por Equipe Seu Cardio | Blog, Cirurgia Cardíaca, Pré e Pós-Operatório, Válvulas
As doenças valvares cardíacas afetam cerca de 100 milhões de pessoas em todo o mundo. Estima-se que 20% das cirurgias cardíacas são para implante de prótese valvar. Os portadores de próteses valvares mecânicas precisam ter disciplina quanto à medicação anticoagulante. Afinal, a prótese mecânica possui maior risco de formação de trombos (coágulos) do que a biológica. Neste post, explicaremos mais sobre a relação entre válvula mecânica e anticoagulação.
Risco de Formação de Trombos
A prótese valvar mecânica é feita de metal e não possui nenhum componente eletrônico, tal como pilha, transistor etc. Na sua grande maioria, são apenas dois discos de metal que abrem e fecham, por diferença de pressão.
Em contato com o sangue, o metal faz com que haja uma tendência de formação de coágulos em volta da prótese. Assim, se um coágulo se formar no meio dos discos, pode causar o mau funcionamento da prótese e comprometer o seu desempenho. Nesse caso, pode haver necessidade de uma outra cirurgia, para troca da prótese mecânica. Outro problema relacionado à formação do coágulo é o seu desprendimento da prótese. Caso ele se desprenda, a circulação sanguínea pode levá-lo até o cérebro, ocasionando um Acidente Vascular Cerebral Isquêmico – AVC.
A formação de coágulo é um risco relacionado à prótese mecânica. Por isso, sempre temos a associação entre válvula mecânica e anticoagulação.
Estima-se que a formação de trombos ocasionada pelas próteses mecânicas atinja de 0,1 a 5,7% pacientes por ano. No entanto, por muitas vezes ser assintomática, acredita-se que a incidência seja ainda maior, de até 9,4%.
Medicação Anticoagulante
As complicações ocasionadas pela formação de coágulos junto à prótese mecânica devem ser evitadas com o uso correto de medicação anticoagulante. Essa medicação é imprescindível para os portadores de prótese valvar mecânica.
“A medicação anticoagulante é de baixo custo, fácil de ser encontrada e simples de ser tomada, pois trata-se de uma dose única diária. Na maioria dos casos, o grande problema com o uso de anticoagulante está relacionado à disciplina do paciente e sua adesão ao tratamento. No entanto, é fundamental que o portador de uma prótese valvar mecânica não se esqueça de usar a medicação diariamente.” – Dr. Sergio Lima de Almeida (CRM 4370 RQE 5893), cirurgião cardiovascular.
Controle Adequado da Anticoagulação
Outro ponto importante e que exige disciplina do portador de uma prótese mecânica é o controle periódico da anticoagulação. Esse controle é realizado através de um exame de sangue e com o acompanhamento do Cardiologista Clínico, que define a periodicidade.
O exame de controle de anticoagulação (comumente chamado Controle de TAP) é simples, mas fundamental. O resultado é de fácil leitura e permite a interpretação pelo próprio paciente, que tem condições de saber se está ou não com o nível adequado de anticoagulação sanguínea. No entanto, esta facilidade não exclui a necessidade de acompanhamento médico periódico e é também um ponto de alerta.
“Muitas vezes, com o controle de anticoagulação apresentando resultados dentro da faixa adequada, o paciente deixa de fazer o controle periódico. Isso pode trazer sérias consequências. Entre elas, elevar os riscos decorrentes da formação de coágulos junto à prótese valvar mecânica. Assim, é totalmente contraindicado.” – Dr. Sergio Lima de Almeida (CRM 4370 RQE 5893), cirurgião cardiovascular.
Outro ponto extremamente importante é o acompanhamento do nível adequado de anticoagulação com o cardiologista clínico. Cada paciente possui peculiaridades clínicas que demandam a correta avaliação médica. Um exemplo é a interação entre medicamentos que podem interferir na ação dos anticoagulantes. Por isso, o portador de uma prótese mecânica não deve tomar qualquer remédio sem antes perguntar ao seu cardiologista clínico.
Anticoagulação e Hemorragia
Apesar de essencial para o bom funcionamento da válvula mecânica e da saúde do seu portador, o anticoagulante tem um contraponto: torna o sangue pouco coagulável. Dessa forma, pode ser um problema em algumas situações.
