Sexo Depois da Cirurgia: principais dúvidas

Sexo Depois da Cirurgia: principais dúvidas

A atividade sexual é muito importante e faz parte de uma vida plena, saudável e feliz. No entanto, muitos pacientes que precisam realizar a cirurgia cardíaca possuem medos e dúvidas a respeito. Não sabem como e quando podem praticar o sexo depois da cirurgia. A timidez, por vezes, impede que esse assunto seja tratado de forma natural e aberta com o médico responsável.

“O sexo depois da cirurgia é uma atividade física natural, que exige alguns cuidados específicos. A cicatriz no tórax, o condicionamento físico, as interações medicamentosas e os efeitos psicológicos da própria cirurgia devem ser discutidos com o médico responsável, para evitar maiores problemas.” – Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874), Cardiologista.

Abaixo, o Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874), Cardiologista do Hospital SOS Cárdio, responde às principais dúvidas dos pacientes sobre o sexo depois da cirurgia. Lembre-se: as informações dadas neste texto não substituem as orientações do seu médico!

Quando posso voltar a fazer sexo depois da cirurgia?

Depende. Para que o paciente seja liberado para fazer sexo depois da cirurgia, é preciso analisar o condicionamento cardiovascular de cada pessoa.

Durante a cirurgia cardíaca, o coração do paciente costuma ser bastante manipulado pela equipe médica. Por isso, é preciso respeitar um prazo para que o músculo cardíaco se recupere e possa voltar a trabalhar com maior frequência sem problemas.

“Geralmente, os pacientes que conseguem subir pelo menos 2 lances de escadas sozinhos, sem dificuldades – ou que conseguem caminhar de forma rápida em uma superfície plana – já possuem condições de realizar a atividade sexual após a cirurgia cardíaca, mas de forma leve a moderada.” – Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874), Cardiologista.

Em média, são necessárias de 6 a 8 semanas para que isso seja possível. No entanto, pacientes que realizam trabalho de reabilitação física tendem a ser liberados para o sexo depois da cirurgia um pouco antes.

Quais os cuidados que devo ter com a cicatriz?

A cirurgia cardíaca é feita através de uma incisão no osso esterno, na região central do tórax. No fim do procedimento, esse mesmo osso é rigorosamente costurado com fios metálicos, para que fique fixo e possa se unir rapidamente.

Apesar disso, por mais que as técnicas de sutura e materiais utilizados tenham evoluído, os pacientes precisam evitar movimentos bruscos, que podem fazer o osso se deslocar. Assim, mesmo que nas primeiras semanas você já consiga subir escadas e caminhar rapidamente, o sexo depois da cirurgia deve ser feito de forma leve / moderada.

“Para evitar problemas com a cicatriz, o ideal é que o paciente adote uma postura mais passiva no sexo depois da cirurgia. Ele deve evitar posições que exijam ficar de lado ou fazer movimentos bruscos e excessivos com os braços e com tórax. Usar o apoio de travesseiros pode deixar a atividade sexual mais confortável e segura após a cirurgia cardíaca.” – Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874), Cardiologista.

É comum perder a vontade de fazer sexo depois da cirurgia?

Sim. As doenças cardíacas têm como um dos sintomas mais precoces a dificuldade de ereção. Além disso, é comum que a realização da cirurgia cardíaca faça os pacientes perderem o desejo sexual por um tempo – e que seus parceiros tenham medo de machucá-los durante a relação sexual.

“Os pacientes podem apresentar quadro depressivo logo após o procedimento – o que interfere diretamente na vontade de fazer sexo depois da cirurgia. Nos casos mais leves, o próprio médico cardiologista pode tratar o problema. Em situações de depressão severa, o paciente deverá ser encaminhado para o acompanhamento de um profissional especializado.” – Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874), Cardiologista.

Posso usar medicamentos como Viagra e Cialis depois da cirurgia?

Todo medicamento deve ser utilizado com supervisão e orientação médica. No caso dos estimulantes sexuais como Viagra e Cialis, existe uma contraindicação absoluta do consumo dessas drogas junto a medicamentos a base de Nitratos, como os vasodilatadores Sustrate, Isordil e Monocordil.

Os estimulantes sexuais também devem ser utilizados com cautela junto a medicamentos para hipertrofia prostática benigna, já que pode ocorrer uma redução mais expressiva da pressão arterial.

