por Equipe Seu Cardio | Aorta, Blog, Cirurgia Cardíaca, Doenças do Coração
O Aneurisma da Aorta Torácica atinge cerca de 5% dos brasileiros. A doença é silenciosa e grave. Quando não tratada, leva ao rompimento da aorta, que pode levar à morte em muitos casos. Por isso, o diagnóstico e o acompanhamento médico são fundamentais. Neste texto, explicamos sobre o que é o aneurisma da aorta, como é realizado o diagnóstico e quais são as opções de tratamento.
O que é Aneurisma da Aorta?
O Aneurisma da Aorta Torácica é uma dilatação progressiva que acontece em um ou mais segmentos da aorta. Essa dilatação leva ao enfraquecimento de sua parede. Uma vez distendida, torna-se cada vez mais fina, com risco progressivo de ruptura. Por isso, o aneurisma da aorta é grave e requer acompanhamento periódico. A ruptura de um aneurisma da aorta requer intervenção imediata, pois há risco à vida.
As principais causas do aneurisma da aorta estão associadas à aterosclerose. Os fatores de risco são os mesmos da doença coronariana: fumo, diabetes, hipertensão, colesterol e história familiar. O diagnóstico precoce, o tratamento e o acompanhamento médico são essenciais para evitar o rompimento da aorta, complicação principal do aneurisma.
Diagnóstico do Aneurisma da Aorta
Muitas vezes, o Aneurisma da Aorta Torácica é identificado durante exames médicos não relacionados à doença. É comum o diagnóstico ser realizado em exames como radiografia ou ultrassom por outro motivo, sem que o paciente tenha qualquer sintoma.
No entanto, devido à gravidade de uma possível ruptura do aneurisma da aorta, é essencial o diagnóstico precoce. É imprescindível o exame clínico, tanto na região torácica quanto abdominal, em pacientes acima de 50 anos.
Em caso de suspeita da dilatação da aorta, exames como raio-x de tórax, ecocardiograma, tomografia computadorizada e ressonância magnética são os mais indicados. Hipertensos, fumantes e pessoas com colesterol alto, aterosclerose ou histórico familiar devem receber atenção especial. Acompanhar com o Cardiologista Clínico é importante.
Formas de Tratamento do Aneurisma da Aorta
A aorta é o maior vaso do corpo humano. Ao sair do coração, distribui o sangue inicialmente para as artérias da cabeça e membros superiores. Depois, segue levando o sangue para todo o restante do corpo.
Por se tratar de um grande vaso, é dividida entre aorta ascendente, arco aórtico, aorta descendente e aorta abdominal. Dependendo do tamanho e da localização, o Aneurisma da Aorta Torácica possui diferentes formas de abordagem e tratamento:
Aneurisma de Aorta Ascendente e Arcos Associados:
Na maioria das vezes, o tratamento de aneurisma da aorta ascendente ou de arcos associados requer uma cirurgia aberta. No procedimento, a abordagem costuma ser a substituição da área do aneurisma por uma prótese tubular.
Aneurismas da Aorta Torácica Descendente e da Aorta Abdominal:
Os aneurismas da aorta descendente e da aorta abdominal recebem outra abordagem. São tratados por cirurgia endovascular, um procedimento minimamente invasivo. Neste procedimento, é realizado o implante de uma endoprótese no local do aneurisma, através de um cateter inserido na artéria da região inguinal.
O diagnóstico precoce e o acompanhamento com o Cardiologista Clínico são fundamentais para o controle do avanço do aneurisma da aorta. É o Cardiologista também quem irá identificar a necessidade de encaminhar o paciente para o tratamento. A definição entre cirurgia aberta ou endovascular dependerá da localização do aneurisma e da avaliação individual de cada caso.
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por Equipe Seu Cardio | Aorta, Blog, Congênito, Coronária, Válvulas
Neste artigo, escrito pelo Cirurgião Cardiovascular Dr. Giani Osni Alves (CRM/SC 4861), da equipe Seu Cardio, você vai saber mais sobre a circulação extracorpórea (CEC) e porque algumas vezes é utilizada na cirurgia cardíaca. Boa leitura!