No caso de grandes cortes, acidentes ou em cirurgias de urgência, a possibilidade de um sangramento maior é grande. E isso pode aumentar o risco pela presença do anticoagulante. Por isso, quem usa anticoagulante deve evitar situações que envolvam riscos de acidentes graves. Esportes radicais e até mesmo andar de moto estão nesse rol. O mesmo vale para esportes de alto impacto, como futebol ou vôlei. Um trauma pode levar a uma hemorragia dentro da articulação, prejudicando-a para o resto da vida.
Nas atividades domésticas, pequenos acidentes como cortar o dedo com uma faca de cozinha, por exemplo, não representarão risco à saúde. O corte irá demorar mais para parar de sangrar, pode vir a precisar de compressão e, em alguns casos, de cauterização, mas sem impacto à saúde.
Uma questão frequente entre pacientes do sexo feminino é sobre a atuação do anticoagulante na menstruação. A anticoagulação não costuma interferir sobre o ciclo menstrual. Ou seja, não causa aumento do fluxo ou qualquer outro impacto.
Caso tenha alguma dúvida sobre a relação entre válvula mecânica e anticoagulação, converse com seu cardiologista clínico. É importante que você saiba os seus níveis ideais de anticoagulação sanguínea e também como – e quando – acompanhá-los.

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Não existe uma válvula “melhor” entre a mecânica e a biológica. A escolha depende de fatores como idade do paciente, estilo de vida, disciplina no uso contínuo de anticoagulantes e aceitação diante da possibilidade de uma nova troca futura. Cada tipo de prótese valvar atende melhor a um perfil diferente de paciente.
A opção entre válvula mecânica ou biológica é uma das principais dúvidas das pessoas que recebem a indicação de uma cirurgia cardíaca para troca de válvula do coração. Atualmente, são realizadas mais de 300 mil cirurgias de troca valvar por ano no mundo. Segundo estimativas da literatura clínica internacional, o número deve triplicar até 2050, com o envelhecimento da população.
Neste post, vamos abordar alguns critérios que são analisados no momento da escolha. A decisão deve ser amplamente conversada com o Cardiologista Clínico e o Cirurgião Cardiovascular. Os médicos terão condições de avaliar cada caso em particular e de orientar o paciente sobre a melhor prótese valvar para o seu caso.
Qual a diferença entre válvula mecânica e biológica?
O cirurgião cardiovascular Dr. Sergio Lima de Almeida (CRM-SC 4370/RQE 5893), chefe da equipe Seu Cardio, de Cirurgia Cardiovascular em Florianópolis/SC, explica os tipos de próteses valvares cardíacas:
“Podemos dizer que, se existem dois tipos de próteses valvares para se escolher, é porque cada tipo atende a uma necessidade em especial. Assim, não há um tipo de prótese valvar melhor ou pior, mas aquele que se adequa melhor às características de cada pessoa – agora e a longo prazo.” – Dr. Sérgio Lima de Almeida (CRM-SC 4370/RQE 5893), Cirurgião Cardiovascular em Florianópolis/SC.
A grande diferença entre as próteses de válvula mecânica ou biológica está no tipo de material com a qual são feitas. As próteses valvares mecânicas são feitas de metal, enquanto que as próteses biológicas, na maioria das vezes, são de tecido de porco ou de boi. Quando se fala isso, a primeira reação é se perguntar sobre o risco de rejeição da prótese. Porém, o tecido animal utilizado passa por um processo de antigenicidade, ou seja, essa característica elimina qualquer risco de rejeição.
Critérios para a escolha entre prótese mecânica ou biológica
Abaixo, apresentamos os principais fatores que devem ser analisados para se chegar à conclusão da melhor opção de prótese de válvula cardíaca para cada paciente, entre mecânica e biológica. Entenda os prós e contras de cada tipo:
1. Durabilidade das Próteses Valvares Cardíacas
O impacto da diferença entre a durabilidade das válvulas mecânicas e das válvulas biológicas está centrado na necessidade de uma futura reoperação. As válvulas mecânicas tem uma durabilidade longa, normalmente a vida inteira. Por outro lado, as válvulas biológicas, de modo geral, precisam ser trocadas um dia. Isso porque elas degeneram, devido ao metabolismo do cálcio no organismo, assim levam o paciente a precisar de uma nova cirurgia para a troca da prótese valvar no futuro.
Aí surge outra questão: alguém escolhe prótese biológica para operar de novo? Sim, pois este não é o único critério que define a opção entre válvula mecânica ou biológica.