“A combinação dessas drogas pode fazer a pressão arterial do paciente diminuir acentuadamente e provocar um evento cardíaco grave. Pacientes que desejam utilizar estimulantes sexuais depois da cirurgia devem se informar junto ao médico sobre as doses e intervalos necessários para uma relação segura.” – Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874), Cardiologista.    

O que pode acontecer se eu não respeitar as recomendações médicas?

Caso o paciente pratique sexo depois da cirurgia de forma muito precoce ou inadequada, as consequências costumam variar entre:

  • Desconfortos e dores fortes na cicatriz: Por conta da movimentação do osso esterno, que ainda está em processo de fixação.
  • Manifestações de arritmias cardíacas: Por conta do excesso de estímulos sofridos pelo coração, que também não estará totalmente recuperado do procedimento cirúrgico.
  • Pressão baixa e eventos cardíacos graves: A combinação de medicamentos estimulantes sexuais, vasodilatadores e para a hipertrofia prostática pode provocar uma queda severa na pressão arterial dos pacientes e provocar alterações cardíacas graves.

Lembre-se: converse com o seu médico sobre a retomada do sexo depois da cirurgia cardíaca. Tire todas as suas dúvidas sobre o assunto. Diálogo é fundamental e seu Cardiologista é a pessoa mais indicada a lhe orientar sobre a atividade sexual após a cirurgia cardiovascular.

*Dr. Jamil Cherem Schneider (CRM-SC 3151 / RQE 2874) é Cardiologista Clínico e Professor de Cardiologia da UNISUL. Com mais de 30 anos de experiência na especialidade, atua nas clínicas Hemocordis e Prevencordis e no Hospital SOS Cárdio, todos em Florianópolis/SC.

Pós-Operatório da Cirurgia Cardíaca

 

Os cuidados na UTI após a cirurgia cardíaca

Os cuidados na UTI após a cirurgia cardíaca

As cirurgias cardíacas são procedimentos complexos, que costumam durar cerca de 4 ou mais horas. Elas exigem o uso de anestesia geral e tratamento pós-operatório na UTI – Unidade de Terapia Intensiva. No entanto, ao contrário do que muitos pensam, os cuidados na UTI fazem parte do pós-operatório e independem da condição clínica anterior do paciente. Todos os pacientes submetidos à cirurgia cardíaca são admitidos na UTI. A UTI é, antes de tudo, sinônimo de atenção plena.

“Muitos familiares e pacientes de cirurgia cardíaca não têm ideia de como funciona o pós-operatório na UTI e ficam assustados. A quantidade de equipamentos e cuidados na UTI que tomamos, como o uso de tubos na traqueia, de acessos venosos e arteriais, podem causar uma falsa impressão de que o paciente está passando por algo fora do normal, o que na maior parte das vezes não é verdade” – Dr. Denis Bittencourt, Cardiologista e Intensivista (CRM 10560 / RQE 7658).

Abaixo, o Dr. Denis Bittencourt (CRM 10560 / RQE 7658), Cardiologista do Hospital SOS Cárdio, explica como funcionam os cuidados na UTI após a cirurgia cardíaca.

Quem precisa dos cuidados na UTI?

Os pacientes da cirurgia cardíaca são encaminhados para os cuidados na UTI de forma programada. De acordo com as avaliações pré-operatórias, a equipe médica define quais as melhores práticas para cada paciente.

Há também os casos emergenciais, de pessoas que não esperavam ter esse tipo de internação. Entram aí as situações de infarto, por exemplo. Em linhas gerais, os principais problemas que levam os pacientes a realizarem uma cirurgia cardíaca são:

O que esperar na UTI?

Após o procedimento cirúrgico (eletivo ou emergencial), os pacientes chegam à UTI ainda sob o efeito da anestesia e com respiração artificial. Nessas condições, é habitual que as pessoas apresentem uma certa instabilidade hemodinâmica, pressão alterada, diurese inadequada e pulmões ainda sofrendo o efeito da cirurgia. E isso, claro, exige um cuidado mais próximo.

“Na UTI, o paciente é monitorado de perto. Para isso, são utilizados uma série de equipamentos e acessos diretos ao sistema circulatório do paciente. Estes cuidados são normais, e não indicam necessariamente uma maior gravidade do paciente” – Dr. Denis Bittencourt, Cardiologista e Intensivista (CRM 10560 / RQE 7658).