A circulação extracorpórea, aqui abreviada por CEC, passou e passa por um desenvolvimento multidisciplinar para que as cirurgias cardíacas hoje realizadas possam ser executadas com bastante segurança.
Antes deste recurso, as cirurgias cardíacas intra cavitárias eram realizadas com ajuda de diminutas aberturas no coração e dependiam da utilização do tato dos cirurgiões. Ainda em alguns casos, eram usadas hipotermias corporais totais e um tempo de aproximadamente 8 minutos para essas abordagens.
O uso das propriedades anticoagulantes da heparina e maior entendimento de exames de sangue, gasometrias, etc, propiciou um enorme avanço nesta área.
Historicamente, em 1882, Von Shoroeder oxigenou sangue borbulhando ar em um reservatório de dispositivo para perfusão de órgãos. Depois, em 1884, após inúmeras tentativas, Von Frey e Grinber conseguiram construir o primeiro oxigenador de membrana. Em 1926, na Rússia, Brukhonenko, desenvolveu uma bomba para impulsionar sangue venoso.
Mas foi em 1951 o registro da primeira CEC para uma cirurgia de retirada de tumor de mediastino, feita por Dogliotti e Constantini. Dois anos após, Gibbom realizou, com sucesso, a correção de uma cardiopatia congênita com CEC.
O que é Circulação Extracorpórea?
Objetivamente, CEC é um dispositivo artificial pelo qual a circulação de sangue do paciente é total ou parcialmente transportada para fora do organismo. Passa por tubos e órgãos artificiais, sendo depois devolvido ao corpo do paciente.
Com isso, conseguimos três objetivos, a saber:
- Manter todos os órgãos em plena atividade;
- Propiciar um campo operatório imóvel e livre de sangue;
- Obter maior tempo para abordagem cirúrgica, com tratamento antes inimagináveis das cardiopatias.
No centro cirúrgico, o paciente que irá fazer uma cirurgia cardíaca com CEC, uma vez estando com o tórax aberto e já completamente anticoagulado, receberá uma ou duas cânulas ditas venosas no átrio direito (que recebe todo o sangue do organismo) e outra cânula, dita arterial, que será posicionada em uma artéria (femoral ou aorta ascendente geralmente).
Uma vez em CEC, o sangue que chega no átrio direito é desviado do organismo pelas cânulas e chega então num reservatório venoso. Em seguida, ele passa por um dispositivo onde é retirado o gás carbônico, em troca por oxigênio. Esse dispositivo faz a parte correspondente ao pulmão. A esse nível, existe um controle da temperatura. Através de uma bomba, o sangue retorna ao sistema arterial do paciente. Assim, faz a parte correspondente à bomba miocárdica ou coração, dando retorno ao sangue com a pressão arterial, temperatura e oxigenação necessária ao paciente.
Outras perdas sanguíneas que por acaso ocorram no campo cirúrgico, são captadas por aspiradores que devolvem o sangue ao dispositivo descrito. Assim, fazem com que a perda sanguínea (hemorragia) seja praticamente desprezível durante a CEC.
A CEC no Brasil
O controle da máquina de CEC é feito por um profissional chamado perfusionista, com formação especializada em perfusão. Esse profissional é um dos membros da equipe cirúrgica. Essa atividade profissional é regulamentada pelo Ministério da Saúde, através da portaria número 689, de 01 outubro de 2002.
No Brasil, as primeiras cirurgias cardíacas com CEC datam de 1955, com Dr. Hugo Felipozzi dando o start com uso desta técnica. Posteriormente, os cirurgiões cardiovasculares Dr. Zerbini e Dr. Adib Jatene deram início à padronização dos aparelhos e sistematização das técnicas no nosso meio.
Empresas médicas passaram a fabricar dispositivos e materiais totalmente descartáveis e de uso individual. Surgiram também máquinas cada vez mais sofisticadas, fazendo com que as cirurgias cardíacas, juntamente com novas técnicas de preservação miocárdica e técnicas operatórias, contem com muito mais segurança.