2. Uso Contínuo de Medicação Anticoagulante
A prótese mecânica, por ser de metal, requer o uso de medicação anticoagulante de uso contínuo. E isso cria uma condição que o paciente não tem: torna o seu sangue pouco coagulável.
A necessidade da anticoagulação, associada às próteses mecânicas, se deve ao fato de que elas tendem a formar coágulos. Caso surjam, há o risco de travamento do disco da prótese e de embolias (quando parte do coágulo se solta), inclusive de embolia cerebral. Por isso, a disciplina do paciente e seu comprometimento com o tratamento são fundamentais, tanto em relação à tomar a medicação anticoagulante quanto realizar o controle da anticoagulação, através do exame de TAP. Até mesmo o seu estilo de vida precisa ser levado em conta, devido aos riscos desse tipo de medicação.
Por isso, pessoas que praticam esportes radicais ou cuja profissão pode acarretar acidentes, como o caso de caminhoneiros, por exemplo, devem avaliar bem essa questão.
3. Idade do paciente no implante da válvula cardíaca
Antes de abordarmos qual a melhor escolha para cada pessoa, precisamos considerar a idade do paciente na cirurgia de implante da prótese valvar cardíaca.
“No caso das válvulas biológicas, a duração da prótese é inversamente proporcional à idade. Assim, em pacientes jovens, a durabilidade da prótese biológica é menor, enquanto que, nos idosos, é maior. Por isso, a idade é mais um fator a ser considerado, já que a durabilidade implica em uma nova cirurgia cardíaca para a troca da prótese.” – Dr. Sérgio Lima de Almeida (CRM-SC 4370/RQE 5893).
Em geral, pela necessidade de troca futura das válvulas biológicas, há uma tendência maior de uso das válvulas mecânicas entre os mais jovens. Logicamente, lembrando que este não é um critério a ser avaliado isoladamente, como já apresentado acima.
Reoperação para Troca da Prótese Mecânica
É fundamental destacar que o implante de uma prótese mecânica não elimina totalmente a necessidade de uma nova intervenção. Quando acontece, a reoperação para troca da prótese mecânica geralmente decorre de dois fatores principais:
- Uso incorreto do anticoagulante: quando o paciente erra a dose para menos, o risco de formação de coágulos na prótese aumenta. Nesses casos, muitas vezes é necessária nova cirurgia para realizar a troca da prótese mecânica.
- Infecções nas próteses: tanto as válvulas mecânicas quanto as biológicas estão sujeitas a processos infecciosos que podem demandar a troca da prótese.
Infecção na Prótese Valvar Mecânica ou Biológica
Tanto as próteses valvares mecânicas quanto as biológicas podem sofrer processos infecciosos com necessidade de troca cirúrgica. Normalmente, as infecções dentárias são a fonte mais comum desses quadros.
Assim, a principal forma de prevenção contra infecções em próteses cardíacas é o cuidado adequado com a saúde bucal. É indispensável realizar profilaxia dentária e evitar procedimentos odontológicos sem a devida cobertura antibiótica. Portanto, consulte sempre seu cardiologista, seu cirurgião cardiovascular e um dentista especializado na área.
Qual a melhor prótese valvar cardíaca para jovens?
Uma vez que as próteses biológicas duram menos do que as mecânicas, dependendo da idade do paciente, ele precisará passar por algumas reoperações futuras para a troca. Se tomarmos como exemplo um jovem que implanta uma válvula biológica aos 20 anos de idade, provavelmente ele terá duas ou mais reoperações ao longo da vida. Isso porque, quanto mais jovem o paciente, devido ao metabolismo do cálcio no corpo, menos a prótese biológica dura. Por isso, nesses casos, geralmente se indica uma prótese mecânica, caso não exista uma contraindicação formal à anticoagulação.
Qual a melhor prótese na idade adulta: mecânica ou biológica?
Na faixa de 40-50 anos, ao optar por uma válvula mecânica, o paciente precisará passar por um longo período da sua vida usando anticoagulantes. Porém, alguns estudos nos Estados Unidos mostram que o uso de anticoagulantes a longo prazo pode ter maior risco do que uma primeira reoperação.
