva a casos selecionados. Por isso, em geral, o tratamento mais indicado costuma ser a substituição da válvula original por uma prótese valvar mecânica ou biológica.
Válvula Tricúspide (localizada entre o átrio e ventrículo direito):
A disfunção da válvula tricúspide costuma estar relacionada à insuficiência decorrente da dilatação do coração. No geral, pacientes que apresentam doença valvar no lado esquerdo do coração (mitral ou aórtica) tendem a apresentar insuficiência valvar também no lado direito, na válvula tricúspide.
“A plastia da válvula tricúspide vem mostrando resultados muito bons a curto, médio e longo prazos. É cada vez mais comum a associação do tratamento das válvulas do lado esquerdo do coração (mitral e aórtica) à plastia da válvula tricúspide” – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular em Florianópolis/SC (CRM 4370 / RQE 5893).
Válvula pulmonar (localizada entre o ventrículo direito e a artéria pulmonar):
Trata-se de um tipo raro de insuficiência valvar, geralmente relacionado às cardiopatias congênitas. O tratamento costuma ser realizado ainda na infância.
Próteses Valvares Cardíacas
Dependendo das causas que levam à doença, a insuficiência valvar não pode ser tratada com a plastia das válvulas cardíacas. Esse, por exemplo, costuma ser o caso da doença reumática, que provoca uma retração muito grande das válvulas, impossibilitando a plastia. Nesses casos, a alternativa passa a ser o implante valvar, seja de próteses biológicas como de próteses mecânicas.
“A decisão sobre qual modelo de prótese deverá ser implantada leva em consideração a idade do paciente. Isso porque as próteses biológicas têm durabilidade menor em pacientes mais jovens. Outro ponto observado é a aceitação do paciente em tomar ou não a medicação anticoagulante oral – e da realização dos exames para controle de TAP – uma vez que essa é uma exigência para o implante das próteses mecânicas” – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular em Florianópolis/SC (CRM 4370 / RQE 5893).
Fique atento à insuficiência valvar. Converse com o seu cardiologista sobre o essa doença e informe-se sobre as possibilidades de tratamento. É importante que você entenda os prós e contras de cada conduta e avalie a melhor opção para você.

por Equipe Seu Cardio | Blog
Projeções realizadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, até 2040, o câncer deve superar as doenças vasculares (Infarto Agudo do Miocárdio e Acidente Vascular Cerebral) como a principal causa de morte no mundo. Nesse cenário, os tratamentos multidisciplinares em cardio-oncologia tornam-se cada vez mais relevantes.

Previsão de mortes no mundo, em milhões.
“A oncologia e a cardiologia precisam trabalhar juntas. Os medicamentos e a radiação utilizados na quimioterapia e na radioterapia podem provocar graves efeitos no coração do paciente. É o que conhecemos como cardiotoxicidade do tratamento contra o câncer” – Dr. Antonio Felipe Simão, Médico Cardiologista (CRM-SC 1487).
Uma única sessão de quimioterapia pode reduzir a capacidade do coração do paciente de ejetar sangue em até 30% – comprometendo gravemente a sua qualidade de vida.
Abaixo, o Dr. Antonio Felipe Simão (CRM-SC 1487), Médico Cardiologista, mostra a importância de realizar o acompanhamento cardiológico de forma integrada ao tratamento contra o câncer.
Efeitos sobre o coração
Apesar de extremamente necessários, os medicamentos e radiações utilizados para combater os diferentes tipos de câncer podem provocar a morte das células do coração. Com isso, muitas mudanças bioquímicas, fisiológicas e na morfologia do músculo cardíaco acontecem. Doenças como Insuficiência Cardíaca, Arritmias e Infartos Agudos são algumas da consequências – e podem ser prevenidas com o auxílio da cardio-oncologia.
“Nem todos os pacientes em tratamento contra o câncer sofrem com problemas cardíacos. Estudos mostram que esses efeitos atingem entre 5% a 30% dos pacientes oncológicos” – Dr. Antonio Felipe Simão, Médico Cardiologista (CRM-SC 1487).