Alguns dos principais cuidados na UTI são:

Intubação do paciente:

A intubação endotraqueal é importante para garantir a correta ventilação do paciente durante o procedimento, uma vez que ele estará inconsciente, sem condições de respirar sozinho. Já na UTI, a medida que as substâncias da anestesia perdem efeito e a pessoa volta a consciência, o tubo pode ser retirado. Isso, é claro, se não houver sinais de sangramentos ou complicações.

“Geralmente, a retirada do tubo na traquéia costuma ser feita de 4 a 8 horas após a entrada na UTI. Para que esse procedimento seja progressivo, monitorado e seguro, ele é feito com a participação de médicos, fisioterapeutas e profissionais de enfermagem. Todos estão preparados para auxiliar o paciente no que for necessário” – Dr. Denis Bittencourt, Cardiologista e Intensivista (CRM 10560 / RQE 7658).

Caso o pulmão do paciente esteja comprometido de alguma forma, o tempo de intubação e dos cuidados na UTI pode ser maior. Nesses casos, faz-se uma sedação leve, para que o paciente volte a dormir e seja despertado, quando necessário, para o processo de retirada do tubo endotraqueal.

Acessos:

Os acessos são “portas de entrada” que a equipe da UTI utiliza para administrar medicamentos diretamente no sistema circulatório do paciente. As veias centrais, geralmente a subclávia e a jugular, são as mais utilizadas para esse fim. Estes acessos também permitem realizar exames, monitorar quanto o paciente precisa de líquidos e os demais parâmetros hemodinâmicos. Já os acessos arteriais, geralmente feitos pelas artérias radiais ou femorais, são conectados a monitores que exibem de forma contínua o valor da pressão arterial do indivíduo.

Marcapasso Provisório:

O marcapasso provisório faz parte dos cuidados na UTI para praticamente todos os pacientes. Por conta da manipulação do músculo cardíaco, algumas pessoas podem sair da cirurgia cardíaca com arritmia ou bloqueio atrioventricular. Para prevenir complicações, a equipe médica deixa implantado dois pequenos fios no coração – expostos na região do abdômen. Estes fios servem para o controle dessas intercorrências. Caso seja necessário, um marcapasso provisório é conectado a eles.

A Fibrilação Atrial é a arritmia mais comum no pós-operatório da cirurgia cardíaca. Na maior parte das vezes, essa arritmia é corrigida com medicações. Caso a arritmia não seja revertida, o paciente é novamente avaliado e novas técnicas podem ser utilizadas como cardioversão elétrica. O marcapasso é retirado, conforme avaliação médica, quando paciente está livre de apresentar algum bloqueio ou bradicardia. Em alguns casos, faz-se necessário o implante de um marcapasso definitivo.

Dor após a cirurgia cardiovascular:

A equipe da UTI é especialmente treinada para prevenir, reconhecer e tratar possíveis dores no pós-operatório da cirurgia cardíaca. Como vimos no post Dor depois da cirurgia cardíaca, as técnicas de incisão, sutura e os medicamentos analgésicos avançaram muito nos últimos anos. Com isso, a dor depois da cirurgia cardíaca já não tem tanto destaque na recuperação dos pacientes como tinha antigamente.

Cuidado Multidisciplinar

A equipe multidisciplinar que trabalha na UTI é extremamente treinada. Os profissionais da saúde conhecem de perto todas as reações que os pacientes podem apresentar após a cirurgia. Eles estão preparados para agir imediatamente. Não se trata só de cuidar de um paciente potencialmente grave, mas de monitorá-lo para evitar que alguma situação de gravidade possa surpreender no pós-operatório.

Além da presença constante da equipe médica, os cuidados na UTI envolvem profissionais de diversas áreas da saúde, como:

  • Enfermagem:

    Cada paciente de cirurgia cardíaca possui um profissional de enfermagem dedicado, que monitora e avalia o seu progresso. Os profissionais de enfermagem são treinados para se comunicar e identificar sinais importantes, mesmo quando o paciente não consegue falar. São preparados para oferecer todos os cuidados na UTI e entrar em ação caso necessário, realizando contatos importantes com a família e com a equipe médica.