Caso opte por uma válvula biológica, o paciente adulto também precisará de nova cirurgia cardíaca futura para a troca da prótese. Afinal, ela terá maior durabilidade do que no jovem, mas ainda assim irá se desgastar. Nesse sentido, se considerarmos que a primeira válvula biológica dure 15 anos e a segunda 20 anos, este adulto poderá ter uma ou duas reoperações na vida. No entanto, há algumas alternativas que precisam ser consideradas:
a. Tecnologia de maior durabilidade
A tecnologia vem avançando e contribuindo para maior durabilidade das próteses biológicas. Um exemplo é a tecnologia Resilia, que retarda o processo degenerativo de calcificação.
b. Valve-in-Valve
Algumas trocas valvares podem ser realizadas por um procedimento chamado Valve-in-Valve. Trata-se de uma abordagem percutânea, ou seja, via cateter, na qual o cirurgião implanta uma nova prótese biológica dentro da outra já existente. Assim, o paciente passa por uma troca valvar sem necessidade de uma intervenção cirúrgica semelhante ao seu primeiro implante.
Diante desses pontos, é fundamental analisar as alternativas caso a caso, considerando prós e contras das próteses mecânicas e biológicas conforme as opções disponíveis para cada paciente.
Qual a melhor opção de válvula cardíaca para idosos?
Para as pessoas com mais de 65 anos, há uma tendência maior ao implante de prótese biológica. Em geral, na faixa entre 65 e 70 anos, a prótese biológica tem uma durabilidade de cerca de 20 anos ou mais. Além disso, nesta faixa etária, os riscos de medicação anticoagulante estão relacionados à maior incidência de hemorragia cerebral do que em pessoas jovens. Por isso, a prótese biológica acaba sendo a opção mais indicada – mas ainda lembrando que a idade não deve ser o único critério de escolha.
Como escolher entre válvula mecânica ou biológica?
Quem necessita de uma troca de válvula do coração se vê diante de dois caminhos. O primeiro, de enfrentar o risco da anticoagulação diária, afastando a necessidade de reoperação futura (optando por válvula mecânica). O segundo, de aceitar a possibilidade de vir a ser operado novamente, mas sem conviver os riscos da anticoagulação (optando por válvula biológica).
Por isso, este assunto é bastante complexo e depende muito da opção de cada paciente. No entanto, é fundamental que a decisão seja realizada de forma bem consciente. Assim, converse com seu Cardiologista Clínico e com o seu Cirurgião Cardiovascular e esclareça todas as suas dúvidas. Eles irão lhe orientar e definir, junto com você, a melhor escolha para o seu caso. Se tiver alguma dúvida, conte conosco!
Perguntas Frequentes (FAQ)
Válvula mecânica ou biológica: qual dura mais? A mecânica costuma durar a vida inteira, mas exige anticoagulante contínuo. A biológica tem durabilidade limitada (varia com a idade do paciente), mas dispensa a medicação de anticoagulação e o controle de rotina.
Quem usa válvula mecânica precisa tomar remédio para sempre? Sim. A prótese mecânica exige uso contínuo de anticoagulante e controle periódico de TAP.
A idade influencia na escolha da prótese? Sim: válvulas biológicas duram mais em pacientes mais velhos, enquanto pacientes mais jovens tendem a precisar de reoperação mais cedo.
Existe alguma prótese biológica que dura mais? Sim, algumas próteses contam com tecnologia que lhes confere maior durabilidade, como é o caso da tecnologia Resília.
Sobre o autor:
Conteúdo escrito com base em entrevista com o Dr. Sergio Lima de Almeida (CRM 4370 / RQE 5893), médico, cirurgião cardiovascular em Florianópolis/SC.
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A cirurgia para o tratamento dos problemas na valva mitral consiste em dois tipos. Há as trocas valvares e a cirurgia de reparo da valva. Essa última, chamada plastia valvar, vem ganhando grande importância na área médica.
As doenças crônicas que acometem a valva mitral dividem-se em dois grandes grupos. Em um, estão as doenças degenerativas da valva, cujo tratamento principal é a plastia. No outro, estão as doenças relacionadas às consequências das lesões causadas na valva pela doença reumática.
A doença reumática, quando acomete as valvas cardíacas, costuma comprometer pacientes mais jovens. Normalmente, não é possível a realização da plastia nesses casos. Principalmente, devido à calcificação da valva, às vezes associada a severas retrações. Por isso, para os problemas na valva mitral relacionados às doenças reumáticas, a indicação mais frequente é a troca valvar por uma prótese.
Por que a plastia mitral tem um resultado ruim nas sequelas da doença reumática? A seguir, Dr. Sergio Lima de Almeida (CRM-SC 4370 RQE 5893), cirurgião Chefe do Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital SOS Cárdio, esclarece essa questão.
