por Equipe Seu Cardio | Blog, Cirurgia Cardíaca, Válvulas
Em sua maioria, as doenças valvares podem ser tratadas através de procedimentos cirúrgicos. O grande impasse é definir o melhor tipo de prótese para cada paciente: biológica ou mecânica. Com a tecnologia Resilia, um novo cenário se apresenta aos pacientes.
A Cirurgia de Valva Cardíaca
A cirurgia de válvula do coração, como é popularmente chamada, pode reparar as valvas cardíacas (plastia valvar) ou substituir as valvas naturais por próteses biológicas ou mecânicas. Contudo, o grande desafio, é definir qual o melhor tipo de prótese para cada paciente, especialmente para os mais jovens.
Hoje, ainda há um grande debate sobre o melhor tipo de prótese valvar para pacientes em faixa etária mais jovem. Por um lado, as próteses mecânicas demandam uso de anticoagulantes, impondo restrições e cuidados de longo prazo. Do outro lado, as próteses biológicas, que não tem esta necessidade, degeneram mais cedo na população mais jovem, demandando troca valvar.
Recentemente, a Medicina avançou em mais um grande passo. Na busca por retardar a degeneração das próteses biológicas nos pacientes mais jovens, recentemente desenvolveu a tecnologia Resilia. Trata-se de um novo tratamento no tecido das próteses biológicas, capaz de aumentar a sua durabilidade.
Próteses Biológicas
As próteses biológicas sofrem um processo degenerativo com o passar do tempo. Porém, por si só, não demandam a necessidade de uso de terapia anticoagulante , pois não desencadeiam processos trombóticos. Já as próteses mecânicas, são mais duráveis, não sofrem um processo degenerativo, mas oferecem riscos aumentados de formação de trombos. Por isso, necessitam de uso contínuo de anticoagulantes e de um controle rígido da coagulação sanguínea.
“Isso nos coloca em uma dilema. Apesar de não necessitar de medicamentos anticoagulantes, uma prótese biológica pode durar mais de 20 anos em um paciente idoso. Porém, possui uma durabilidade menor em pacientes mais jovens, principalmente em crianças. Dessa forma, implica em novas cirurgias durante a vida para troca das próteses valvares. Por outro lado, as próteses mecânicas duram mais, mas submetem os pacientes ao uso contínuo de anticoagulantes por longo tempo – e aos riscos impostos por essa condição.” – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular (CRM 4370 / RQE 5893).
Tecnologia Resilia
A tecnologia Resilia foi recentemente incorporada ao tratamento do tecido biológico das próteses valvares cardíacas com o intuito de retardar o processo degenerativo de calcificação das próteses biológicas. Com esta tecnologia, vários estudos mostram um acentuado retardo no processo degenerativo das próteses e o consequente aumento da sua durabilidade.
Em estudo há cerca de 15 anos, a tecnologia Resilia já conta com a aprovação órgãos reguladores europeu e americano. No Brasil, o Hospital SOS Cárdio, de Florianópolis, é um dos pioneiros no uso desse tipo de próteses, através da equipe Seu Cardio.
De forma resumida, a degeneração das próteses valvares está diretamente associada ao metabolismo do cálcio no organismo dos pacientes. A tecnologia Resilia, por sua vez, faz com que o tecido biológico das próteses sofra menos com a calcificação ao longo do tempo. Mesmo em pacientes jovens, que possuem metabolismo de cálcio mais intenso.
“Os estudos in vitro mostram uma superioridade muito grande das próteses com tecnologia Resilia em comparação aos modelos disponíveis atualmente no mercado. Ao contrário do que acontece com as próteses valvares biológicas sem este tratamento, as próteses com a tecnologia Resília vem demonstrando menor calcificação ao longo do tempo, retardando seu processo degenerativo. Com isso, reduzem a necessidade de novas cirurgias.”– Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular (CRM 4370 / RQE 5893).