Cardiotoxicidade
Conforme o tipo de tratamento contra o câncer, a cardiotoxicidade dos fármacos utilizados pode acontecer de duas formas:
- Cardiotoxicidade Tipo 1: Atinge o coração de forma irreversível. Assim, mesmo que a pessoa seja curada do câncer, o seu coração ficará debilitado de forma permanente.
- Cardiotoxicidade Tipo 2: Nesses casos, os transtornos provocados ao coração podem ser revertidos.
“Muitas vezes, a única opção para o tratamento de um câncer é o uso de medicamentos com cardiotoxicidade irreversível. Em outras, é possível utilizar medicamentos que não provocam danos permanentes ao miocárdio. Existem também as relações entre dose e velocidade de infusão” – Dr. Antonio Felipe Simão, Médico Cardiologista (CRM-SC 1487).
Para calcular os riscos, no entanto, é muito importante conhecer o real estado de saúde cardíaca do paciente.
Fatores de Risco
Durante o tratamento oncológico, as pessoas que já apresentam problemas cardíacos correm o risco de ter a sua doença agravada. Já os pacientes que não apresentam doença estabelecida, mas que possuem fatores de risco como Hipertensão e Diabetes, têm maiores chances de desenvolver alguma doença no coração. Em ambos os casos, o acompanhamento em cardio-oncologia é indispensável
Acompanhamento em cardio-oncologia
Para prevenir problemas ao coração, o ideal é que os pacientes oncológicos façam uma avaliação cardiológica completa antes mesmo de iniciarem a quimioterapia ou a radioterapia.
Nessa avaliação, além dos exames clínicos, o médico cardiologista poderá solicitar exames de sangue específicos, para avaliar os marcadores de saúde cardiovascular como as Troponinas e o BNP (Peptídeo Natriurético). Além desses, o cardiologista também poderá solicitar exames de imagens, como o Ecocardiograma, para uma avaliação estrutural do coração.
“Uma vez feitos esses exames, o médico cardiologista deverá repassar as informações obtidas ao médico oncologista. Assim, ele poderá avaliar com maior precisão os risco de administrar determinadas drogas ou tratamentos” – Dr. Antonio Felipe Simão, Médico Cardiologista (CRM-SC 1487).
Prevenção
O acompanhamento com o médico cardiologista deve continuar ao longo de todo tratamento oncológico. O objetivo principal é acompanhar como o coração do paciente está respondendo à quimioterapia ou radioterapia, e prevenir complicações.
Para isso, os médicos cardiologistas podem repetir periodicamente os exames já realizados, para comparar os resultados.
“É importante também que o médico oncologista repasse ao médico cardiologista informações sobre o tratamento do paciente, como quais fármacos estão sendo administrados e em que dose. Isso é importante para uma avaliação cardiológica mais segura. A comunicação entre as duas especialidades pode ser decisiva para a sobrevida dos pacientes” – Dr. Antonio Felipe Simão, Médico Cardiologista (CRM-SC 1487).
Segurança
Uma vez diagnosticada alguma complicação cardíaca decorrente do tratamento oncológico, os médicos poderão avaliar com maior segurança a melhor conduta a ser tomada em cardio-oncologia.
Em alguns casos, os problemas cardíacos podem ser evitados com a administração de remédios específicos. Em outros, mais avançados, é necessária a realização de procedimentos cirúrgicos. Até mesmo mudanças na conduta do tratamento contra o câncer podem ser necessárias. Quanto antes o problema cardíaco for diagnosticado, maiores as chances de cura.
“As chances de que um paciente com câncer venha a falecer por problemas cardíacos é real. A intenção da cardio-oncologia é prevenir esse tipo de desfecho, garantindo uma melhor qualidade de vida durante e após o tratamento oncológico” – Dr. Antonio Felipe Simão, Médico Cardiologista (CRM-SC 1487).
Cuide da sua saúde. Converse com o seu médico sobre a cardio-oncologia e faça o seu tratamento contra o câncer com mais segurança!