Plastia da Valva Mitral
A plastia nada mais é do que um reparo na valva mitral que estava doente. Esse reparo pode ser feito de algumas maneiras. Uma opção é corrigir o tecido degenerado dessa valva.
“A valva mitral tem determinadas estruturas que se assemelham às cordas de paraquedas. Elas podem ser encurtadas, alongadas ou substituídas quando o problema da valva mitral se relaciona a um defeito dessas cordas”. – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular em Florianópolis/SC (CRM 4370 / RQE 5893)
Normalmente, na cirurgia de plastia, após a correção dos problemas da valva mitral, é colocado um anel em torno dela. O objetivo desse procedimento é elevar a durabilidade da plastia. Esse anel não deteriora, como ocorre com as próteses biológicas. Além disso, dispensa o uso de anticoagulantes após a cirurgia.
A plastia valvar é o principal tratamento para os casos de insuficiência mitral degenerativa. As técnicas aplicadas no procedimento cirúrgico são definidas de acordo com o problema que está comprometendo o bom funcionamento da valva mitral.
Neste post com vídeo aqui, Dr. Sergio aborda os aspectos cirúrgicos da plastia da valva mitral.
Prótese Valvar Mitral
Quando não é possível fazer a plastia para a correção dos problemas na valva mitral, a alternativa é realizar a colocação de uma prótese valvar. Essa prótese pode ser tanto biológica quanto mecância.
Próteses Valvares Biológicas em Posição Mitral
A grande diferença das próteses biológicas para a troca da valva mitral em relação à troca da valva aórtica é a durabilidade. As próteses biológicas duram menos na posição mitral. Isso se deve ao fato de a valva mitral trabalhar com maior pressão do que a valva aórtica, no seu regime de fechamento. Em razão disso, o processo degenerativo, comum das próteses biológicas usadas na posição mitral, é mais acelerado.
No entanto, apesar da duração menor, as próteses biológicas em posição mitral obedecem ao padrão de funcionamento da valva em posição aórtica. Assim, quanto mais idoso o paciente, mais lento é o processo degenerativo. Por essa razão, o recomendado para pacientes de maior idade é a utilização de próteses biológicas em posição mitral.
Próteses Valvares Mecânicas em Posição Mitral
Já os pacientes para os quais é orientado o uso de próteses mecânicas em posição mitral é necessário um cuidado maior com a questão do uso de anticoagulante devido ao risco de trombose. O risco de trombose em posição mitral é maior que o risco em posição aórtica.
“Essas questões relacionados à troca de valva mitral, ou seja, uma durabilidade menor das próteses biológicas em posição mitral, quando comparadas com as próteses aórticas, e a exigência de um controle maior com anticoagulação para as próteses mecânicas, quando comparadas com a prótese aórtica, fazem da doença valvar mitral uma doença que requer muito mais critério na tentativa de se buscar a plastia e conservação da valva nativa do paciente. Por isso, as técnicas de plastia vem se desenvolvendo cada vez mais. Atualmente, há uma tentativa de se retardar ou evitar ao máximo a colocação de uma prótese mitral”. – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular em Florianópolis/SC (CRM 4370 / RQE 5893)
Os avanços da Medicina são necessários especialmente quando o paciente é jovem. A razão disso é outra questão abordada a seguir.
Problemas na Valva Mitral em Pacientes Jovens
Quanto mais jovem o paciente com doença valvar mitral, mais complexa é a questão. Afinal, caso necessite de uma prótese, a durabilidade não será longa se a prótese for biológica. Por outro lado, sendo a prótese mecânica, há a necessidade do uso do anticoagulante por toda a vida, que no caso específico do paciente jovem representa um longo período.
Conforme já foi mencionado anteriormente, o paciente jovem com problemas na valva mitral geralmente é o que apresenta doença reumática. Sendo assim, é o perfil de paciente em que a plastia dificilmente servirá para solucionar o problema.
Por esta razão, a indicação médica é para que seja feito o controle rigoroso das infecções de garganta nas crianças, já que essas infecções são os principais desencadeadores da doença reumática.
“A sugestão para os pais é para que sempre discutam com os pediatras a respeito desse cuidado”. – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular em Florianópolis/SC (CRM 4370 / RQE 5893)
Também é importante que todo paciente que vai se submeter a uma cirurgia cardíaca receba as orientações adequadamente. Aqui em nosso site dispomos de muitos ebooks gratuitos. Especialmente no caso das cirurgias para tratamento de problemas na valva mitral e aórtica, recomendamos a leitura do ebook Valvas Cardíacas: tudo o que você precisa saber. Este e outros materiais estão disponíveis a todos os pacientes e seus familiares, gratuitamente.