Além isso, a tecnologia Resília não implica em riscos adicionais. A cirurgia para o implante das próteses valvares cardíacas com a tecnologia Resilia é tecnicamente igual à cirurgia para implante das próteses valvares comuns. A recuperação no pós-operatório também é a mesma.
Converse com o seu cardiologista sobre o que há de mais moderno em próteses valvares para o seu coração. É importante que você entenda os prós e contras de cada prótese para participar da escolha da melhor opção para você.

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As bactérias e os fungos estão presentes em qualquer lugar do nosso planeta. A superfície da nossa pele e as mucosas não são exceção. Algumas vezes, quando alguns tipos específicos de microrganismos entram em nossa corrente sanguínea, podem ser levados até ao coração, lá se fixar e começar a se reproduzir. Assim, geram uma doença chamada de endocardite.
“A endocardite acontece quando os microrganismos entram na nossa corrente sanguínea e se instalam no nosso coração, trazendo uma série de prejuízos. Trata-se de uma das poucas infecções que, se não forem tratadas, são 100% fatais.” – Dr. Rodrigo Carlo Saorin, Médico Cardiologista (CRM 8835 / RQE 8508).
Abaixo, o cardiologista Rodrigo Carlo Saorin (CRM 8835 / RQE 8508), do Hospital SOS Cárdio, explica o que é a endocardite e a importância da profilaxia para os pacientes que apresentam riscos de desenvolverem essa doença.
Como acontece a endocardite?
A endocardite é uma doença grave. Para que ela venha a acontecer é preciso a associação de vários elementos ao mesmo tempo.
As bactérias e os fungos estão continuamente em contato com diversos tecidos humanos. Algumas vezes, as nossas defesas naturais falham ou somos expostos a uma quantidade muito grande deles. Assim, eles acabam invadindo a nossa corrente sanguínea. Quando isso acontece com alguns tipos específicos de microrganismos, em pessoas que já possuam alguma predisposição, como alterações nas valvas do coração, por exemplo, esses microorganismos podem se fixar neste local e começar a se reproduzir. Ocorre, assim, a endocardite.
Então, para que a endocardite ocorra, é necessário:
- O contato do sangue com determinados tipos de bactérias ou fungos e em uma quantidade suficiente;
- Lesões preexistentes nas valvas cardíacas ou presença de materiais sintéticos no coração (próteses valvares);
Os Riscos da Endocardite
Uma vez instaladas nas valvas do coração (sejam elas naturais ou próteses), as bactérias formam uma espécie de tecido, com múltiplas camadas. O crescimento desse tecido pode causar deformações progressivas, provocando a perda da função original da válvula cardíaca, atrapalhando o funcionamento do coração.
Além disso, em certos casos, uma parte da colônia de bactérias pode se desprender da região onde está fixada e circular junto ao sangue por todo corpo. À medida em que os vasos sanguíneos vão ficando menores, este aglomerado de células, bactérias e coágulos acaba impedindo a passagem do sangue. Dessa forma, acaba provocando a morte dos tecidos desta região por falta de oxigênio e nutrientes. Como este material é rico em bactérias, muitas vezes esta necrose pode estar associada com a formação de abcessos. Este fenômeno pode ocorrer em qualquer região do corpo, sendo muitas vezes encontrado nas extremidades dos dedos das mãos e dos pés.
Sintomas da Endocardite
Esta doença costuma ser insidiosa e de diagnóstico complexo. Os sinais e sintomas da endocardite podem aparecer aos poucos e serem confundidos com outras doenças. Entre eles, podemos citar:
- Febre noturna persistente;
- Emagrecimento;
- Cansaço e falta de ar aos pequenos esforços;
- Manchas nos olhos e na ponta dos dedos;
- Novo sopro presente no coração.