  • Fisioterapia:

    Os fisioterapeutas têm papel fundamental na recuperação após o procedimento cirúrgico. Os cuidados na UTI envolvem a mobilização precoce e os exercícios respiratórios, que previnem a formação de muco nos pulmões, evitando infecções e complicações.

  • Nutrição:

    É comum que pacientes de cirurgia cardíaca tenham outras doenças e condições associadas, como diabetes, hipertensão e alergias alimentares. No pós-operatório, os nutricionistas têm como objetivo verificar o estado nutricional dos pacientes, planejar e realizar intervenções dietéticas que se adaptem às necessidades e aos cuidados na UTI.

  • Fonoaudiologia

    Os fonoaudiólogos são parte importante dos cuidados na UTI. Eles avaliam, entre outros fatores, as dificuldades de deglutição dos pacientes e auxiliam na adoção de estratégias para superá-las.

  • Psicologia

    Pacientes que passam por uma cirurgia cardiovascular podem apresentar sintomas de ansiedade e até depressão. Estes problemas estendem-se, inclusive, para a família. Saber lidar com a situação é fundamental para a retomada da rotina diária e também para a aderência aos cuidados na UTI.

Tempo de Internação

O tempo mínimo de internação em UTI após uma cirurgia cardíaca gira em torno de 48 horas. A associação de diferentes tratamentos no procedimento cirúrgico (coronárias, valvas ou aorta) pode requerer um período de recuperação mais longo.

O mesmo acontece com pacientes que já apresentam um risco aumentado por condições clínicas prévias (como distúrbios neurológicos, pulmonares, renais, etc). Normalmente, eles demandam um tempo maior de cuidados na UTI. Estímulos positivos, como os promovidos pela UTI humanizada, podem deixar o processo mais rápido e agradável.

Sobre o autor: Dr. Denis Bittencourt Rojas (CRM 10560 / RQE 7658), é médico especialista em Clínica Médica, Cardiologia e pós-graduado em Medicina Intensiva. Atua na UTI do Hospital SOS Cárdio há 10 anos.

 

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Dor depois da cirurgia cardíaca

Dor depois da cirurgia cardíaca

As técnicas de incisão, sutura e os medicamentos analgésicos avançaram muito nos últimos anos. Com isso, a dor depois da cirurgia cardíaca já não tem tanto destaque na recuperação dos pacientes como tinha antigamente.

Nesse texto, nós explicaremos a você como a dor é controlada no pós-cirúrgico e por que você não deve ter medo dela.

Cuidados na cirurgia

As cirurgias cardíacas são realizadas com anestesia geral. Assim, o paciente fica totalmente confortável e não sente nenhum tipo de dor durante o procedimento.

Enquanto você dorme, para ter amplo acesso ao coração e poder executar o tratamento necessário, os cirurgiões cardíacos precisam fazer a incisão do osso esterno, localizado na região central do tórax. E, ao contrário do que muitos pensam, essa técnica tende a provocar menos dor depois da cirurgia.

A incisão do osso esterno faz com que a caixa torácica seja aberta no sentido natural das costelas (do centro para fora), causando menos trauma às estruturas da região.

Cirurgias realizadas pela região lateral do tórax, como as pulmonares, costumam exigir o afastamento das costelas no sentido longitudinal. Esse movimento não natural pode provocar maior dor depois da cirurgia.

“A dor no pós-cirúrgico também está muito relacionada à agressão muscular. Quanto mais músculo atingido, maior a dor. No entanto, sobre o osso esterno, quase não há músculo. As inserções das musculaturas peitorais não são feitas exatamente no centro dele” –  Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardíaco (CRM 4370 / RQE 5893).

Fixação do osso esterno

Além de quase não atingir músculos, após a cirurgia cardíaca, o osso esterno é firmemente fixado. Isso faz com que a caixa torácica permaneça rígida e que os tecidos moles sobre ela possam realizar os movimentos de inspiração e expiração sem problemas.

Nesse sentido, a cirurgia cardíaca provoca muito menos dor do que as cirurgias abdominais, como as cesarianas ou as cirurgias feitas nos rins. Nelas, uma grande quantidade de músculo é atingida e as incisões não possuem suporte ósseo para permanecerem firmes, trabalhando e provocando sensibilidade a cada movimento da respiração.

Quando posso sentir dor depois da cirurgia?