por Equipe Seu Cardio | Blog, cuidados, Fatores de Risco e Prevenção
Sempre que o sangue humano entra em contato com materiais ou superfícies diferentes da parede interna dos vasos sanguíneos, ele tende a coagular. O tecido sanguíneo, que antes era líquido, passa a assumir uma consistência gelatinosa. O que pode provocar obstruções graves nos vasos, levando a quadros como as Embolias e os Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC).
“Isso pode acontecer, por exemplo, em pacientes com problemas nas válvulas cardíacas. As insuficiências, estenoses e endocardites podem fazer com que o implante de uma prótese mecânica seja necessário. Essas, por sua vez, tendem a estimular a produção de coágulos. E é por isso que o uso de medicação anticoagulante é obrigatório nessas situações” – Dr. Guilherme Genovez, Médico Hematologista (CRM 3798 / RQE 8599).
Existem também os casos de pessoas com tendência genética para a formação de trombos e que adquirem essa condição ao longo da vida. Muitas vezes, o medicamento anticoagulante é prescrito como forma de tratamento e/ou prevenção.
Abaixo, o Dr. Guilherme Genovez (CRM 3798 / RQE 8599), Médico Hematologista e Diretor do Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina – HEMOSC – explica como são feitos e qual a importância dos exames para o controle da coagulação sanguínea em pacientes que fazem uso de medicação anticoagulante.
Prescrição
Existe hoje uma grande variedade de medicamentos anticoagulantes no mercado. Como principais, podemos citar as Heparinas, os novos anticoagulantes DOACs (Dabigatrana, Rivaroxabana, etc) e os cumarínicos (anti-vitamina k), como a Varfarina.
Cada medicamento possui uma recomendação própria. A prescrição deles deve ser feita apenas pelo médico responsável, de acordo com o problema de saúde do paciente.
“De acordo com a avaliação médica, os DOACs podem ser prescritos em situações como as Embolias Pulmonares, por exemplo. Uma das vantagens é que eles dispensam a realização de exames de coagulação sanguínea” – Dr. Guilherme Genovez, Médico Hematologista (CRM 3798 / RQE 8599).
No entanto, os DOACs não podem ser utilizados por pacientes com prótese valvar. Nestes casos, os medicamentos cumarínicos como a Varfarina são obrigatórios e exigem o controle periódico da coagulação sanguínea, chamado de Tempo de Ativação de Protrombina – TAP. Nele, os médicos irão avaliar o RNI – Relação Normatizada Internacional – do paciente.
RNI – Relação Normatizada Internacional
O primeiro ponto de devemos observar quanto ao uso de medicação anticoagulante como a Varfarina é que todo paciente possui características próprias, que precisam ser avaliadas e respeitadas. Uma dose benéfica para uma pessoa pode gerar grandes problemas para outra.
“Alguns pacientes devem ser submetidos a apenas 2,5mg de Varfarina a cada dois dias. Outros, necessitam de 15mg. A dose varia de paciente para paciente. E o índice que determina isso é o RNI – a Relação Normatizada Internacional” – Dr. Guilherme Genovez, Médico Hematologista (CRM 3798 / RQE 8599).
Além disso, as diferentes doenças exigem cuidados diferenciados. Assim, encontrar a dose ideal da medicação anticoagulante nem sempre é uma tarefa fácil.
“Doses baixas de medicação anticoagulante podem expor os pacientes ao risco de formação de coágulos. Já as doses muito elevadas aumentam os riscos de problemas como as hemorragias. Por isso o RNI é tão importante” – Dr. Guilherme Genovez, Médico Hematologista (CRM 3798 / RQE 8599).
Como é avaliado o RNI?
Para identificar qual a dose adequada de medicação anticoagulante para cada pessoa, são coletadas pequenas amostras de sangue. Nele, são adicionadas substâncias de origem animal ou humana que induzem a coagulação sanguínea.