Além disso, a Endocardite pode ter como primeira manifestação uma lesão de algum órgão distante, como:
Algumas pessoas são particularmente mais suscetíveis ao desenvolvimento de endocardite. Entre elas, pessoas que possuam qualquer doença que produza disfunção das valvas cardíacas, como: estenose ou insuficiência, ou alguma deformação ou turbilhonamento excessivo do sangue nestes locais, como febre reumática, doenças congênitas do coração, próteses cardíacas, marcapasso, calcificação, etc. São também mais suscetíveis pessoas que são expostas continuamente a uma alta carga de bactérias na corrente sanguínea. São casos como: viciados em drogas injetáveis, imunodeprimidas, alguns tipos de tumores de intestino, má higiene bucal, procedimentos invasivos contaminados, dentre outros.
Diagnóstico
O diagnóstico da endocardite costuma ser realizado através da correlação dos sinais, sintomas e exames clínicos. Entre os exames, colaboram com o diagnóstico os achados no Ecocardiograma e na Hemocultura. Este último é o exame que mostra o crescimento da bactéria no sangue.
“Algumas vezes, o uso indiscriminado de antibióticos sem um diagnóstico adequado pode atrapalhar, atrasar o tratamento e induzir a um diagnóstico equivocado. No caso de uma endocardite, isso pode ser fatal.” – Dr. Rodrigo Carlo Saorin, Médico Cardiologista (CRM 8835 / RQE 8508).
Tratamento da Endocardite
O paciente diagnosticado com endocardite deverá ser submetido a um período de internação hospitalar relativamente longo, que costuma durar várias semanas. Os cuidados médicos envolvem a administração de medicamentos antibióticos específicos e, em alguns casos, procedimentos cirúrgicos.
O tratamento com antibióticos visa eliminar a infecção bacteriana. Já a cirurgia é indicada para pacientes que tiveram suas válvulas naturais ou próteses valvares comprometidas pelo crescimento dos microorganismos. Nesses casos, a válvula natural ou prótese valvar deve ser substituída. Quando aparelhos de marcapasso são contaminados pela endocardite, eles também precisam ser trocados.
“O tratamento com antibióticos específicos é muito importante. A cirurgia só pode ser indicada quando os exames mostrarem que as bactérias foram eliminadas completamente do organismo.” – Dr. Rodrigo Carlo Saorin, Médico Cardiologista (CRM 8835 / RQE 8508).
Profilaxia
Pessoas que possuam fatores de risco para o desenvolvimento de endocardite precisam ser identificadas e receber a profilaxia adequada.
“A profilaxia consiste na administração preventiva de antibióticos antes de alguns procedimentos que possam provocar uma exposição do sangue a uma grande quantidade de bactérias.” – Dr. Rodrigo Carlo Saorin, Médico Cardiologista (CRM 8835 / RQE 8508).
Converse com o seu cardiologista para saber se você faz parte de algum grupo de risco para a endocardite. O médico também poderá lhe orientar sobre os cuidados que você precisa tomar para evitar esta doença tão perigosa.
Colaborou nesta matéria: Dr. Rodrigo Carlo Saorin (CRM 8835 / RQE 8508), Médico Cardiologista e Intensivista do Hospital SOS Cárdio, Florianópolis/SC.

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A atividade física é um elemento importante tanto na prevenção quanto na reabilitação cardíaca. Porém, muitas pessoas ainda ficam inseguras em praticá-la após o implante de marcapasso cardíaco. Os pacientes costumam ter dúvidas sobre a capacidade do dispositivo, de manter uma frequência adequada, bem como sobre a sua integridade e durabilidade. Neste texto, iremos esclarecer as principais dúvidas dos pacientes sobre a relação entre marcapasso e exercícios físicos. Vamos a elas!
Quem tem marcapasso pode praticar atividades físicas?
Na grande maioria dos casos, a prática de atividades físicas pode ser iniciada ou retomada logo após o período de recuperação do implante de marcapasso. No entanto, cada caso deve ser analisado pelo médico responsável. Seguir as orientações médicas é fundamental.
Qual médico devo consultar?
Para iniciar uma rotina de exercícios físicos com segurança após o implante de marcapasso, você deve consultar seu Cardiologista Clínico. Ele avaliará o seu estado de saúde como um todo e irá lhe orientar quanto à intensidade e a frequência de exercícios indicadas para você. Esse é o primeiro passo para uma boa relação entre marcapasso e exercícios físicos.