Geralmente, a intensidade da dor é maior entre as primeiras 48 a 72 horas após o procedimento cirúrgico cardíaco.

Durante todo o período em que estiver internado, o paciente será acompanhado de perto pela equipe médica e de enfermagem, que administrará substâncias analgésicas e antiinflamatórias necessárias para conter ao máximo a dor depois da cirurgia.

No entanto, por mais mais firme que seja fixado, e por melhores que sejam os medicamentos, o osso externo ainda pode sofrer pequenos movimentos caso a caixa torácica seja forçada. Situações como tosse e espirros fortes podem provocar dor depois da cirurgia.

“Tossir é muito importante após a cirurgia, pois evita o acúmulo de secreção dentro dos pulmões. Por isso, quando necessário, os pacientes são orientados a abraçar um travesseiro. Assim, eles realizam uma certa contenção durante a tosse e sentem muito menos dor”  –  Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardíaco (CRM 4370 / RQE 5893).

Cirurgia minimamente invasiva

As cirurgias minimamente invasivas têm como objetivo central preservar a anatomia do paciente. Com uma incisão menor, elas oferecem benefícios estéticos no que diz respeito à cicatrizes e uma recuperação mais rápida, menos dolorosa.

“Nas trocas valvares aórticas isoladas, as cirurgias minimamente invasivas são realizadas através de uma incisão de aproximadamente 7 centímetros na região central do tórax. Hoje, utilizamos esta técnica como rotina em todas as trocas valvares aórticas isoladas. Na cirurgia cardíaca convencional, as incisões podem ter até 25 centímetros” –  Dr. Sergio Lima de Almeida, Cirurgião Cardíaco (CRM 4370 / RQE 5893).

Contudo, apesar de reduzirem a dor depois da cirurgia, nem todo procedimento cardíaco pode ser realizado com técnicas minimamente invasivas.

Não tenha medo. Converse com o seu médico sobre a dor depois da cirurgia cardíaca e priorize a sua saúde. A Equipe Seu Cardio está a sua disposição.

 

Avaliação Clínica na Cirurgia Cardíaca

Avaliação Clínica na Cirurgia Cardíaca

Confira o artigo escrito pelo Dr. Daniel José da Silva Filho, Médico Cardiologista e Intensivista (CRM 25741 RQE 16416 RQE 16418), sobre a importância da avaliação pré-cirúrgica para o sucesso do procedimento. Boa leitura!  

Um dos grandes avanços da Medicina nos últimos anos é a maior capacidade de avaliar as características e as necessidades de cada paciente. A avaliação clínica no pré e no pós-cirúrgico da cirurgia cardiovascular está cada vez mais personalizada. Tem como objetivo central proporcionar maior segurança na condução de cada paciente.

Os resultados podem ser observados em procedimentos médicos de um modo geral, principalmente nos pacientes com idade avançada. Hoje, diferente do que acontecia décadas atrás, é cada vez mais comum a realização de procedimentos complexos em pessoas com mais de 80 anos. Destacam-se, especialmente,  cirurgia cardíaca, vascular, além de outros procedimentos cirúrgicos de um modo geral. Como a média de idade do brasileiro vem aumentando gradativamente, precisamos estar preparados para este momento, possibilitando o acesso aos tratamentos para uma parcela importante da população.

O mesmo acontece em pacientes com outras comorbidades, como diabetes, doenças coronarianas, problemas renais e hepáticos. Antigamente, tais condições poderiam impedir a realização de uma cirurgia cardíaca ou outro procedimento cardiovascular. Hoje, o cuidado personalizado e a avaliação clínica detalhada permitem determinar o melhor momento do procedimento, bem como a melhor opção terapêutica.

Avaliação Clínica antes da Cirurgia Cardíaca

Os cuidados pré-cirúrgicos começam antes mesmo do encontro com o médico. Têm início já na escolha do hospital e da equipe responsável pelo tratamento. Os pacientes devem procurar instituições e profissionais que ofereçam todo o suporte para o caso de alguma intercorrência.

Uma vez feito isso, passa-se então pela avaliação clínica pré-cirúrgica. Nela, o médico responsável deve avaliar o paciente como um todo. A intenção é fazer o preparo de acordo com as condições de saúde de cada pessoa – e com o tipo de cirurgia que ela irá realizar.