Dr. Zerbini definia seu trabalho da seguinte maneira: “… operar é divertido, é um arte, é ciência, e faz bem aos outros.”. Dr Adib Jatene, por sua vez, dizia que nada resistia ao trabalho. Graças à eles, homens de coragem e desbravadores, a cirurgia cardíaca em nosso País atingiu um patamar de excelência, com qualidade reconhecida mundialmente.
Sobre o autor: Dr. Giani Osni Alves (CRM/SC 4861) é cirurgião cardiovascular da equipe Seu Cardio. Possui ampla experiência em cirurgias de cardiopatias adquiridas, congênitas e marcapassos cardíacos.

por Equipe Seu Cardio | Blog, Congênito, Fatores de Risco e Prevenção, Materiais Educativos
Estima-se que 1% das crianças nascidas vivas apresentam malformação cardiovascular. Em cerca de 60% dos casos, as causas são desconhecidas, segundo dados da American Heart Association. A alteração, denominada cardiopatia congênita, inclui uma variedade de malformações anatômicas e funcionais, presentes já no nascimento da criança. É considerada uma das principais causas de óbito relacionadas a defeitos congênitos. Por isso, a importância de seguir as diretrizes corretas para o tratamento de cardiopatias congênitas. (mais…)
por Equipe Seu Cardio | Blog, Congênito, Fatores de Risco e Prevenção
Ao falarmos sobre as principais cardiopatias congênitas, estamos abordando doenças que atingem cerca de 1% das crianças nascidas vivas. São problemas na estrutura e/ou na função cardiocirculatória do coração, presentes antes mesmo do nascimento. (mais…)
por Equipe Seu Cardio | Pré e Pós-Operatório
Cirurgias cardíacas são procedimentos de grande porte e que exigem anestesia geral. Atualmente, a técnica de anestesia geral balanceada costuma ser a mais utilizada. Trata-se de uma combinação de substâncias, ministradas durante todo o procedimento cirúrgico, e que promovem a inconsciência, eliminam a dor e permitem o relaxamento muscular.
Cabe ao médico anestesiologista calcular a proporção e a quantidade dos elementos sedativos, analgésicos e relaxantes para cada pessoa. Ele também administra a anestesia geral e permanece junto ao paciente durante toda a intervenção cirúrgica. O anestesiologista mantém o paciente seguro e confortável, possibilitado a estabilidade necessária ao trabalho do cirurgião cardiovascular.
Nas cirurgias eletivas (agendadas), para que toda essa segurança seja possível, os cuidados devem chegar aos mínimos detalhes. Eles fazem parte de um protocolo adotado pela equipe de Anestesiologia e começam antes mesmo do procedimento cirúrgico, na consulta pré-anestésica.
Consulta Pré-anestésica
A consulta pré-anestésica é fundamental para a avaliação do paciente por parte dos médicos anestesiologistas. É a partir dela que é feito o planejamento de todas as ações que serão necessárias durante a cirurgia cardiovascular. A partir dessa consulta, são pensadas e executadas as medidas preventivas durante o procedimento. A diminuição de impactos inicia no pré-operatório.
Além de informar sobre todo o procedimento e tirar dúvidas, é nessa consulta que o médico anestesiologista conhece e identifica a real condição de saúde do paciente.
“Nós podemos solicitar exames mais apurados e, a partir disso, tomar providências para que o paciente seja submetido à cirurgia cardiovascular com a maior segurança possível dentro do seu quadro de saúde.” Dr. Adilson José Dal Mago (CRM/SC 6970 RQE 3023), Médico Anestesiologista.
“A consulta pré-anestésica permite evitar eventuais complicações e tomar todas as medidas preventivas necessárias. Há casos em que precisamos adiar a cirurgia devido à identificação de algum outro problema de saúde do paciente que pode impactar na cirurgia, por exemplo.” Dr. Ranulfo Goldschmidt (CRM/SC 7189 RQE 3155), Médico Anestesiologista.