Quais os exercícios iniciais mais indicados para portadores de marcapasso?
O objetivo inicial da atividade física, para maioria dos pacientes, é permitir a realização das tarefas do dia a dia, aumentando a força muscular, a resistência aeróbica e mantendo a saúde e mobilidade das articulações.
Portadores de marcapasso que não praticam atividade física regularmente, quando liberados pelo seu Cardiologista, devem iniciar com exercícios de intensidade baixa à moderada. Assim, é possível avaliar o seu condicionamento físico e a sua progressão, na medida em que o corpo se adapta às novas exigências.
Marcapasso e Exercícios: o que eu devo evitar?
Algumas atividades físicas devem ser evitadas por usuários de marcapasso, especialmente nas primeiras 6 semanas após o procedimento. Nesse período, devem ser evitadas atividades que exijam esforço muscular moderado ou severo no braço contíguo ao local do implante do marcapasso.
Depois desse período, as limitações são poucas. Aplicam-se às atividades físicas que exigem grande movimentação dos ombros e àquelas com possível impacto na região do implante. Um impacto forte sobre o gerador do marcapasso pode alterar a integridade do sistema e o seu funcionamento.
São exemplos de atividades e esportes devem ser evitados por portadores de marcapassos:
- golfe
- esportes de raquete (como o tênis)
- fisiculturismo
- natação
- artes marciais
- boxe
Neste outro post, abordamos mais as atividades que devem ser evitadas por portadores de marcapassos e outros dispositivos cardíacos.
O marcapasso pode trazer benefícios para o meu desempenho esportivo?
Os pacientes que tomam todos os cuidados citados acima podem desfrutar do uso de marcapasso e exercícios físicos. E, dependendo da doença cardíaca, ainda podem observar uma melhora no seu desempenho cardiovascular e esportivo. Por exemplo:
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Paciente com Bloqueio Atrioventricular Total (BAVT):
Nesses casos, os pacientes costumam apresentar boa frequência atrial e resposta cronotrópica (aumento da frequência cardíaca com a intensidade da atividade). Contudo, devido ao bloqueio, o ventrículo se mantém em frequência fixa baixa. Nestes casos, o marcapasso conduz a frequência atrial para o ventrículo. Desta forma o paciente pode apresentar a mesma resposta de uma pessoa sem a doença.
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Paciente com Doença do Nó Sinusal:
Nestes casos, os pacientes podem apresentar frequência atrial muito baixa (Doença do Nó Sinusal). O implante, por sua vez, possui um sensor sensível à atividade física do paciente. Ao perceber o sinal de esforço, há um aumento da frequência cardíaca, que pode levar à melhora do desempenho cardiovascular.
Não tenha medo. Converse com o seu médico sobre a retomada das atividades físicas e esportivas após o implante de marcapasso. Assim, você pode se beneficiar da boa relação entre o uso de marcapasso e exercícios físicos.
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Diversos fatores podem levar uma pessoa a desenvolver doenças do coração – sejam elas nas válvulas, no músculo cardíaco, no circuito elétrico do órgão ou nos vasos sanguíneos adjacentes. Entre os principais fatores de risco para doenças cardíacas, estão o histórico familiar, a idade e os aspectos relacionados com o nosso estilo de vida.
“A idade é um fator inexorável. A medida que envelhecemos, vários processos degenerativos se manifestam, como o acúmulo de cálcio nas válvulas cardíacas que leva a doenças como a estenose aórtica”, que é cada vez mais prevalente com o aumento da expectativa de vida da população. Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874), Cardiologista.
Já as pessoas sedentárias, que fumam e se alimentam de forma inadequada, desencadeiam em seu organismo uma série de reações inflamatórias. Isso pode fazer com que, mesmo jovens ou sem histórico familiar, estas pessoas adquiram fatores de risco para problemas do coração. Entre os mais comuns estão:
“Estes fatores de risco adquiridos estão intimamente relacionados com a ocorrência de vários problemas como os Infartos do Coração, Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC), Aneurismas da Aorta Abdominal e obstruções das artérias das pernas, por exemplo. Mesmo as pessoas sem histórico na família podem ter essas doenças” Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874), Cardiologista.