*Artigo produzido com base em entrevista com o cirurgião cardiovascular Sergio Lima de Almeida (CRM-SC 4370 RQE 5893) e publicado originalmente em https://soscardio.com.br/valva-mitral-plastia-troca/.
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A Síndrome de Marfan é uma doença hereditária rara do tecido conjuntivo. Ela atinge uma em cada 3 a 5 mil indivíduos. Os dados são da Associação Marfan Brasil, fundação criada para conscientização e estudos sobre a doença. No Brasil, estima-se cerca de 150 mil casos por ano.
O coração, os olhos, os ossos e os vasos sanguíneos são os órgãos que podem ser acometidos pela síndrome. Também pode ocorrer envolvimento dos pulmões, pele e sistema nervoso central. Uma característica comum entre os portadores da doença é que todos são altos, magros, com braços, pernas e dedos dos pés e das mãos longos.
O tecido conjuntivo é uma estrutura resistente e normalmente fibrosa, que une as estruturas e oferece sustentação e elasticidade ao corpo. Na Síndrome de Marfan, ocorre uma mutação na fibrilina, proteína que auxilia o tecido conjuntivo a manter a sua força. Origina-se, assim, o enfraquecimento do tecido conjuntivo.
É comum que as pessoas com Síndrome de Marfan só venham a apresentar sintomas na vida adulta. Muitas delas, nunca percebem os sintomas, que podem variar de leves a graves.
Problemas Cardiovasculares da Síndrome de Marfan
A dilatação da raiz da aorta (início da aorta), levando à formação de aneurisma, dissecção e insuficiência da valva aórtica, é a principal causa de morbidade e mortalidade nesta síndrome.
“Uma complicação muito grave é a dissecção aórtica. Se não for tratada de forma adequada, pode levar à morte em poucas horas.” – esclarece o cardiologista Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874).
Aproximadamente 60-80% dos adultos com Síndrome de Marfan apresentam dilatação da raiz da aorta.
Além disso, pode ocorrer também uma insuficiência da valva aórtica, que fica localizada na saída do coração. Ela se abre para o sangue sair do coração e se fecha para evitar que o sangue retorne. Com a aorta dilatada, o anel da válvula aórtica também se dilata. Assim,a válvula não consegue se fechar adequadamente. Isso pode levar a um refluxo de sangue da aorta para dentro do coração.
“O tipo de tratamento depende da gravidade do problema que o portador da Síndrome de Marfan apresenta. Em geral, se o paciente tem uma dilatação da aorta que ainda não atingiu um limite importante, segue apenas acompanhando com seu cardiologista. Quando o aneurisma já passou de um determinado tamanho, precisa ser corrigido, porque o risco de romper é maior. Ou, se tem uma insuficiência da válvula aórtica e está voltando sangue em grande quantidade para o coração, também é necessária uma intervenção para a correção do problema.” – Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874), cardiologista.
Olhos, Pulmões e Ossos
A Síndrome de Marfan também provoca uma alteração no cristalino do globo ocular. O deslocamento do cristalino causa uma miopia muito forte. Além disso, a retina também pode se deslocar. Essas duas situações, quando associadas, podem causar a perda da visão.
Nos pulmões, pode surgir o aparecimento de cistos. Essas estruturas podem se romper e encher de ar os espaços em volta do pulmão, causando dor e falta de ar.
No entanto, as alterações musculoesqueléticas da Síndrome de Marfan são as mais visíveis. São pessoas muito altas e magras, com os braços, pernas e dedos das mãos e dos pés longos. O esterno, osso do tórax, geralmente afunda ou se sobressai. Como as articulações são muito flexíveis, pode ocorrer uma curvatura na coluna vertebral (cifoescoliose), bem como o surgimento de hérnias.
Convivendo com a Síndrome de Marfan
A Síndrome de Marfan não tem cura, pois não existe ainda uma maneira de reparar as anomalias do tecido conjuntivo. Dessa forma, o principal objetivo do tratamento das doenças decorrentes da síndrome é prevenir e tratar o surgimento de complicações mais graves. Entre elas, estão os problemas cardiovasculares. Por isso, é importante estar atento aos sintomas e procurar ajuda médica. Em alguns pacientes há necessidade de cirurgia para corrigir os problemas que acometem a aorta.