Assim, os profissionais podem avaliar quanto tempo a mais o sangue do paciente leva para se coagular de acordo com a dose estabelecida do anticoagulante – e verificar se o paciente está ou não dentro da faixa terapêutica e de segurança.
“O grande problema tempos atrás é que cada substância reativa induzia a resultados específicos. O RNI é uma forma de padronizar esses resultados. Faz com que, independente da substância utilizada pelo laboratório, os resultados sejam padronizados e seguros” – Dr. Guilherme Genovez. Médico Hematologista (CRM 3798 / RQE 8599).
De forma geral, as faixas terapêuticas de RNI dos pacientes variam com o modelo da válvula utilizada:
- Válvulas modernas: RNI 2 a 3.
- Válvulas antigas: RNI 2,5 a 3,5.
- Válvulas muito antigas (década de 60): RNI 3 a 4, dependendo da tecnologia usada.
Até mesmo o posicionamento da prótese pode interferir no RNI ideal. Geralmente, as próteses na posição mitral exigem um índice de RNI levemente maior do que as próteses na posição aórtica.
Periodicidade
Os pacientes com próteses valvares mecânicas devem realizar os exames para controle da coagulação por toda vida. Já os pacientes com próteses biológicas apenas nos três primeiros meses.
“Nos primeiros três meses, tanto os pacientes com próteses biológicas quanto mecânicas devem fazer um controle semanal da coagulação sanguínea” – Dr. Guilherme Genovez, Médico Hematologista (CRM 3798 / RQE 8599).
- No período inicial, uma vez que o indivíduo apresente resultados estáveis em 3 exames consecutivos, a dose do medicamento anticoagulante é definida.
- Após os 3 primeiros meses, o exame de coagulação passa a ser trimestral (dependendo da orientação do médico responsável).
Sobre o autor: Dr. Guilherme Genovez (CRM 3798 / RQE 8599), é médico Hematologista e Diretor do Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina – HEMOSC. Formado em medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e com especialização em hematologia e hemoterapia, possui extenso currículo com contribuições à saúde pública catarinense, atuando por 13 anos como médico intensivista do Hospital Regional de São José. Em 2008, esteve à frente da Coordenadoria da Política Nacional de Sangue e Hemoderivados (CGSH/DAE/SAS) do Ministério da Saúde, em Brasília, onde ficou até 2014.

por Equipe Seu Cardio | Aorta, Blog, Congênito, Válvulas
Em condições normais, o sangue flui em nosso corpo sem turbulências. No entanto, em certos casos, o fluxo sanguíneo pode sofrer alterações. Esse fenômeno, por sua vez, se traduz em uma resposta vibratória, que é percebida pela ausculta cardíaca como um sopro no coração.
“Em certos casos, é possível palpar a vibração do sangue. Essa manifestação tátil do sopro no coração é o que chamamos de frêmito” – Dr. Antônio Silveira Sbissa, médico cardiologista – CRM 437.
Abaixo, o Dr. Antônio Silveira Sbissa (CRM 437), médico cardiologista com longa experiência, explica o que é o sopro no coração e como ele é provocado.
O que provoca o sopro no coração?
O sopro ouvido do precórdio, região do tórax relacionada com coração, significa uma turbulência no fluxo de sangue. E esse fenômeno pode ter inúmeras causas (tanto congênitas quanto adquiridas). As mais frequentes estão relacionadas com alterações estruturais no coração – ou em outras partes do sistema circulatório – que interferem no fluxo sanguíneo.
“Uma válvula cardíaca que não abre ou não se fecha da forma adequada pode alterar o fluxo sanguíneo e provocar a turbulência, que é auscultada pelo médico e avaliada através do sopro. A estenose da valvula aórtica, por exemplo, produz um sopro sistólico de ejeção no chamado foco aórtico, onde se auscultam os fenômenos localizados nessa estrutura” – Dr. Antônio Silveira Sbissa, médico cardiologista – CRM 437.