Já as pessoas com histórico familiar de problemas cardiovasculares são ainda mais predispostas e precisam ter cuidados redobrados – inclusive na infância. É o que veremos a seguir.
Histórico Familiar
O fator genético pode contribuir significativamente para a ocorrência de problemas do coração. Em decorrência deste fato, mesmo as pessoas que se exercitam, se alimentam bem e não possuem vícios como o tabagismo, podem apresentar naturalmente risco elevado para hipertensão, diabetes e colesterol alto.
“Muitos destes indivíduos com histórico familiar para doenças do coração terão a manifestação de doença cardiovascular em idades mais precoces. Isso contribui para uma maior mortalidade e diminuição da capacidade laboral em fases mais precoces da vida” – Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874), Cardiologista.
Por isso, mesmo que não tenha sintomas, consultar um médico cardiologista é fundamental. Assim, é possível conhecer o seu perfil e os riscos de desenvolver algum problema do coração. Conhecer os riscos é essencial para adotar as devidas medidas de prevenção o quanto antes.
Grau de Parentesco
De forma geral, para compreendermos os riscos do histórico familiar, é importante ter em mente o grau de parentesco dos familiares que tiveram manifestações de doença cardiovascular, tal como o infarto do miocárdio, e a idade com que eles adoeceram.
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Histórico de Doenças do Coração em Pais e Filhos:
Pais e filhos são considerados parentes de primeiro grau. Caso o pai ou a mãe tenha algum problema do coração, as chances dos filhos nascerem com essa característica é bastante alta. Se a disfunção estiver presente nos dois lados da família, as chances são ainda maiores.
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Histórico de Doenças do Coração em Avós e Irmãos:
Avós e irmãos são considerados parentes de segundo grau. Nesses casos, as chances de herdar uma característica genética é menor, mas ainda muito presente. Se você possui avós com histórico de doença cardíaca precoce ou irmãos diagnosticados precocemente, a atenção precisa ser redobrada.
Idade da Manifestação do Problema Cardíaco
Como vimos, o processo de envelhecimento pode levar à problemas do coração. Isso pode ser algo natural e não estar necessariamente ligado à fatores genéticos. Contudo, se os seus parentes adoecem cedo, isso pode indicar um forte traço genético.
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Familiares com Doença Cardíaca aos 55 / 65 anos:
Caso o pai do paciente tenha sofrido com problemas do coração antes dos 55 anos de idade, ou a mãe tenha sofrido antes dos 65 anos, as chances de que a família possui um histórico familiar forte são bastante altas. Esse critério de idade vale também para irmãos, tios e avós. Pacientes que possuem familiares nestas condições devem procurar o médico cardiologista o quanto antes para avaliação.
Histórico Familiar de Doenças do Coração e Prevenção
Conhecer o histórico familiar é importante não só para cuidar da própria saúde, mas também da saúde dos filhos. Uma vez que o histórico familiar de doenças do coração é reconhecido, a prevenção contra os fatores de risco pode ser adotada já na infância.
“Os traços genéticos podem fazer com que a hipertensão, o diabetes e o colesterol alto se manifestem desde cedo, ainda na fase infantil. Quanto antes a prevenção for iniciada, com a realização de exames e a adoção de hábitos saudáveis, maiores as chances de uma vida longa e feliz.” – Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874), Cardiologista.
A medicina ainda não conhece todos os fatores envolvidos no surgimento das doenças do coração. Mesmo as pessoas que não possuem histórico familiar podem nascer com traços genéticos que levam ao problema.
Por isso, indivíduos aparentemente saudáveis, sem histórico familiar, também devem procurar o médico cardiologista para uma avaliação. Já as pessoas com histórico familiar devem procurar o médico ainda mais cedo.