Informação de qualidade é de grande valia para os portadores da Síndrome de Marfan e seus familiares. Por se tratar de uma doença hereditária, buscar aconselhamento genético pode ajudar a esclarecer sobre sintomas, complicações e tratamentos. É importante avaliar se os demais parentes de primeiro grau são portadores desta síndrome para avaliar possíveis alterações que possam trazer complicações futuras.
É muito importante manter a pressão arterial dentro de níveis da normalidade para tentar prevenir uma maior dilatação da aorta. Quanto às atividades físicas, é importante o aconselhamento médico para avaliar o tipo e intensidade indicados.
Para as mulheres portadoras da Síndrome de Marfan que desejam engravidar, em algumas ocasiões, a cirurgia para correção dos problemas que envolvem a aorta é necessária. A medida visa evitar futuras complicações que podem ocorrer durante o período gestacional.
*Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874) é Cardiologista Clínico e Professor de Cardiologia da UNISUL. Com mais de 30 anos de atuação em Cardiologia, atua nas clínicas Hemocordis e Prevencordis e no Hospital SOS Cárdio, todos em Florianópolis/SC.

por Equipe Seu Cardio | Blog, Cirurgia Cardíaca, Cirurgia em Idoso, Doenças do Coração, Válvulas
As válvulas cardíacas funcionam como quatro portas que permitem a passagem do sangue apenas no sentido correto da circulação. No entanto, as doenças valvares podem prejudicar seu funcionamento e comprometer a função cardíaca.
Valvas Cardíacas: Mitral e Aórtica
Localizadas entre as câmaras do coração, o funcionamento adequado das valvas mitral e aórtica garante que o fluxo sanguíneo siga no sentido correto. Elas se abrem à passagem do sangue e se fecham para eventuais refluxos.
Diante de doenças valvares, o funcionamento fica prejudicado, fazendo com que a abertura e o fechamento das valvas cardíacas fique comprometido.
Doenças Valvares
Várias doenças podem comprometer as valvas do coração. Tanto as adquiridas, como no caso da febre reumática, como as degenerativas, que podem derivar de um condicionamento genético. Essas doenças levam a dois defeitos principais: podem obstruir as valvas (estenose valvar) ou torná-las incompetentes (insuficiência valvar).
Tratamento das Doenças Valvares
Atualmente, existem diversas formas de tratamento para as doenças valvares. O avanço das técnicas cirúrgicas na área da Cardiologia permite que pessoas em situação de gravidade possam ser tratadas de forma eficaz e segura.
Para abordar o tema de forma detalhada, preparamos um e-book gratuito: Doenças Valvares: Mitral e Aórtica. Neste material, explicamos as doenças mais comuns das valvas cardíacas, assim como as principais indicações de tratamentos para cada tipo de doença.
Você pode baixar o material gratuito no botão abaixo:

Este material foi preparado pela equipe Seu Cardio, de Cirurgia Cardiovascular. As informações tem caráter educativo e não substituem as orientações do seu médico. Esperamos que as informações sejam úteis a você!
Boa leitura!

por Equipe Seu Cardio | Blog, Cirurgia Cardíaca
O edema pulmonar é uma condição de falência ventilatória aguda. Ocorre quando há um espaço no pulmão, preenchido por líquido.
Existem inúmeras causas para o edema pulmonar. As principais são as cardiogênicas, ou seja, as que estão relacionadas à falência do coração e que, consequentemente, levam à falência do pulmão.
Entendendo o Fluxo
Em nosso organismo, o sangue passa pelo pulmão para ser oxigenado e, então, é bombeado pelo coração para o corpo todo. Quando há uma falência aguda na parte esquerda do coração, a tendência é o sangue se acumular dentro do pulmão, ao invés de seguir o fluxo normal.
O volume maior de sangue no pulmão provoca um aumento da pressão sanguínea em seu interior. Como o pulmão não foi feito para trabalhar com pressão alta de maneira aguda, esse aumento de pressão leva ao extravasamento de líquido para dentro dos alvéolos, ocupando o espaço aéreo.
“É muito comum que um paciente com falência aguda do lado esquerdo do coração desenvolva um quadro de insuficiência respiratória aguda. Esse quadro é traduzido por falta de ar importante, normalmente associada à tosse e à expectoração de secreção rósea. Esse é o edema agudo de pulmão clássico.” – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular em Florianópolis/SC (CRM 4370 / RQE 5893)
Os sintomas clássicos do edema pulmonar são: insuficiência respiratória progressiva e sensação de sufocamento, com expectoração rósea. Em geral, os pacientes não conseguem ficar deitados e a a queixa principal é a falta de ar.