Outras causas
Além das estenoses e das insuficiências nas válvulas do coração, o sopro pode ser provocado por outros fatores. Entre eles, estão as doenças que fazem com que o sangue circule mais rápido pelos vasos sanguíneos, como o hipertireoidismo ou anemia (que faz com que o sangue fique de certa forma menos denso e passe pelas válvulas do coração de maneira turbulenta).
“É importante dizer que nas crianças, especialmente nos primeiros anos de vida, o sangue tende a circular naturalmente de forma que provoque turbulência. Por isso é normal que os pequenos apresentem sopro no coração, sem que exista necessariamente um problema estrutural. É o que chamamos de “sopro inocente”, que costuma desaparecer na medida em que a criança cresce” – Dr. Antônio Silveira Sbissa, médico cardiologista – CRM 437.
Doenças que ocorrem em indivíduos jovens também podem provocar alterações nas válvulas cardíacas e levar ao sopro no coração. É o caso da febre reumática, muito comum anos atrás. Até mesmo a sífilis pode gerar deformidades na estrutura da válvula aórtica e ocasionar sopro no coração.
O que fazer em caso de sopro no coração?
Qualquer médico pode identificar um sopro no coração. E, dependendo do tipo de sopro, já é possível ter uma boa ideia do que esse sinal pode significar, ainda durante a ausculta.
Uma vez diagnosticado o sopro no coração, o segundo passo é realizar o raciocínio clínico. Assim, o médico poderá relacionar as informações obtidas na ausculta do sopro com outros sintomas e informações de saúde do paciente.
Caso os dados obtidos, o médico pode ainda solicitar exames complementares, como o Ecocardiograma. Nele, pode-se visualizar o funcionamento das válvulas cardíacas e das estruturas do coração.
“Os pacientes com sopro no coração não precisam se assustar. Na maior parte das vezes, trata-se de um “sopro benigno”. Caso esse fenômeno seja provocado por alguma alteração na estrutura cardíaca, o paciente poderá ser acompanhado pelo médico cardiologista. Nos casos necessários, uma série de outros exames poderão ser solicitados. Os tratamentos cirúrgicos, como a correção das válvulas, e os implantes com próteses mecânicas ou biológicas estão cada vez mais avançados – Dr. Antônio Silveira Sbissa, médico cardiologista – CRM 437.
Sobre o autor: Dr. Antônio Silveira Sbissa (CRM 437) é Médico Cardiologista. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Paraná, em 1960, com Doutorado em Medicina, e com Curso de Aperfeiçoamento em Cardiologia pela Universidade de São Paulo e na Virginia Commowealth University. Professor Titular do Departamento de Clínica Médica do Curso de Medicina, Doutor em Ciências e Livre Docente, na Universidade Federal de Santa Catarina. Professor do Curso de Medicina na Universidade do Vale do Itajaí e na Universidade do Sul de Santa Catarina. Especialista em Cardiologia, pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Foi Diretor Geral do Instituto de Cardiologia da Secretaria de Estado da Saúde, Fundador e primeiro Presidente da Sociedade Catarinense de Cardiologia, Membro fundador e ocupante da Cadeira Vinte e Um da Academia Catarinense de Medicina, Presidente do Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina.

por Equipe Seu Cardio | Blog, Cirurgia Cardíaca, Coronária
Em estudos recentes e em publicação realizada no volume 34, edição de número 1 de 2019, do Brazilian Journal of Cardiovascular Surgery, Domingos Souza et al. descreveram etapa por etapa a técnica no-touch para a retirada da veia safena para a Cirurgia de Revascularização do Miocárdio. O autor também relatou o desfecho clínico e angiográfico de follow-up de 3 meses em um paciente submetido ao procedimento.
“No artigo, o paciente em questão já é idoso, tem 80 anos. Além disso, possui hipertensão, hiperlipidemia e histórico de infarto do miocárdio prévio com intervenção coronária percutânea à artéria coronária direita”. Dra. Marli Annes, Cirurgiã Cardiovascular (CRM 19804).
Conforme o estudo de Domingos Souza et al.:
The ejection fraction was 55% and he was complaining of exertional chest pain. The coronary angiography showed advanced three-vessel disease with significant stenoses in the left anterior descending (LAD) artery, two marginal arteries (MAs) and the posterior descending artery (PDA), in addition to an occluded diagonal artery (DA).