Os pais que identificam esse tipo de problema na família também podem procurar o cardiologista com os filhos ainda pequenos. A medida é importante para a adoção de ações preventivas que auxiliem os jovens a terem uma vida mais saudável.
*Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874) é Cardiologista Clínico e Professor de Cardiologia da UNISUL. Com mais de 30 anos de atuação em Cardiologia, atua nas clínicas Hemocordis e Prevencordis e no Hospital SOS Cárdio, todos em Florianópolis/SC.

por Equipe Seu Cardio | Aorta, Blog, Cirurgia Cardíaca, Coronária, cuidados, Fatos e Mitos, Pré e Pós-Operatório, Válvulas
A atividade sexual é muito importante e faz parte de uma vida plena, saudável e feliz. No entanto, muitos pacientes que precisam realizar a cirurgia cardíaca possuem medos e dúvidas a respeito. Não sabem como e quando podem praticar o sexo depois da cirurgia. A timidez, por vezes, impede que esse assunto seja tratado de forma natural e aberta com o médico responsável.
“O sexo depois da cirurgia é uma atividade física natural, que exige alguns cuidados específicos. A cicatriz no tórax, o condicionamento físico, as interações medicamentosas e os efeitos psicológicos da própria cirurgia devem ser discutidos com o médico responsável, para evitar maiores problemas.” – Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874), Cardiologista.
Abaixo, o Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874), Cardiologista do Hospital SOS Cárdio, responde às principais dúvidas dos pacientes sobre o sexo depois da cirurgia. Lembre-se: as informações dadas neste texto não substituem as orientações do seu médico!
Quando posso voltar a fazer sexo depois da cirurgia?
Depende. Para que o paciente seja liberado para fazer sexo depois da cirurgia, é preciso analisar o condicionamento cardiovascular de cada pessoa.
Durante a cirurgia cardíaca, o coração do paciente costuma ser bastante manipulado pela equipe médica. Por isso, é preciso respeitar um prazo para que o músculo cardíaco se recupere e possa voltar a trabalhar com maior frequência sem problemas.
“Geralmente, os pacientes que conseguem subir pelo menos 2 lances de escadas sozinhos, sem dificuldades – ou que conseguem caminhar de forma rápida em uma superfície plana – já possuem condições de realizar a atividade sexual após a cirurgia cardíaca, mas de forma leve a moderada.” – Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874), Cardiologista.
Em média, são necessárias de 6 a 8 semanas para que isso seja possível. No entanto, pacientes que realizam trabalho de reabilitação física tendem a ser liberados para o sexo depois da cirurgia um pouco antes.
Quais os cuidados que devo ter com a cicatriz?
A cirurgia cardíaca é feita através de uma incisão no osso esterno, na região central do tórax. No fim do procedimento, esse mesmo osso é rigorosamente costurado com fios metálicos, para que fique fixo e possa se unir rapidamente.
Apesar disso, por mais que as técnicas de sutura e materiais utilizados tenham evoluído, os pacientes precisam evitar movimentos bruscos, que podem fazer o osso se deslocar. Assim, mesmo que nas primeiras semanas você já consiga subir escadas e caminhar rapidamente, o sexo depois da cirurgia deve ser feito de forma leve / moderada.
“Para evitar problemas com a cicatriz, o ideal é que o paciente adote uma postura mais passiva no sexo depois da cirurgia. Ele deve evitar posições que exijam ficar de lado ou fazer movimentos bruscos e excessivos com os braços e com tórax. Usar o apoio de travesseiros pode deixar a atividade sexual mais confortável e segura após a cirurgia cardíaca.” – Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874), Cardiologista.
É comum perder a vontade de fazer sexo depois da cirurgia?
Sim. As doenças cardíacas têm como um dos sintomas mais precoces a dificuldade de ereção. Além disso, é comum que a realização da cirurgia cardíaca faça os pacientes perderem o desejo sexual por um tempo – e que seus parceiros tenham medo de machucá-los durante a relação sexual.