A avaliação clínica pré-cirúrgica costuma envolver alguns exames de rotina (que variam de acordo com o procedimento a ser realizado). Eletrocardiograma, Rx de tórax e ecocardiograma são alguns exemplos. No entanto, sabemos que eles podem não dar conta de todo universo das diversas situações.

Dependendo do procedimento cirúrgico a ser realizado, a avaliação clínica pode demandar outros exames e aprofundar a investigação. Pretende-se, com isso, proporcionar maior segurança ao paciente e sucesso em sua cirurgia.

Além disso, o médico também realiza um levantamento completo e a análise crítica do histórico do paciente. Nesse contexto, avaliamos:

  • Histórico de doenças prévias;
  • Os sintomas envolvidos em cada caso;
  • Os procedimentos realizados anteriormente;
  • As complicações sofridas no passado;
  • O histórico familiar;
  • Os medicamentos que utiliza e que deixou de usar;
  • A indicação cirúrgica.

Esse levantamento minucioso, aliado aos exames de rotina para cada procedimento e aos escores matemáticos de risco, permitem ao médico ter amplo conhecimento do estado de saúde do paciente.  

“A avaliação clínica personalizada nos permite solicitar procedimentos de pesquisa cardíaca, pulmonar e de diversas outras especialidades antes das cirurgias cardiovasculares. Assim, os pacientes são encaminhados para o tratamento com mais segurança.” Dr. Daniel José da Silva Filho, Médico Cardiologista e Intensivista (CRM 25741).

A avaliação clínica permite aos médicos a realização de um planejamento específico para cada paciente. As informações levantadas nessa fase ajudam a traçar estratégias de prevenção e controle de intercorrências no pós-cirúrgico.

Essa avaliação também auxilia a equipe multidisciplinar envolvida, como fisioterapeutas, nutricionistas, fonoaudiólogos, enfermeiros e psicólogos, no diagnóstico e prevenção de intercorrências e nos cuidados pós-operatórios.

Avaliação Após a Cirurgia Cardíaca

No pós-cirúrgico, os pacientes também são submetidos a uma série de exames laboratoriais e de imagem. Novamente, as informações da avaliação clínica pré-cirúrgica têm relevância, pois auxiliam na condução do paciente.

“Nós correlacionarmos todas as informações obtidas antes, durante e depois da cirurgia cardiovascular. Assim, além dos exames de rotina para a avaliação clínica pós-cirúrgica, nós podemos realizar estudos mais complexos, de acordo com o quadro de cada paciente.” Dr. Daniel José da Silva Filho, Médico Cardiologista e Intensivista (CRM 25741).

Os cuidados com a mobilização precoce, com a alimentação adequada e com o estado psicológico dos pacientes seguem a mesma lógica. Visam sempre uma recuperação plena e segura, com prevenção de intercorrências, de acordo com as características de cada pessoa e com as informações coletadas na avaliação clínica.

*Dr. Daniel José da Silva Filho (CRM 25741) é médico especialista em Terapia Intensiva (RQE 16418) e em Cardiologia (RQE 16416). Atua nas unidades de Pronto Atendimento e CTI do Hospital SOS Cárdio. 

Pós-Operatório da Cirurgia Cardíaca

 

 

Anestesia Geral na Cirurgia Cardíaca

Anestesia Geral na Cirurgia Cardíaca

Cirurgias cardíacas são procedimentos de grande porte e que exigem anestesia geral. Atualmente, a técnica de anestesia geral balanceada costuma ser a mais utilizada. Trata-se de uma combinação de substâncias, ministradas durante todo o procedimento cirúrgico, e que promovem a inconsciência, eliminam a dor e permitem o relaxamento muscular.

Cabe ao médico anestesiologista calcular a proporção e a quantidade dos elementos sedativos, analgésicos e relaxantes para cada pessoa. Ele também administra a anestesia geral e permanece junto ao paciente durante toda a intervenção cirúrgica. O anestesiologista mantém o paciente seguro e confortável, possibilitado a estabilidade necessária ao trabalho do cirurgião cardiovascular.

Nas cirurgias eletivas (agendadas), para que toda essa segurança seja possível, os cuidados devem chegar aos mínimos detalhes. Eles fazem parte de um protocolo adotado pela equipe de Anestesiologia e começam antes mesmo do procedimento cirúrgico, na consulta pré-anestésica.