Perviedade dos Enxertos Arteriais
A Cirurgia de Revascularização do Miocárdio é o procedimento cirúrgico mais estudado na história da medicina. Atualmente, o que é mais discutido pelos cirurgiões cardiovasculares é como melhorar a capacidade dos enxertos e manter a sua perviedade em longo prazo.
Hoje, a técnica mais difundida é a utilização, sempre que possível, de enxertos arteriais. O uso da artéria torácica interna esquerda (ATIE) pode chegar até 95% em 10 anos. Já os enxertos de veia safena apresentam índices de apenas 50%, neste mesmo período, no que tange a perviedade.
“Todos os anos, mais de 800 mil Cirurgias de Revascularização do Miocárdio são realizadas mundialmente. E mesmo com índice subótimo de perviedade em longo prazo, a veia safena é amplamente utilizada como enxerto para a realização de bypass. Isso se deve, entre outros motivos, à sua anatomia, facilidade de acesso e capacidade de fornecer tecido suficiente para revascularizar diversos vasos” – Dra. Marli Annes, Cirurgiã Cardiovascular (CRM 19804).
Perviedade da Veia Safena com a Técnica No-touch
Com esse sentido, a técnica “No-touch” para a retirada da veia safena, desenvolvida pelo cirurgião Domingos Souza ainda na década de 1990, é vista como uma alternativa para melhoria da durabilidade do enxerto. Nela, os índices de perviedade chegam a 90% em um seguimento de oito anos e meio: um resultado comparável ao uso da Artéria Torácica Interna Esquerda (ATIE).
A técnica “no-touch” consiste na retirada atraumática da veia safena. Isso porque o cirurgião não manipula diretamente o tecido com o instrumental cirúrgico. Nela, a veia safena é retirada com o tecido subcutâneo perilocal que a envolve. Busca-se, assim, o mínimo de manipulação deste vaso. Além disso, contempla também o cuidado ao preparar este segmento venoso, com injeção de solução em baixa pressão dentro dele. Dessa forma, procura-se evitar a lesão do endotélio e prolongar a vida útil da safena.
Como benefício, a técnica No Touch apresenta excelentes resultados na longevidade dos enxertos feitos com a veia safena, quando comparado à técnica convencional.
No artigo de Domingos Souza et al:
The patient received a triple sequential no-touch vein graft to the PDA and two MAs together with a double sequential no-touch vein graft to the DA and LAD. A vein graft was used to bypass the LAD due to the age of the patient and the low degree (60-70%) of stenosis in the LAD.
Aplicação da Técnica No-touch
Como resultado, o artigo de Domingos Souza et al. mostra que, no follow-up de três meses, o paciente submetido ao procedimento encontrava-se completamente assintomático. O exame de angiotomografia computadorizada revelou patência de todos os enxertos realizados.
Na Equipe Seu Cardio, estamos utilizando a mesma técnica e realizando protocolos comparativos com intuito de alcançarmos as mesmas conclusões demonstradas nos estudos do Dr. Domingos Souza et al.
Com a aplicação da técnica no-touch, resgatamos a importância dos enxertos venosos como estratégia segura em associação aos enxertos arteriais. Assim, reforçamos a posição da cirurgia de revascularização do miocárdio como tratamento ouro para a insuficiência coronariana crônica.
Com a devida autorização do Prof. Dr. Domingos Souza, pesquisador e criador da técnica No Touch, estamos disponibilizando sua aula sobre o tema – apresentada 3o Encontro Anglo-Latino de Cirurgia Cardíaca, em Londres. O material contém vasto conteúdo sobre esta abordagem, já publicada na literatura médica mundial e com follow-up de longo prazo. Para acessar a aula, clique aqui.
Para ler o artigo do Dr. Domingos Souza et al. na íntegra, publicado no Brazilian Journal of Cardiovascular Surgery, clique aqui.