“Os pacientes podem apresentar quadro depressivo logo após o procedimento – o que interfere diretamente na vontade de fazer sexo depois da cirurgia. Nos casos mais leves, o próprio médico cardiologista pode tratar o problema. Em situações de depressão severa, o paciente deverá ser encaminhado para o acompanhamento de um profissional especializado.” – Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874), Cardiologista.
Posso usar medicamentos como Viagra e Cialis depois da cirurgia?
Todo medicamento deve ser utilizado com supervisão e orientação médica. No caso dos estimulantes sexuais como Viagra e Cialis, existe uma contraindicação absoluta do consumo dessas drogas junto a medicamentos a base de Nitratos, como os vasodilatadores Sustrate, Isordil e Monocordil.
Os estimulantes sexuais também devem ser utilizados com cautela junto a medicamentos para hipertrofia prostática benigna, já que pode ocorrer uma redução mais expressiva da pressão arterial.
“A combinação dessas drogas pode fazer a pressão arterial do paciente diminuir acentuadamente e provocar um evento cardíaco grave. Pacientes que desejam utilizar estimulantes sexuais depois da cirurgia devem se informar junto ao médico sobre as doses e intervalos necessários para uma relação segura.” – Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874), Cardiologista.
O que pode acontecer se eu não respeitar as recomendações médicas?
Caso o paciente pratique sexo depois da cirurgia de forma muito precoce ou inadequada, as consequências costumam variar entre:
- Desconfortos e dores fortes na cicatriz: Por conta da movimentação do osso esterno, que ainda está em processo de fixação.
- Manifestações de arritmias cardíacas: Por conta do excesso de estímulos sofridos pelo coração, que também não estará totalmente recuperado do procedimento cirúrgico.
- Pressão baixa e eventos cardíacos graves: A combinação de medicamentos estimulantes sexuais, vasodilatadores e para a hipertrofia prostática pode provocar uma queda severa na pressão arterial dos pacientes e provocar alterações cardíacas graves.
Lembre-se: converse com o seu médico sobre a retomada do sexo depois da cirurgia cardíaca. Tire todas as suas dúvidas sobre o assunto. Diálogo é fundamental e seu Cardiologista é a pessoa mais indicada a lhe orientar sobre a atividade sexual após a cirurgia cardiovascular.
*Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874) é Cardiologista Clínico e Professor de Cardiologia da UNISUL. Com mais de 30 anos de experiência na especialidade, atua nas clínicas Hemocordis e Prevencordis e no Hospital SOS Cárdio, todos em Florianópolis/SC.

por Equipe Seu Cardio | Blog, Cirurgia Cardíaca, Insuficiência Cardíaca, Válvulas
Trata-se de uma das doenças mais comuns do coração. A Estenose Aórtica ocorre quando a Valva Aórtica, por um processo degenerativo, torna-se enrijecida, calcificada. Esse processo leva à uma diminuição de seu orifício efetivo e, assim, gera uma obstrução ao sangue que é ejetado pelo coração.
A doença é caracterizada pela calcificação, enrijecimento e até fusão dos folhetos que compõem a Válvula Aórtica. Os folhetos são as estruturas que determinam a competência da valva e fazem com que o sangue flua somente em um sentido, do coração para a aorta. Eles impedem que o sangue reflua para dentro do coração.No entanto, a Estenose Aórtica impede a válvula de abrir corretamente, reduzindo o espaço por onde o sangue deve passar. Isso faz com que o coração precise trabalhar com maior sobrecarga para bombear a quantidade de sangue necessária para o organismo.
“A Estenose Aórtica é uma doença que tem evolução gradativa e está diretamente associada com a hipertrofia do músculo cardíaco. No início, essas adaptações podem ajudar a bombear sangue com mais força, para vencer a resistência provocada pela estenose. Mas, com o tempo, a tendência é que o quadro evolua para a Insuficiência Cardíaca.” – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardovascular (CRM 4370 / RQE 5893).
Causas da Estenose Aórtica
No geral, a Estenose Aórtica é provocada por:
- Doenças degenerativas: Especialmente em pacientes idosos, pelo acúmulo de cálcio na válvula aórtica ao longo dos anos.