Consulta Pré-anestésica

A consulta pré-anestésica é fundamental para a avaliação do paciente por parte dos médicos anestesiologistas. É a partir dela que é feito o planejamento de todas as ações que serão necessárias durante a cirurgia cardiovascular. A partir dessa consulta, são pensadas e executadas as medidas preventivas durante o procedimento. A diminuição de impactos inicia no pré-operatório.

Além de informar sobre todo o procedimento e tirar dúvidas, é nessa consulta que o médico anestesiologista conhece e identifica a real condição de saúde do paciente.

“Nós podemos solicitar exames mais apurados e, a partir disso, tomar providências para que o paciente seja submetido à cirurgia cardiovascular com a maior segurança possível dentro do seu quadro de saúde.” Dr. Adilson José Dal Mago (CRM/­SC 6970 RQE 3023), Médico Anestesiologista.

“A consulta pré-anestésica permite evitar eventuais complicações e tomar todas as medidas preventivas necessárias. Há casos em que precisamos adiar a cirurgia devido à identificação de algum outro problema de saúde do paciente que pode impactar na cirurgia, por exemplo.” Dr. Ranulfo Goldschmidt (CRM­/SC 7189 RQE 3155), Médico Anestesiologista.

É com base nas informações colhidas nos exames e na consulta pré-anestésica que o médico anestesiologista define a melhor conduta para cada pessoa. São avaliadas características individuais e sensibilidades à determinadas reações, como náuseas, por exemplo. Assim, o médico pode preparar-se também para utilizar outras substâncias necessárias para controlar possíveis intercorrências e efeitos colaterais da anestesia, como prurido, entre outros.

Anestesia Geral durante a Cirurgia Cardíaca

Os pacientes submetidos a uma cirurgia cardíaca chegam ao centro cirúrgico levemente sedados. Com todas as informações coletadas na consulta pré-anestésica em mãos, os médicos anestesiologistas realizam a punção venosa e administram a anestesia geral calculada especificamente para o indivíduo.

No entanto, esse é apenas o início do trabalho. O médico anestesiologista permanece durante toda a cirurgia ao lado do paciente, monitorando de perto os seus sinais vitais e administrando de forma contínua as substâncias anestésicas.

“Muitas pessoas têm medo da anestesia por causa da impossibilidade de se comunicar. No entanto, essa é uma função do médico anestesiologista: identificar de forma precoce todos os sinais dados pelo paciente enquanto ele estiver desacordado.” Dr. Adilson José Dal Mago (CRM­/SC 6970 RQE 3023), Médico Anestesiologista.

Hoje, durante a cirurgia cardíaca, é possível analisar, em tempo real, diversas informações do paciente. Pressão arterial, dados da sua oxigenação sanguínea, como a emissão de CO2, são alguns exemplos.

“Com o auxílio do aparelho de ecocardiografia, nós podemos ver na tela todo o funcionamento do coração e identificar previamente qualquer intercorrência.” Dr. Ranulfo Goldschmidt (CRM­/SC 7189 RQE 3155), Médico Anestesiologista.

Por conta da monitoração contínua, possíveis intercorrências como isquemias ou embolias pulmonares podem ser evitadas ou corrigidas imediatamente. Profissionais anestesiologistas bem preparados proporcionam mais segurança ao paciente e tranquilidade à equipe cirúrgica.

Pós-operatório

Graças à consulta pré-anestésica e à técnica de anestesia geral balanceada, é possível controlar com maior precisão quando cada paciente irá despertar. E esse é um cuidado fundamental para a saúde das pessoas.

Um bom exemplo disso é a retirada do tubo de oxigenação, uma fase importante após a cirurgia cardíaca. As pesquisas mostram que os pacientes que têm o tubo retirado precocemente apresentam uma recuperação mais rápida, com menos complicações. Porém, para que isso seja feito da forma adequada, o indivíduo precisa estar em condições de respirar por conta própria, sem os efeitos da anestesia geral.

Os médicos anestesiologistas cuidam desses detalhes importantes. Calculam por quanto tempo cada indivíduo deverá permanecer desacordado e quando ele irá acordar. Assim, os pacientes usufruem do maior conforto e segurança possíveis dentro dos seus quadros de saúde.