Quais são as causas do edema pulmonar?
Em pacientes que têm o lado esquerdo do coração comprometido, uma crise de pressão alta pode levar a um edema pulmonar. Nesses pacientes, o coração pode não conseguir vencer uma crise hipertensiva. Diante disso, desencadeia a elevação aguda da pressão intrapulmonar, com consequente extravasamento de líquido. Ocorre, assim, o edema pulmonar.
Outras patologias que podem causar o edema pulmonar são as estenoses valvares, tanto a estenose mitral (mais comum) quanto a estenose aórtica.
“O paciente com estenose mitral tem uma barreira entre o átrio e o ventrículo esquerdos. O aumento da frequência cardíaca ou da pressão arterial impõe maior dificuldade no trânsito do sangue dentro do coração. Isso pode levar ao edema agudo de pulmão. O edema agudo está mais associado às estenoses valvares, porém também pode ocorrer nas insuficiências das valvas cardíacas.” – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular em Florianópolis/SC (CRM 4370 / RQE 5893)
As estenoses valvares, tanto mitral quanto aórtica, causam ao coração uma sobrecarga de pressão devido à dificuldade do sangue em fluir normalmente. Isso faz a pressão aumentar dentro coração. Tal fato não deve ser confundido com aumento de pressão arterial sistêmica, aquele que medimos normalmente com os aparelhos de pressão. Ou seja, se a pressão arterial estiver baixa ou normal, não significa que não possa estar havendo um edema pulmonar.
Outra doença clássica que leva ao edema agudo de pulmão é a coronariopatia. Significa que um paciente que tem um infarto pode evoluir o quadro para um edema agudo de pulmão em função da falência da bomba do coração, causada pelo infarto.
Já um paciente que não teve infarto, porém, passou por uma crise de isquemia no coração, também pode sofrer uma falência na bomba. Por consequência, pode vir a desenvolver um edema pulmonar.
Riscos do Edema Agudo de Pulmão
Qualquer elevação da pressão pulmonar de maneira aguda pode levar ao edema agudo de pulmão. Trata-se de um quadro de alta mortalidade, se não tratado a tempo.
“O paciente morre de insuficiência respiratória porque tem um coração que está falindo agudamente (diminuição da força contrátil) e possui uma complicação no pulmão que também está falindo agudamente. Ambas contribuem para estabelecer uma gravidade altíssima ao quadro clínico.“– Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular em Florianópolis/SC (CRM 4370 / RQE 5893)
No tratamento do edema pulmonar, a primeira medida é eliminar líquido do corpo e baixar a pressão intrapulmonar. Para isso, geralmente, é prescrito um medicamento diurético que colabora também com a melhora da capacidade de bombeamento do coração.
Após controlada a fase aguda, deve-se buscar tratar a causa básica. Frequentemente, no caso do edema agudo de pulmão, ela está relacionada à doença valvar cardíaca. Assim, procura-se realizar a cirurgia cardíaca e corrigir o defeito valvar em fase fora da crise, pois operar o paciente na vigência de edema pulmonar aumenta o risco cirúrgico.
“A doença valvar pode levar ao edema agudo de pulmão, principalmente as estenoses. As insuficiências valvares causam essa condição mais tardiamente.” – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular em Florianópolis/SC (CRM 4370 / RQE 5893)
Um paciente que possui um edema agudo de pulmão e insuficiência mitral ou aórtica detém uma condição muito mais grave do que um paciente com um quadro de estenose.
Como tratar o edema pulmonar
O edema pulmonar requer tratamento imediato, pois é uma patologia de alta mortalidade, se não for tratada a tempo. Quanto maior o edema, menor é a oxigenação do sangue e, quanto menos oxigenação houver, maior é a falência da bomba cardíaca.
Normalmente, o tratamento do edema pulmonar é clínico. Porém, em alguns casos, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica. A condução do melhor tratamento é realizada caso a caso, de acordo com a avaliação clínica de cada paciente.
Cuide da sua saúde e do seu coração. Se você tem alguma condição cardíaca prévia e observar sinais como falta de ar aguda, busque orientação médica. É importante descartar a condição de edema pulmonar ou, se for o caso, tratar imediatamente.