- Doença reumática: Doença que costuma acometer o aparelho locomotor (ossos, cartilagens, articulações, músculos e etc), mas que também podem comprometer órgãos como rins, pulmões, intestino e coração. A doença reumática costumavam ser a principal causa de estenose aórtica em pacientes jovens. O fator causal inicial esteve muito relacionado a amigdalites de repetição, que levam ao aparecimento da doença reumática. No entanto, o número desses casos tem caído consideravelmente.
- Anomalias congênitas: Tratam-se de variações anatômicas que não são, por si só, consideradas doenças. Estudos identificaram que pessoas que nascem com apenas 2 folhetos na Válvula Aórtica (o mais comum são 3), estão mais suscetíveis à doença.
Sintomas da Estenose Aórtica
Os pacientes com Estenose Aórtica podem passar por longos períodos sem perceber os sintomas da doença. Porém, isso pode ser muito perigoso, já que pode acarretar em risco de morte súbita.
Normalmente, um dos sintomas mais comuns é a tolerância cada vez menor ao exercício. Os pacientes com Estenose Aórtica passam a tolerar menos a prática de atividades físicas a que estavam habituados. No entanto, muitas pessoas atribuem essa perda de capacidade à idade ou ao sedentarismo. Por isso, as consultas médicas periódicas são tão importantes.
“O médico precisa conhecer o histórico do paciente. A primeira vista, uma pessoa com 68 anos e que caminha 2km por dia pode ser considerada assintomática. No entanto, se essa pessoa costumava, até pouco tempo atrás, caminhar 4 ou 5 km, a redução pode significar alguma irregularidade e precisa ser investigada.” – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular (CRM 4370 / RQE 5893).
Além da intolerância à exercícios habituais, a Estenose Aórtica costuma provocar os seguintes sintomas::
- Dor no peito (angina);
- Falta de ar (dispnéia);
- Desmaios (síncopes);
Riscos da Estenose Aórtica
A ocorrência de um ou mais dos sintomas vistos acima pode indicar que a doença está em estado avançado. Como oferece risco de morte súbita, a Estenose Aórtica precisa ser investigada imediatamente.
“A Estenose Aórtica sintomática costuma ter uma evolução muito ruim. No geral, os pacientes que têm os sintomas e não são tratados possuem uma expectativa de vida de apenas 2 a 3 anos. No entanto, dependendo do caso, mesmo na Estenose Aórtica sem sintomas o risco de morte súbita pode ser alto.” – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular (CRM 4370 / RQE 5893).
Diagnóstico
O Ecocardiograma é o exame mais adequado para o diagnóstico da Estenose Aórtica e deve fazer parte dos cuidados de rotina com o seu coração. No entanto, alguns outros métodos, como eletrocardiograma, testes ergométricos, ressonância magnética e até radiografia de tórax podem indicar a doença.
Muitos pacientes sem sintomas identificam a Estenose Aórtica em exames de rotina, como o check up cardiológico. Para identificar a doença ainda nas fases iniciais, e ter maiores possibilidades de tratamento, é importante consultar o seu cardiologista de forma periódica. Caso algum dos sintomas citados acima venha aparecer, procure ajuda imediatamente.
Tratamento da Estenose Aórtica
O tratamento da Estenose Aórtica é uma das áreas em maior desenvolvimento na Cardiologia. Através da cirurgia cardíaca, é possível realizar troca da válvula aórtica por uma prótese – mecânica ou biológica. Atualmente, existem várias técnicas cirúrgicas, inclusive com mini-incisão. Temos um post aqui sobre o tema.
“A plastia representa o reparo da válvula do paciente, sendo rarissimamente indicada nos casos de Estenose Aórtica reumática ou degenerativa. A abordagem é definida caso a caso, de acordo com as necessidades e características de cada pessoa.” – Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardiovascular (CRM 4370 / RQE 5893).
Priorize a sua saúde. Consulte seu cardiologista com frequência e fique atento aos sintomas da Estenose Aórtica.