É com base nas informações colhidas nos exames e na consulta pré-anestésica que o médico anestesiologista define a melhor conduta para cada pessoa. São avaliadas características individuais e sensibilidades à determinadas reações, como náuseas, por exemplo. Assim, o médico pode preparar-se também para utilizar outras substâncias necessárias para controlar possíveis intercorrências e efeitos colaterais da anestesia, como prurido, entre outros.
Anestesia Geral durante a Cirurgia Cardíaca
Os pacientes submetidos a uma cirurgia cardíaca chegam ao centro cirúrgico levemente sedados. Com todas as informações coletadas na consulta pré-anestésica em mãos, os médicos anestesiologistas realizam a punção venosa e administram a anestesia geral calculada especificamente para o indivíduo.
No entanto, esse é apenas o início do trabalho. O médico anestesiologista permanece durante toda a cirurgia ao lado do paciente, monitorando de perto os seus sinais vitais e administrando de forma contínua as substâncias anestésicas.
“Muitas pessoas têm medo da anestesia por causa da impossibilidade de se comunicar. No entanto, essa é uma função do médico anestesiologista: identificar de forma precoce todos os sinais dados pelo paciente enquanto ele estiver desacordado.” Dr. Adilson José Dal Mago (CRM/SC 6970 RQE 3023), Médico Anestesiologista.
Hoje, durante a cirurgia cardíaca, é possível analisar, em tempo real, diversas informações do paciente. Pressão arterial, dados da sua oxigenação sanguínea, como a emissão de CO2, são alguns exemplos.
“Com o auxílio do aparelho de ecocardiografia, nós podemos ver na tela todo o funcionamento do coração e identificar previamente qualquer intercorrência.” Dr. Ranulfo Goldschmidt (CRM/SC 7189 RQE 3155), Médico Anestesiologista.
Por conta da monitoração contínua, possíveis intercorrências como isquemias ou embolias pulmonares podem ser evitadas ou corrigidas imediatamente. Profissionais anestesiologistas bem preparados proporcionam mais segurança ao paciente e tranquilidade à equipe cirúrgica.
Pós-operatório
Graças à consulta pré-anestésica e à técnica de anestesia geral balanceada, é possível controlar com maior precisão quando cada paciente irá despertar. E esse é um cuidado fundamental para a saúde das pessoas.
Um bom exemplo disso é a retirada do tubo de oxigenação, uma fase importante após a cirurgia cardíaca. As pesquisas mostram que os pacientes que têm o tubo retirado precocemente apresentam uma recuperação mais rápida, com menos complicações. Porém, para que isso seja feito da forma adequada, o indivíduo precisa estar em condições de respirar por conta própria, sem os efeitos da anestesia geral.
Os médicos anestesiologistas cuidam desses detalhes importantes. Calculam por quanto tempo cada indivíduo deverá permanecer desacordado e quando ele irá acordar. Assim, os pacientes usufruem do maior conforto e segurança possíveis dentro dos seus quadros de saúde.
“As substâncias analgésicas da anestesia geral podem provocar náuseas e vômitos em algumas pessoas no pós-operatório da cirurgia cardíaca. Nós procuramos identificar e evitar isso já na consulta pré-anestésica, a partir de protocolos de profilaxia.” Dr. Adilson José Dal Mago (CRM/SC 6970 RQE 3023), Médico Anestesiologista.
“As dores no pós-operatório também são um fator muito particular e para o qual nos preparamos antecipadamente. Os métodos utilizados prolongam os efeitos das substâncias analgésicas para maior conforto do paciente no pós-operatório.” Dr. Ranulfo Goldschmidt (CRM/SC 7189 RQE 3155), Médico Anestesiologista.
Sobre os autores:
Os anestesiologistas Dr. Adilson José Dal Mago (CRM/SC 6970 RQE 3023) e Dr. Ranulfo Goldschmidt (CRM/SC 7189 RQE 3155) fazem parte da equipe Anestesiologistas Associados. Com especialização em anestesiologia, atuam principalmente em cirurgias cardíacas e atendem os procedimentos realizados pela equipe de cirurgia cardiovascular Seu Cardio, no Hospital SOS Cárdio, em Florianópolis/SC.