“As substâncias analgésicas da anestesia geral podem provocar náuseas e vômitos em algumas pessoas no pós-operatório da cirurgia cardíaca. Nós procuramos identificar e evitar isso já na consulta pré-anestésica, a partir de protocolos de profilaxia.” Dr. Adilson José Dal Mago (CRM­/SC 6970 RQE 3023), Médico Anestesiologista.

“As dores no pós-operatório também são um fator muito particular e para o qual nos preparamos antecipadamente. Os métodos utilizados prolongam os efeitos das substâncias analgésicas para maior conforto do paciente no pós-operatório.” Dr. Ranulfo Goldschmidt (CRM­/SC 7189 RQE 3155), Médico Anestesiologista.

Sobre os autores:

Os anestesiologistas Dr. Adilson José Dal Mago (CRM­/SC 6970 RQE 3023) e Dr. Ranulfo Goldschmidt (CRM­/SC 7189 RQE 3155) fazem parte da equipe Anestesiologistas Associados. Com especialização em anestesiologia, atuam principalmente em cirurgias cardíacas e atendem os procedimentos realizados pela equipe de cirurgia cardiovascular Seu Cardio, no Hospital SOS Cárdio, em Florianópolis/SC.

Como retomar a rotina depois da cirurgia cardíaca

Como retomar a rotina depois da cirurgia cardíaca

A volta para a casa depois da cirurgia cardíaca é uma fase que costuma gerar muitas dúvidas aos pacientes. Ao deixar o hospital, é comum o sentimento de insegurança. E apesar de todo o trabalho feito pelos profissionais do hospital em preparar o paciente para o retorno à vida normal, algumas dúvidas costumam aparecer.

Durante essa fase, que pode levar até 60 dias, é importante seguir todas as orientações passadas e reconhecer o papel fundamental delas para o sucesso do pós-operatório.

Desconfortos físicos são comuns, especialmente nas primeiras 48 a 72 horas após a cirurgia cardiovascular. Dores, cansaços, anemias e edemas devem ser monitorados. A higiene pessoal também é muito importante. É preciso evitar o medo de limpar as feridas cirúrgicas e prestar muita atenção para evitar infecções, inclusive no banho. Cuidados específicos sobre os curativos, a incidência de sol e a retirada dos pontos fazem toda a diferença. Especialmente no caso de pacientes diabéticos.

Outro ponto que gera muitas dúvidas são os esforços físicos. Desde o dia de sua alta hospitalar, você não está proibido de sair de casa, de subir escadas, de passear, etc. Apenas lembre-se que você está numa fase de recuperação. A única restrição completa fica por conta de dirigir. Os programas de reabilitação cardíaca são uma ótima opção para voltar à vida normal de forma mais rápida e prazeirosa.

É preciso ter cuidado também no repouso. Algumas posturas e posições podem prejudicar a sua recuperação. Depressão, ansiedade e medo também são bastante comuns, e merecem atenção. Assim como a alimentação e a interação entre medicamentos.

Novo Ebook: Pós-operatório de cirurgia cardíaca

Para ajudar você nessa nova etapa, a equipe de cirurgiões cardiovasculares Seu Cardio preparou um guia que aborda as principais dúvidas dos pacientes na volta para a casa. O material não substitui a orientação do seu médico, mas deverá lhe ajudar a enfrentar os desafios da recuperação em casa de forma tranquila.

No ebook “Pós-operatório de Cirurgia Cardíaca”, você vai aprender a realizar os cuidados básicos nas principais tarefas do cotidiano. O material é gratuito e aborda os seguintes temas relacionados à recuperação do paciente ao retornar para a casa:

  • Desconfortos físicos;
  • Higiene pessoal;
  • Cuidados específicos com a cicatriz;
  • Cicatrização em pacientes diabéticos;
  • Esforços físicos;
  • Programa de reabilitação cardíaca;
  • Cuidados no repouso;
  • Cuidados Psicológicos;
  • Alimentação;
  • Medicações.

Pós-operatório de Cirurgia Cardíaca

O material é gratuito e elaborado com a colaboração dos profissionais que oferecem o tratamento multidisciplinar aos pacientes da equipe Seu Cardio. Juntos, trabalhamos para promover uma recuperação mais rápida e tranquila. Esperamos que aproveite a leitura!